Elogio do sorvete
come sorvetes velha come sorvetesque a morte chega mais cedo do que pensasbem melhor será partires toda fresquinha por dentrocom tanto fogo aceso nas paredes de Maioalém disso ficas mais bonita (tu que já ésde novo uma criança) com a bolacha esguiaa arrefecer-te os dedos frios e a línguaa saltitar na palidez dos lábioscome sorvetes velha come sorvetes quetirando os chocolates do nosso tioFernando Pessoaos sorvetes são a melhor metafísicae tornam os dentes incrivelmente brancosPoesia reunidao pouco que sobrou de quase nadaManuel Alberto ValenteQuetzal (2015)
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
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terça-feira, 29 de julho de 2025
Palavras bonitas
domingo, 3 de maio de 2020
Palavras bonitas
Telegrama
estou bem e continuo
resisto
de noite custa mas de manhã
quando me visto
meto-te ao bolso
esperança
e assisto
a mais um dia
o calendário anda
para trás o sol é longe
o silêncio corrói
os fios da vontade
mas no meu bolso estás
e lá te afago
tranquila como um lago
que enche de seiva
as veias do meu corpo
Manuel Alberto Valente
Poesia reunida
Quetzal (2015)
estou bem e continuo
resisto
de noite custa mas de manhã
quando me visto
meto-te ao bolso
esperança
e assisto
a mais um dia
o calendário anda
para trás o sol é longe
o silêncio corrói
os fios da vontade
mas no meu bolso estás
e lá te afago
tranquila como um lago
que enche de seiva
as veias do meu corpo
Manuel Alberto Valente
Poesia reunida
Quetzal (2015)
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