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domingo, 12 de janeiro de 2025

Cuidados

Maré baixa, ondas medianas, muita espuma e muita areia, "aberta" a contrariar-se e a mostrar-se quase fechada e muito envergonhada, sem vento nem banhistas.

Das Berlengas, nem rasto: talvez escondidas, na procura de discrição e reserva, com receio de que Trump ainda se lembre de também as querer comprar. E se ...

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Ilusões

Se Fernando Pessoa escreveu que

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente

seria interessante perceber as Berlengas que, no dia de Natal, fingiram aproximar-se da costa e dar a ilusão de que estavam mesmo ali, não à mão de semear, mas a meia dúzia de braçadas, a nadar.

São apenas ilusões e, amanhã, o mais provável é que as velhas ilhas e os seus companheiros Farilhões já só apareçam no horizonte de quem sabe que, por detrás da neblina, lá bem longe, elas permanecem descansadas.

Malhas que o império tece ou a confirmação de que o hoje só determina que o amanhã se verá.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Fim de tarde

Do alto da colina onde se encontra o Hotel Inatel da Foz do Arelho desfruta-se uma vista soberba por toda a Lagoa e, perscrutando à direita, lá para o fundo, vêem-se surgir as Berlengas, hoje envoltas numa pequena mancha de nevoeiro. Em outros dias, a bruma aparece tão forte que as faz desaparecer da vista, mantendo-as no coração, naturalmente. 

Sossegadinhas, as ilhas aguardam que o sol nelas se vá esconder e sossegar.

Hoje ficamos por aqui.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Ilusões

Os olhos perscrutam o horizonte e apenas vêem uma mancha acinzentada, azulada, indefinida, sem nada que indicie haver por ali alguma coisa de palpável, muito menos umas ilhotas bem robustas e antigas.

Nem sinal das Berlengas, dos Farilhões, muito menos das Estelas ou das Desertas. Mas estão lá, disso não haja qualquer dúvida. Não é fácil de explicar a quem, pela primeira vez, se sente no areal da Foz e deite os olhos ao mar, cumprindo a sugestão de as descobrir.

- Não vejo nada. Estás a brincar ...

Não se movem, nunca, esteja o mar revolto ou mansinho. Escondem-se, de quando em vez, criando nova paisagem, ou aparecem mesmo ali à frente, quase à "mão de semear".

- As Berlengas, hoje, estão mesmo aqui. Se calhar, amanhã chove.

E no dia seguinte estão mais ao fundo, mal se distinguem no meio do oceano, confundem-se entre o céu e o mar, com vergonha de se exibirem. Logo no outro se distinguem perfeitamente, mas lá tão longe. 

A natureza tem destas coisas, incompreensíveis, alterando-se e forçando realidades que, não deixando de o ser, "vestem" hoje paletó e lacinho e amanhã uma bata suja, da cor do horizonte e nele bem embrenhada. Tal qual as pessoas, que tão depressa se fazem ouvidas e notadas, como a seguir se escondem em silêncios ensurdecedores, procurando transmitir que, afinal, não passam de uma ilusão, que não são o que foram e nem sequer por lá andaram. Todavia, olhando bem, está lá tudo, por mais que escondam.

E a culpa só pode ser da natureza!