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sábado, 29 de agosto de 2020

(a)Normalmente

Numa manhã de muito vento e após ter terminado o livro de Teresa Veiga chegado esta semana (Cidade Infecta), dou por mim a escrever umas notas no telemóvel, em vez do lápis Viarco que habitualmente utilizo. O passeio à beira oceano com regresso pelo lado da lagoa a isso levou.

O "novo normal", como lhe chamam os grandes opinativos, talvez seja responsável por esta alteração de hábito ou, para parecer muito "avant la lettre", a utilização integral das novas tecnologias e a dispensa do que me acompanhou sempre. 

Na volta pela lagoa, mais abrigada da nortada e com bastantes veraneantes, dou por mim a olhar e a estranhar um grande grupo, "acampado" na areia e a regalar-se com o sol. Que grande ajuntamento! São da mesma família, para estarem assim tão juntinhos? Já tudo se estranha. Será a nova rotina? O comportamento dos outros, tão banal, já me parece esquisito? E os outros, acanham-se quando eu passo sem a distância determinada ou sem a máscara protectora? A recriminação dos comportamentos vai passar a regra? Deixaremos de tolerar as diferenças e a liberdade de cada um? Atingiremos a desfaçatez de passarmos a polícias cívicos uns dos outros? Regularemos tanto que as baias nos sufocarão? Tenho esperança que o bom senso prevaleça, que nos respeitemos dentro das diferenças, sem pensar que só o outro pode ter a "lepra" que não queremos para nós.

Nestas alturas, a memória rebusca e traz sempre ao de cima a frase do polícia cioso das suas obrigações, confrontando um grupo de jovens, no qual eu me incluía, e que tinha ido fazer uma visita nocturna a Peniche, aí pelos inícios da década de 70 do século passado, bem antes de a liberdade passar por aqui.

"São proibidos os grupos agrupados e mais que dois a andar parados".

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Vírus

 Hoje não há obituário, nem música, nem palavras bonitas, nem livros.

É um dia de nem ...

Nem há sol, nem há vento, nem há (muita) gente na praia, nem há chuva (por enquanto), nem há vontade de escrevinhar.

Mas há este "compromisso" de, enquanto Sua Alteza o Covid 19 não nos abandonar, o ir aborrecendo diariamente com meia dúzia de palermices, de palavreado sem qualquer interesse, se mais não fora para que "ele" não julgue que aqui chega, toma conta de nós e a todos submete à sua excelsa vontade, sem sequer se estrebuchar.

Não conte comigo! Não me submeterei à sua vontade, por mais violento que queira ser ou parecer. Faz parte de mim esta lógica de, como dizia Régio, "não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí". E já não mudo, por muito que isso possa custar ao "invasor" ou ao invadido.

Cá vou fazendo um esforço para o fintar, não lhe dar oportunidade de me deitar a luva, facultando-lhe a importância, atenta, que "ele" obriga e o desprezo que merece. 

domingo, 12 de julho de 2020

Carro entediado

E se ...
O carro utilizado para as viagens mais longas permanece na garagem há mais de três meses.
Utiliza-se o "micro-ondas" (como lhe chama o meu neto mais novo) para as idas à praia e para as pequenas voltas na cidade, e o coitado do maior já deve estar a "chocar" alguma depressão por força do confinamento.
A garagem tem espaço, até tem luz solar, mas isso não deve ser suficiente para que o tédio de não sair à rua, não acelerar, não ver companheiros, não pisar alcatrão, não apanhar sol na "moleirinha" nem vento nas janelas, não lhe tome conta dos pensamentos e das amarguras vivenciais. Pobre coitado!
Por vezes deve ouvir as conversas e criar expectativas, até porque tem o depósito cheio e ele sente-o.
Será desta, pensa. E logo ouve as duas palavras mágicas:
          - E se ...
Não, não é ainda!

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Quotidiano

Já lá vão quase quatro meses a conviver com o "novo normal" e a luz ao fundo do túnel ainda nem tremelica.
"O medo é que guarda a vinha", diz um ditado popular que, como quase todos, encerra verdade e sapiência. 
Somos hoje altamente influenciados pelo medo, que nos constrange, impede, influencia, nos torna cautelosos, desconfiados e nos transporta sempre de pé atrás, "não vá o diabo tecê-las".
E se ...? 
O melhor é ficar em casa. Na dúvida ...

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Quotidiano

O Verão, que tinha chegado antes do tempo e trazido muito calor e céu azul, sem vento e com mar quase chão, resolveu esta semana torpedear todos os planos e obrigar à abdicação do caminho matinal para a Foz do Arelho.
E esta abdicação traz consequências, físicas e psíquicas: há sempre trabalho a fazer, em casa ou no jardim e, sobretudo, ouvem-se mais notícias, comentários e opiniões.
O que se vai ouvindo não é agradável nem o que se esperava, decorridos que estão mais de 100 dias desde o início desta calamidade que nos veio visitar sem ter qualquer convite. 
O optimismo e o cansaço tornam-se opositores, têm pouca capacidade de diálogo, opinião muito diferente, e trazem à tona o pessimismo e o medo dos dias que se irão seguir.
As saídas não são muitas mas não me agrada nada voltar ao confinamento do quintal ... e eu ainda tenho esse espaço!

sábado, 16 de maio de 2020

Ilusão

E quando tudo indicava que as notícias continuariam a ser sobre o coronavírus, o planalto e o confinamento, a taxa de letalidade e a abertura das praias, eis que a visita à fábrica dos automóveis altera tudo, cai não cai, fica não fica, vai não vai, tem razão não tem, toda a gente sabia, ninguém sabia, aprovaram e não leram, votaram sim e queriam votar não, estava no papel, qual papel, o papel ... mas ninguém leu!
E Centeno foi treinador de futebol, de bestial a besta num minuto: os treinadores de bancada opinaram, o pequeno mundo agitou-se, as mesas redondas tentaram a quadratura, os prognósticos sucederam-se, era tudo evidente e já se esperava, claro como a água, só não via quem não queria ou era cego, o vírus eclipsou-se num instante.
A noite é boa conselheira, mesmo antes de dormir.
Foi um equívoco, um pequeno lapso, falta de informação atempada, tinha de ser, o prazo acabava no dia seguinte, toda a gente sabia, estava escrito no Orçamento, aprovado e promulgado, uma falha de informação, a auditoria é outra coisa, não invalida o compromisso, está tudo resolvido!
E eu sou parvo, ou quê?, como dizia Zé Mário Branco.

sábado, 9 de maio de 2020

Quotidiano

Num sábado esquisito, com sol, vento, chuva e gatos aos gritos no quintal, lê-se e ouve-se música boa, como esta, e deseja-se que amanhã, domingo, o S. Pedro nos dispense a chuva, mesmo não  dando o tempo que convida a ida à praia.
Os resultados diários do corona parecem animadores mas, a ver vamos, como diz o cego.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Quotidiano

Tenho máscara, tenho viseira, tenho as obras prontas, o automático do portão de novo a funcionar, a relva, cortada, as rosas, lindas, os morangos, maduros, os gatos a continuarem a usar o wc verde sem qualquer autorização e sem um pingo de vergonha, os melros a espreitarem a ginjeira, ainda tão longe de avermelhar, as framboesas a darem mostras de quererem oferecer uma boa produção, as alfaces, viçosas, o limoeiro, carregado, os espinafres esperando que os colham para a "sopa dos meninos", o chuchu, a trepar, a glicínia a ostentar cachos roxos, os bordões de S. José verdíssimos e ainda longe da "hibernação" que irá ocorrer quando o calor apertar, os cactos, suspensos, a mirarem o ambiente, as strelitzias, maravilhosas, a rua, um sossego, e a casa ... vazia.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

(Des) Confinamento

Já não estou confinado, mas ainda estou muito limitado.
Sem infringir as regras e comportando-me com o civismo que o momento exige, fui ver o mar, marquei o corte de cabelo e já só consegui vaga para amanhã, às seis da tarde, dei uma volta a pé e ajudei a arrancar umas ervas daninhas no jardim. Há muitas outras por aí, mas a essas, por muito que eu queira ajudar, não há monda que as extinga. Ainda bem! Qualquer seara, para dar bom grão, tem de ter algumas daninhas para que a diferença se acentue e seja visível.
No passeio, detive-me um pouco a apreciar as obras de arte espalhadas pelos jardins do CENCAL. Ao autor da obra que hoje fotografei, de forma amadora e despretensiosa, nunca lhe passaria pela cabeça que, um dia, um passeante em passeio higiénico haveria de relacionar os coloridos e bonitos pulmões da sua obra com a sujidade que o coronavírus trouxe a muitos milhares em todo o mundo. 
E os pulmões ficam tão bem naquele corpo cerâmico tão bonito.


sexta-feira, 1 de maio de 2020

Maio

É o dia da Festa e o dia de cantar, ainda não de vitória, mas de esperança que melhores dias virão, não importando a fúria do mar.
Se tudo correr dentro da normalidade anormal, Maio será o mês de cortar o cabelo, de voltar a ver o mar e a beber café "a sério", e de estar próximo dos meus, mantendo a distância, claro, mas eliminando as conversas com paragens, as imagens distorcidas, o "longo" tempo de espera pelas respostas, as conversas em catadupa.
E para o ano talvez os festejos do Dia do Trabalhador voltem à rua, se possível com poucos desempregados.

sábado, 18 de abril de 2020

Quotidiano

A quarentena tem sido um manancial de aquisição de conhecimentos e espero que assim continue. No final disto tudo, tenho de decidir a quem devo submeter a tese de "doutoramento virtual" abrangente.
No Facebook sabe-se e discute-se tudo; o Instagram segue o mesmo caminho e os vídeos, textos, discursos, enviados pelo Messenger, são carregados de sapiência e de certezas.
Discute-se e opina-se sobre tudo (sim, separado, se não era casacão) desde a queda do PIB aos "coronabonds", a permanência de Centeno e as moratórias, a burocracia do crédito e as garantias, o dinheiro que não chega, as comemorações, o "pico" e o "planalto", os ventiladores e as máscaras, a vacina que há-de chegar e o medicamento que já aí está, sempre com eloquência e certezas que não  se vislumbram quando se ouvem as pessoas que estudam o problema. Enfim ...
Hoje o tema ainda é mais arrasador: vamos ou não à praia no Verão? Podemos marcar as férias? As praias terão senha a determinar a vez de ir ao banho? E quantos poderão estar na água? E no chapéu? Haverá filas e distância profilática para o areal? Não seria conveniente haver legislação que determinasse o tamanho da toalha?
Rendo-me e vou "dar a coxa à Caparica".

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Quotidiano

Na (minha) instrução primária faziam-se ditados. 
A professora ou, na primeira classe, algum colega da quarta, ditava textos com palavras cada vez mais complicadas, à medida que a aprendizagem ia evoluindo e as classes também. 
A professora corrigia e, no próprio dia ou no dia seguinte, obrigava a repetir as palavras erradas, dez, vinte, cinquenta vezes, conforme achava que o erro era recorrente ou resultava de distracção pura.
Não fui muito penalizado com estes castigos - presunção e água benta, cada um toma a que quer ou, de outro modo, gaba-te cesto que amanhã vais à vindima - mas lembrei-me disto hoje, quando assistia à conferência habitual da Direcção Geral de Saúde.
Coitada da pobre senhora: todos os dias tem de repetir frases inteiras já ditas e reditas anteriormente.
É mesmo castigo "à antiga".

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Quotidiano

Hoje, o dia fica marcado pela notícia da morte de dois grandes da literatura. 
Rubem Fonseca, um excelente escritor brasileiro, foi vítima de um enfarte do miocárdio, que o levou poucos dias antes de completar a bonita idade de 95 anos.
Luís Sepúlveda foi, aos 70 anos, mais uma vítima do coronavírus. O escritor chileno, que residia em Espanha há muito - a ditadura de Pinochet obrigou-o a abandonar o país -, era grande amigo de Portugal e esteve no Correntes d'Escritas em Fevereiro deste ano, onde participou numa mesa intitulada, curiosamente ou talvez não, "Era uma vez a liberdade".
Fica por aqui o registo do desaparecimento de dois grandes escritores, cujos livros nos continuarão a fazer companhia.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Quotidiano

Ainda não foi hoje que fui à Foz!
As recomendações das autoridades para os grupos de risco, as chamadas de atenção familiares para a minha normal rebeldia, obrigam-me a ser cordato, obediente e educado ou, como se dizia em tempos longínquos de má memória, atento, venerando e obrigado.
Cumpro, respeitosamente, as ordens da senhora Directora Geral de Saúde (não consigo escrever DGS), por entender que é o melhor para todos, incluindo para mim, que pertenço ao grupo de risco, e por entender que a senhora merece ter esta  modesta compensação, pelo enorme esforço que tem feito.
Este mês deve ter sido o mais comprido de toda a sua vida e isso está bem expresso na sua cara, quando, diariamente, nos entra pela casa. É visível o cansaço, que deixa marcas, mas também a paciência de JO que evidencia perante algumas perguntas (im)pertinentes.
Não quero ser ave de mau agoiro, mas estou convencido que, no final, será ela o "guarda-redes". Se não houver golos, não fez mais do que a sua obrigação; se correr mal, via-se logo que ia haver "frango".
Continue a mandar, Doutora Graça Freitas, que quem decide será sempre criticado.
"Os cães ladram e a caravana passa", diz o velho adágio.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Quotidiano

Quando, de manhã, tudo indicava que iria ser mais um dia sensaborão, sem nada para registar ou apelar aos sentidos, eis que, afinal, Abril uma vez mais surpreende.
Ainda não são seis da tarde e o Sol já aqueceu, o vento já soprou, a chuva já molhou (e bem), já relampejou, muito, e trovejou, ainda mais.
Se mais não houvera, já seria suficiente para que o dia não fosse mais um normal da ... quarentena.
Houve mais: o melhor foi ver duas fotografias, lindas, do meu neto mais novo, atentíssimo no regresso às aulas.
Depois disto, tudo o resto é pouco importante mas, ainda assim, li a indignação de Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, contra uma pseudo-análise da TVI sobre o número de infectados no Norte do país,  que tem, na douta opinião do autor, a "população menos educada, mais pobre, envelhecida e concentrada em lares"; o director da estação já veio pedir desculpas pela "enormidade" mas, tenho para mim que o autor deve ser um daqueles iluminados que acham que, após Vila Franca, tudo é provinciano e vive atrás da moita.
Como tinha tempo livre, ainda fui à Culturgest espreitar uma exposição, assisti a um concerto de Chico Buarque, li uma quantas páginas do Adeus às armas, de Ernest Hemingway, e recebi, pelo correio, um livro enviado pelo meu amigo ADS - Uma aventura inquietante, de José Rodrigues Miguéis - numa edição de 1963, que conto ler assim que terminar o referido antes.
E, para que o dia ficasse completo e não fugisse à rotina, tomei o pequeno almoço, conferi a conta do banco, lavei as mãos muitas vezes, vi notícias na TV, li jornais online, almocei, não dormi a sesta, lanchei, resolvi palavras cruzadas e Sudoku do Público e ainda conto jantar.
Bolas!!! Esta vida é muito cansativa e desgastante!

domingo, 12 de abril de 2020

Quotidiano

O momento que vivemos é único nas nossas vidas e deixará marcas para sempre. É um lugar comum mas, dificilmente, mesmo os mais novos deixarão cair no esquecimento um tempo tão marcante e tão inesperado. 
Hoje, Domingo de Páscoa, houve almoço virtual que juntou a família à mesa, cada um em seu recanto, com tudo e sem nada em comum. Daqui por muitos anos, os netos recordarão a escola, o "exílio", o almoço, os chocolates partilhados em rede, as dificuldades com a posição das câmaras para se conseguirem as melhores imagens - não vejo os teus olhos - tudo o que os mais velhos não esperavam que acontecesse e muito menos contavam viver.
Depois de tudo isto bem mastigado e digerido e de ver, uma vez mais, o Papa sozinho na igreja que costuma estar cheia, sento-me na secretária e ligo o computador. 
Vou assistir, em directo, a um espectáculo de Andrea Bocelli, a partir da Catedral de Duomo, em Milão, na vergastada Itália.
Bocelli canta Música pela Esperança e aquilo que, em circunstâncias normais, seria um concerto com igreja cheia, foi, afinal, um cenário onde duas pessoas - cantor e organista -, enormes, se mantiveram a um nível impressionante e a deixarem claro que o homem tem e terá sempre força para resistir às adversidades e seguir em frente, rumo a um futuro que se espera melhor e será sempre diferente.
As pálpebras cerradas de Andrea Bocelli transmitem-nos a confiança de que a luz, um dia destes, vai surgir.

sábado, 11 de abril de 2020

Quotidiano

O confinamento "obriga" a uma maior atenção ao que se passa em casa e no jardim. 
Os olhos estão mais abertos e qualquer alteração salta de imediato.
Os limoeiros estão carregados e a laranjeira cheia de flor. A glicínia já mostra os seus grandes cachos violeta e o seu aroma peculiar começa a sentir-se. As strelitzias mantêm a sua beleza durante todo o ano mas, nesta altura, ainda se apresentam mais bonitas, para não perderem a corrida primaveril. 
O hibisco mantém disputa acesa com a cameleira e as roseiras, embora rindo-se ainda pouco, já vão dando um ar da sua graça, que é muita. 
Mais prosaicos, os tomateiros, a salsa, os coentros, as alfaces, os pimentos e os morangueiros, uns mais do que outros, aprestam-se ou já vão indo para a mesa, para serem saboreados sem companhia, que o tempo não vai para refeições com mais de duas presenças.
O bonsai está entusiasmado e o jasmim já trepa, verdinho, pelo algeroz. Há mais flores, arbustos, árvores de pequeno porte, e a excepção jacarandá, enorme, mas ainda sem flores.
Apesar disto tudo, há surpresas agradáveis, que agora chegam sempre que o Sol aparece. 
As abelhas invadem o escovilhão, limpa-garrafas ou, mais cientificamente, o(a) Callistemon Rigidus. Está lindo, de um vermelho único. As abelhas trabalham nele que nem desalmadas, sugando o pólen das suas flores. Pacíficas, não nos ligam nada, mesmo quando nos encostamos à árvore. Aparecem de repente, assim  que o Sol descobre e abalam tão depressa como chegaram. 
Não faço ideia se estão "domesticadas" por algum apicultor ou se são livres de tutela. Mas que são bem-vindas, são!

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Quotidiano

Não há nada para dizer, não se passa nada, a paisagem mantém-se, o tempo está melhor que ontem, ninguém passeia na rua, os cães não ladram, a caravana não passa, a cidade circunscreve-se ao quintal e a ida ao café ao móvel onde está a máquina caseira. Os contactos virtuais e as respectivas conversas resumem-se ao trivial, como estão, não há novidades, por aqui está tudo bem, felizmente, por enquanto, vá-se lá saber, mas espera-se que não nos/vos aconteça nada, tenham cuidado, distanciem-se, falem ao longe, fechem-se em casa, e os números, que horror, não param de subir, mas nos outros países é bem pior, vejam a Espanha, e a Itália?!, e os Estados Unidos, tanto que o Trump "gozou" com o vírus chinês e agora, olha, até o do Reino Unido, o Boris loirinho, está internado e, no Brasil, viste, a miséria nas favelas, e na Venezuela, a mesma coisa, já há muita gente a passar fome, de certeza, mas tenhamos esperança, tudo vai passar e ficar bem.
O carteiro vem cedo, diz bom dia ao longe e deposita o correio em cima do muro, que não vale a pena colocá-lo na respectiva caixa, se estou ali. Traz a correspondência, pouca, que já lá vai o tempo em que tudo era tratado por carta, até os namoros. Ao dar a volta à motinha, eléctrica, diz que volta amanhã, que é dia da Visão e a da Gazeta.
"O carteiro não tem culpa, é a sua profissão", cantava o Conjunto António Mafra lá pelos idos de sessenta, do século passado, numa canção que viria a ser "roubada" pelo Sérgio Godinho já quase no fim desse mesmo século.