Mostrar mensagens com a etiqueta Coronavírus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Coronavírus. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de março de 2025

Tempos que correm ...

Passaram cinco anos sobre o suplício que foi a pandemia do vírus "Corona"; a guerra na Ucrânia já ultrapassou os três; o conflito israelo-árabe (fica bem, escrito assim) dura há quase oitenta. Por mais que o Papa apele, não parece que alguém o ouça nem que haja alterações, ou melhor, decisões que acabem com este mundo de interesses, hipocrisias e "lata".

Hoje, mais umas centenas de palestinianos foram mortos; um sem número de ucranianos e russos devem ter seguido o mesmo caminho; outros "muitos" pereceram pelo resto do mundo e já nem notícia são.

A ONU e o "nosso" Guterres nem se ouvem, mas continua a haver muita esperança: o cavaleiro russo e o americano da popa amarela "namoraram" mais de duas horas. Foi só ao telefone, claro, mas há muitos casamentos que começam assim ...

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Saúde

Fazer frente aos interesses corporativos instalados acaba sempre da mesma maneira. Via-se, e sabia-se, que era uma questão de tempo.

Marta Temido demitiu-se esta madrugada da função de Ministra da Saúde, tomando a decisão há muito reclamada por opinion makers e por gente que trabalha tanto, mas tanto, e ainda consegue comentar tudo e um par de botas a qualquer momento, fazendo parecer que esse "trabalho" lhe ocupou muito do seu sagrado tempo e lhe vai custar recuperar a perda. É claro que esse sacrifício é pela boa causa de esclarecer o "Zé" que, coitado, continua a precisar de quem o eduque, mastigando-lhe a comida para lhe evitar o trabalho de pensar, acessível apenas a uma meia dúzia de dotados.

Há já muita gente à espera, todos extremamente capazes de fazer bem melhor e mais rápido. António Costa não terá qualquer dificuldade em preencher o lugar e não será contestado, se estiver disponível para escolher alguém que marche ao som da banda e faça a vontade a quem disto sabe a potes e a quem coça sempre para dentro.

Da ex-Ministra da Saúde ficará, para alguns onde me incluo, a recordação da coragem, da dedicação e do empenho, postos na função e na resolução dos problemas gravíssimos que a saúde atravessava e a pandemia agravou. A mulher que mostrou ser forte, mesmo quando as lágrimas caíram.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Macacadas

Cada macaco no seu galho, diz-se quando há atropelos de quem não sabe de determinada poda e palpita sobre a forma como o podador deve cortar os ramos. Não faço ideia se, nos outros países haverá ditados que reflictam o mesmo e se também existem "capelinhas" inacessíveis e determinações fortes sobre quem faz o quê, mesmo quando há outros bem mais habilitados. Por cá, concluo, as fronteiras de cada grupinho são intransponíveis e nem com passaporte se podem passar.

Lembrei-me hoje de um episódio de Dezembro de 2020, por alturas da chegada das vacinas para o coronavírus e que, por aqui, foi comentado de forma sarcástica. Via eu com alguma atenção a última etapa da Volta a Portugal em Bicicleta e eis que surge uma situação em tudo semelhante ao que se tinha passado em 2020 e que, julgava eu na minha inocência, deveria ter sido resolvida com a saída do grande Cabrita.

A segurança e a escolta da Volta foi feita pela GNR, como acontece há muitos, muitos anos, desde que esta força substitui a PVT de má memória. Admitia eu que esse serviço era prestado da primeira à última etapa. Afinal não foi assim. Na última etapa, um contra-relógio disputado entre o Porto e Vila Nova de Gaia, as tarefas passaram para a PSP por ser esta a entidade com "direitos" no espaço urbano, embora sem experiência no assunto, como ficou demostrado. 

A inexperiência, a surpresa ou o deslumbramento com a função, cada uma por si ou todas juntas, fizeram com que a moto de um agente estorvasse a prova de um dos corredores, numa etapa que era decisiva e na qual cada um estava apenas entregue a si próprio. Não teve interferência na classificação final, mas podia ter ...

E a pergunta que salta de imediato, na cabeça de quem nada sabe da poda e não é macaco de galho nenhum é:

- Porque carga de água foi a PSP chamada para uma tarefa desempenhada, e bem, pela GNR?

- Caem os parentes na lama se houver outra força a pisar os caminhos do "quintal" da PSP? 

Cada macaco no seu galho ... 

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Regresso

A última edição do Cistermúsica aconteceu em 2019. Como a tantos outros festivais, espectáculos, concertos e que tais, o coronavírus mandou-o esconder-se e impôs a sua ditadura, obrigando uma pausa de duas edições que, bem feitas as contas, dão três anos de ausência.

Voltou e isso é que é importante. Vai ter espectáculos até 6 de Agosto, com a qualidade a que sempre nos habituou.

Ontem foi uma noite deliciosa, a ver e ouvir um quarteto de cordas da Coreia do Sul - Quarteto Esmé -, com quatro intérpretes de luxo, que encheram a noite no recato do celeiro do Mosteiro.

Até ao final, ainda lá voltaremos pelo menos mais duas vezes, mas o concerto de ontem ficará a fazer parte da memória em lugar especial.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Miscelânea

E se, de repente, o tempo parasse? E alguém coligisse todo o nosso passado e o deixasse parado, sem qualquer hipótese de se emendar, burilar, substituir, omitir, clarificar? Devia ser uma frustação enorme, com muita gente a desesperar pela chegada do dia de amanhã, implorando a santos e santinhos para que isso acontecesse de forma rápida e, se possível, de noite. Apesar de não suceder e os dias passarem inexoravelmente uns a seguir aos outros, há pessoas que não se apercebem disso e continuam a viver, a pensar e a falar como se os automóveis ainda tivessem só três velocidades e a caixa das mesmas não fosse sincronizada.

Por força das Festas da Cidade, esta semana teve o seu início no domingo, com uma excelente participação dos habitantes e também de bastantes forasteiros que nos visitam regularmente e aproveitaram a circunstância para se familiarizarem com o que acontece por cá e com o pouco que vai mudando. Há muitos, muitos anos, a "boca pequena" dizia que eram as "festas do pau caiado", numa referência às bandeiras que eram empoleiradas nas varolas de eucaliptos caiadas de branco. Os pontos altos dessa época eram a abertura do Hospital Termal, a romagem à Rainha das gentes importantes, o desfile musicado dos Bombeiros e a largada de pombos. Desta vez, não houve o habitual concerto que sacudia os tímpanos e obrigava a um esforço grande das cordas vocais, mas aconteceram muitas e variadas organizações, numa tentativa, parece-me que conseguida, de agradar a muita gente. Nas cerimónias oficiais, o actual Presidente da Câmara criticou os antecessores de forma clara e objectiva, e caiu o "Carmo e a Trindade", com muita gente a achar que o momento era de salamaleques e de omissões. Talvez o fim de semana lhes proporcione um bom mergulho na Foz e a água fria lhes lave os neurónios.

Mas há mais vida para além das Caldas. Nesta semana, soubemos que o Primeiro-Ministro irá deslocar-se à Ucrânia, expressando a solidariedade de Portugal para com o país devastado pela invasão russa. A notícia não foi dada pela Agência Lusa, talvez ainda não refeita do ataque informático de que foi vítima. Marcelo Rebelo de Sousa, recordando as suas brilhantes competências de jornalista e comentador, substituiu os profissionais e o próprio António Costa, e deu a "cacha" não como segredo mas em plena conferência, para que nenhum jornal ou televisão se considerasse prejudicado. Há coisas que nunca esquecem ... 

A guerra mantém-se, com o rigor das balas e da destruição a terem bastante similitude com as notícias produzidas ou boatadas. Também o jornalismo atravessa uma fase muito difícil. 

Para culminar uma semana em grande, tudo indica que o coronavírus está longe de se eclipsar, contrariando, decerto por teimosia, todos aqueles que achavam ter pecado por tardio o regresso à normalidade, mesmo não tão normal como se desejaria.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Rotina

Apesar de mais de dois anos passados em pandemia, complementada, nos últimos dois meses, pela entrada, no nosso quotidiano, da invasão da Rússia à Ucrânia, o calendário cumpriu-se e o mês de Maio chegou na altura devida. Abriu as portas ao regresso, tão esperado, do Verão, que nos há-de trazer vitamina D e bons mergulhos para aclarar as ideias, disso tão necessitadas.

Desde o início da pandemia que tem havido, diariamente, qualquer coisa por aqui, na maior parte das vezes insignificante, noutras talvez com algum interesse.

Não vou deixar que "postar" passe a ser uma obrigação, um dever, um objectivo. Já não tenho idade para isso, nem para encarar a vida como um cumprimento de ordens, situação a que nunca me submeti com agrado, embora tivesse acontecido muitas vezes. Agora já é tarde e nada a isso me obriga. Até me pagam o ordenado sem pedirem, muito menos exigirem, nada em troca.

A porta do "diário" vai continuar aberta, vou copiar os Diários, de Miguel Torga - que presunção!!! - e escrever sempre que me apeteça, quando me aprouver, desde que queira, agora ou logo, já ou amanhã, nesta semana ou na outra, sem obrigações, horários, vínculos ou rotinas. 

Teimoso, como sempre, inteiro, como convém.

sábado, 23 de abril de 2022

Premonições

Estamos como o burro do espanhol: agora que já estávamos habituados a usar máscara, veio o decreto que elimina a obrigatoriedade de com ela andar.

Marcelo, com a rapidez do costume, promulgou o decreto que, em consequência, se encontra em vigor. Hoje, talvez por insistência dos jornalistas, o Presidente teve uma conversa "informal" com eles e deu a conhecer que, quase de certeza, as reuniões de Guterres com o "caramelo" que manda na Rússia e quer estender o seu mando como quem estende uma toalha sobre a mesa, e também com o Presidente da Ucrânia invadida, as quais devem acontecer no início da próxima semana, irão ser determinantes para o fim da guerra. Marcelo opinou, quem pode duvidar.

Significa isto que quer a pandemia quer a guerra poderão estar em vias de extinção, tal como o lince da Serra da Malcata? Talvez. Marcelo costuma ser assertivo e antecipar tudo e o seu contrário.

Vamos ver o que acontece nos próximos dias, com a esperança de que, desta vez, Belém acerte em cheio nas duas, promulgação e palpite.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Embirrações

A semana da Páscoa começou hoje e, pelo que se ouve e quer fazer crer, a população deslocar-se-á em massa para os destinos turísticos da moda, nacionais e estrangeiros, aproveitando as merecidas férias a que todos, sem excepção, têm direito. Felizmente que já bem longe vai o tempo em que isso não acontecia, nem por direito quanto mais por falta daquilo com que se compram os melões, ainda hoje. As redes, modernas "catedrais" de notícias, ficarão inundadas com fotos em vestimentas de praia, completadas com as das iguarias saboreadas em restaurantes da moda, de preferência com a companhia de um chef bem conhecido e badalado.

Durante alguns dias, a barbárie da guerra da Ucrânia, a actividade sísmica nos Açores ou os números da pandemia, serão relegados para as notícias pouco importantes, que o lazer pontifica e determina, apesar de, para nenhuma das três referidas, se vislumbrar solução no curto prazo.

António Costa viu o programa do seu governo aprovado e vai apresentar amanhã o orçamento para 2022, o qual, naturalmente, seguirá o mesmo caminho da aprovação, ainda que apareçam mil e uma soluções bem mais milagrosas, oportunas e claras, que não serão tidas em conta.

Em França, Emmanuel Macron e Marine Le Pen irão disputar, a 24 de Abril (data curiosa) a segunda volta das eleições presidenciais francesas, cabendo aos cidadãos daquele país decidirem se há nova inquilina no Eliseu ou se se mantém o actual. Entre les deux, mon couer ne balance pas.

Em resumo, tudo tratado e ... nada resolvido!

quarta-feira, 30 de março de 2022

Livros (lidos ou em vias disso)

Acabei de ler o diário que Gonçalo M. Tavares escreveu, de 23 de Março de 2020 a 20 de Junho do mesmo ano, com entradas diárias sobre a pandemia que assolou o mundo e que, nesta altura, estará em hibernação, porque outros valores mais altos se alevantam. Para além da qualidade, há muito reconhecida, da escrita do autor, é um documento que perdurará para o futuro e para a história.

"20 de Junho de 2020
Diante do acontecimento, ficar atento e em pé

Dia de solstício. O Verão começou este sábado às 22H44.
Dia e biologia cronometrados com este falso rigor.
Podemos falar assim da partida de um foguetão da NASA, mas não das coisas vivas.
Noventa dias, hoje. Diário da Peste, fim.
2020, ano suspenso, nuvem. Nem cai nem sobe.
Ritmo destes diários, corrente eléctrica debaixo do texto.
Por vezes de manhã, outras à noite: uma excitação diante da notícia: notícia como curto-circuito.
Energia primeiro fechada em casa. Mas, se a energia não sai em texto, essa energia torna fraco e demente quem a tem.
Necessidade absoluta, diário.
Diante do acontecimento, ficar atento e em pé.
Força contra o muito mais forte.
Ou estás presente nos dias fortes ou foges. Ou de boca aberta fazes um ohh como som, resposta e pasmo.
Diário da Peste como companheiro nos dias duros e nos dias feitos para ver. Necessidade e tensão.
E tentativa de documento para que a memória bamba deixe um vestígio mais claro.
(...)
Não vai apenas haver um depois disto, mas um grande depois.
Um trágico, leve, pesado, terrível, efusivo, faminto, debochado, perverso, egoísta, incerto, tremido, assustador: um depois que será tudo isto e mais.
Um depois ambíguo, brutal e alegre.

Diário da Peste
Gonçalo M. Tavares

sábado, 26 de março de 2022

Noite curta

Não era suficiente a pandemia, veio a guerra. Agora, temos a actividade sísmica na Ilha de S. Jorge, onde parece que Velas é o sítio mais preocupante. Contraditório. Velas são sempre um elemento de ligação com o Altíssimo, ainda que as de cera tenham diminuído de forma drástica.

Se o cepticismo imperasse, diria que o fim do mundo caminha imparável, ainda a tempo de eu o ver. Não vale a pena ir por aí. Encare-se a desdita e tentemos arranjar soluções para que o amanhã seja melhor, mesmo sabendo que tudo é cada vez mais efémero. Passa à velocidade da luz ou talvez até mais rápido. Muita coisa acontece e nem sequer se dá por isso.

Nas parangonas, a pandemia já se eclipsou. Quando muito, tem direito a uma pequena nota, quase despercebida na página par de um qualquer jornal ou na notícia, breve, que antecede o intervalo para publicidade, nas televisões. A guerra também já está a perder foco, tornando-se repetitiva para quem está longe e para quem com ela sofre. Para estes, a repetição deve doer e muito. Nos Açores, a esperança é que, rapidamente, desapareça das primeiras páginas pelo que está a prever-se e volte a ser notícia pela sua beleza, que é muita, digo eu, por experiência própria naquelas ilhas tão lindas.

A próxima noite tem menos uma hora. Desaparecerá sem deixar rasto e amanhã, os relógios actuais nem precisarão que se pegue na rodinha para acertar. Quando os olhos se abrirem, tudo estará conforme, e a vida continuará como até aqui, sem ninguém se preocupar para onde foi a hora suprimida.

domingo, 20 de março de 2022

Distância

Vieram visitas, lá de longe, do outro lado do Atlântico. 

Há mais de dois anos que não estávamos juntos e havia muito que contar sobre o período "sabático" que o vírus nos obrigou a cumprir. Foi um dia bom, curto para tanto que havia para dizer e desfrutar. 

Para evitar experiências idênticas, espera-se e deseja-se o regresso à normalidade, com saúde e em paz.

Assim o queiram, por um lado, o coronavírus, que não se vê mas sente-se, e, por outro, o micróbio Putin, para o qual a ciência ainda não encontrou um antibiótico que lhe trate da saúde.

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Sem norte

Já passou por aqui, a propósito da desgraça que nos atormenta desde 2020 e que ainda não está completamente debelada, embora pareça ter melhoras significativas. 

Confirmando o ditado de que uma desgraça nunca vem só, o "imperador" do leste europeu resolveu fazer-nos recordar o final da década de 30 do século passado, "brincando" com todos num dislate absurdo e absolutamente maquiavélico. Não se imagina onde iremos chegar nem as consequências que tudo isto acarretará para o futuro e, por isso,

Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Anseios

A pandemia, finalmente, parece ter cumprido a determinação do Presidente da República, transformando-se em endemia, embora com um atraso que devia ser punido. Mas deixemos isso para a justiça, que se encarregará de, em tempo útil, como é costume, determinar a pena que lhe deve ser aplicada ou a absolvição que lhe for devida.

Deixou por cá estragos bastantes para ser recordada como um período bem difícil para todos, velhos e novos, estragos esses que se manterão bem vivos na memória. Foram dois anos de confrontação diária com uma realidade que era desconhecida de toda a gente, que obrigou a alterar procedimentos, contactos, vivências, formas de trabalhar, ritmos. Muitos são os que já cá não estão para recordar o sofrimento e inúmeros aqueles a quem foram deixadas marcas físicas e psicológicas que tardarão a desaparecer.

Confirmando-se, como se espera, estas boas notícias, deseja-se que o conflito latente, que parece iminente e é notícia premente, não se concretize. Que a Rússia não invada a Ucrânia, que a Nato deite água e não gasolina, que os diplomatas façam (bem) o seu trabalho, que as fábricas de material de guerra se reconvertam ou diminuam a produção, que haja juízo nas cabeças de quem detém o poder. 

Sabendo de antemão que o lirismo não resolve nada, era bom que quem detém o poder se lembrasse que apenas o exerce, ou devia exercer, em nome e para o bem de todos.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Será desta?

Parece que sim!

A porta do regresso à vida normal está entreaberta e, de acordo com quem sabe disto, vai abrir-se completamente dentro de pouco tempo. Não escancarar-se, que as correntes de ar são perigosas e podem pôr em risco os móveis, os vidros e tudo o que não esteja devidamente protegido.

Todavia, e porque apenas nos jogos se regressa à casa de partida, a memória retratará muito bem como era, o cérebro terá capacidade para rebobinar a fita ou para pôr a orquestra a tocar a partitura desde o início, mas nada será como dantes porque "ninguém se lava duas vezes nas águas do mesmo rio".

O rio está longe de ser o mesmo (tem chovido pouco) e as pessoas também já se alteraram, ainda que a aparência possa ser idêntica. O tempo, essa coisa indescritível que todos os dias anda sem que possamos ter sobre ela qualquer controlo, deixa marcas difíceis de esquecer e de apagar e traz novidades, alterações, comportamentos sempre diferentes.

De acordo com os especialistas, talvez se esteja agora a aproximar a endemia, anunciada pelo Presidente da República há bastante tempo e que, tudo parece indicar, será a prenda que o Verão nos trará, juntamente com os mergulhos no mar da Foz. 

A ver vamos!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Palpites

Não percebo nada de saúde. Aliás, percebo muito pouco de alguns assuntos e nada da grande maioria, por muito que se diga que a modéstia em demasia é defeito. E não devo ser o único, tanto quanto me indicam as sondagens que faço nas conversas, nos contactos, no dia a dia da vida, e que são muitíssimo mais fiáveis do que as que foram efectuadas sobre os resultados eleitorais.

Apesar disso, vou tendo opinião e procurando manter-me informado, embora as notícias sejam feitas, na sua grande maioria, pela opinião de alguém com quem o repórter, apressadamente, estabelece uma conversação pouco mais que fortuita. 

- Então, a vacina fez muito doer no bracinho?

- Foi decisão dos papás ou tiveste opinião?

- Está à espera há muito tempo?

- E é tudo, por aqui, voltaremos daqui a pouco com mais pormenores.

Uma das notícias importantes de hoje é sobre a existência de muitos milhares de portugueses sem médico de família, situação que se agravará até ao final do ano em consequência da passagem à reforma de cerca de 1.000 médicos dessa especialidade. O tema, presumo, é caro a toda a gente, a começar por mim, tendo sempre presente que a saúde é um bem essencial, que deve ser cuidada e estimada. Não faço a mais pequena ideia de quantos doentes estão afectos a cada médico de família, mas julgo que não seria despiciendo fazer uma investigação jornalística ou, quem sabe, um estudo científico, sobre o trabalho que estes doentes dão, a periodicidade com que se deslocam ao Centro de Saúde, as razões que os levam lá. Seria uma forma de saltarem as necessidades prementes e de avaliar o sacrifício de muitos e o bem estar de alguns.

Talvez houvesse surpresas, quer nos ficheiros considerados activos quer na utilização dos serviços, pelos doentes recenseados. Porém, tudo isto não passa de considerações de um "achista" empedernido, que não tem nada de relevante para fazer, e cujas, elas, as considerações, não têm o mínimo de interesse ou qualquer relevância.

O importante é que Portugal se sagrou bi-campeão europeu de futsal e eu vibrei com o desenrolar do jogo e, mais ainda, com o resultado final: Portugal - 4 / Rússia - 2, ou como estava bem explícito no cartaz de um adepto presente no pavilhão Bagaço > Vodka. Elucidativo ...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Eleições

"Vitória, vitória, acabou-se a história!"

Quem apostou que iria haver um novo governo a meio da legislatura, perdeu. E perdeu bem! 

Numa altura em que todo o país (e o mundo) ainda anda a braços com o malfadado vírus, que tem atazanado a vida a todos e criado problemas que trarão repercussões enormes no futuro, prevaleceu a ideia de que derrubar o governo era criar mais uma pandemia a juntar à outra. E por isso ...

Os portugueses que votaram, bem mais do que nas eleições anteriores, deram uma trepa naqueles que não tiveram calma e correram sem nexo. Não há bela sem senão e, na nova assembleia, sentar-se-ão doze "caramelos" que  lá não pertencem, mas que se há-de fazer ... são os custos do sistema. Não sendo perfeito, é o melhor que se pode arranjar e, confirmou-se uma vez mais, permite punir e premiar, desde que as pessoas se interessem e se dêem ao trabalho de colocar a cruz no sítio certo.

Desta vez, a legislatura deverá durar os quatro anos previstos na lei e depois ... se verá!

domingo, 16 de janeiro de 2022

Burros

Se não fosse a baixa temperatura que se faz sentir, poderia dizer-se que a Primavera estava a chegar, trazendo as flores, o sol, a luz do dia até mais tarde, o prenúncio do Verão e dos banhos de mar, enfim, um sinal de que esta "coisa" que nos acompanha há dois anos poderia estar a tirar bilhete para apanhar algum transporte que a levasse para nenhures, onde se afogasse, sem hipóteses de alguém lhe deitar a mão.

Nada disso. Os números continuam altíssimos e, apesar da dita benignidade da actual variante, os que partem não podem nem são irrelevantes. Apesar de tudo isto, continuam a ter peso os que negam as evidências, que se apresentam como heróis da liberdade e paladinos do discurso do "contra", e que, digo eu sem qualquer base científica, são daqueles que, à mínima dorzita, correm a mata-cavalos para a primeira porta de urgência hospitalar que lhes apareça pela frente, ou de lado, tanto faz.

E não têm um pingo de vergonha de se exibirem, como aquele rapazinho que é só o melhor jogador mundial de ténis da actualidade e deve ter imaginado (ou alguém lhe soprou) que isso do cumprimento das regras é só para os outros, estando as pessoas importantes acima dessas minudências.

Para esta gente, lembro-me sempre de uma frase de uma antiga professora da minha escola:

"Ora valha-lhes um burro aos coices e três aos pontapés" 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Remoinhos

Por este rio acima encontram-se escolhos, pedras, águas revoltas, cachoeiras, pegos, charcas, canas e troncos, pescadores furtivos, outros encartados, num percurso que leva até à foz, onde o rio por vezes espraia, noutras encurta. Fica claro que a nossa influência e o nosso comportamento não são determinantes, ajudam o trajecto, mas não o conseguem controlar totalmente.

Apesar disso, o caminho é e será sempre por este rio acima, nadando com vigor para ultrapassar os remoinhos da vida e usufruir do peixinho fresco que ela, por vezes, também oferece.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Mudanças

Hoje, dia em que me dediquei à actividade social de conviver com três amigos muito chegados ainda que afastados, num almoço que não foi lauto na quantidade, por opção própria, mas foi grandioso em conversas, recordações, futuro, crise, opinião, tudo o que está presente quando nos encontramos, assim que é dado "o tiro de partida".

A porcaria do bicho tem tirado a possibilidade do convívio, do diálogo, de ver, de abraçar, criando sensações estranhas e dificuldades no reconhecimento e resumindo tudo às redes ditas sociais e às notícias, sempre de última hora. 

Um dos convivas, dizia-me, a dada altura:

- Já reparaste que as conversas de agora são, na sua maioria, réplicas do que ouvem na televisão? Parece que cada vez há menos gente a pensar e a ter ideias ...

Retorqui:

- Se calhar somos nós que já não entendemos os novos tempos, que elaboramos muito, talvez demais ...

E é capaz de ser!  A velocidade da vida de hoje é supersónica, mesmo em teletrabalho. A vertigem do dedo no telemóvel faz com que as notícias sejam como a pescada: antes de o ser já o era.

No regresso, o encontro com um outro amigo que, mascarado, não foi reconhecido e teve a inversa também verdadeira. Queria tratar de um assunto com um dos convivas e, deste, ouvi:

- Estás bom, Zé V.?

Como é possível não nos havermos reconhecido mutuamente? Lá nos justificámos, com a desculpa da máscara e do tempo passado desde a última vez em que nos tínhamos encontrado.

- Há mais de dois anos que não nos víamos ...

Era verdade, mas em circunstâncias normais e noutros tempos, a cinquenta metros já estaríamos a levantar a mão um para o outro.

Mudou tudo!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Careca

Mais uma ida ao barbeiro, ou melhor, à Barber Shop, para o corte regular que os cabelos necessitam. Agora, com a marcação antecipada, até o tempo de espera desapareceu. A cadeira, desinfectada, como ele faz questão de referir, aguarda-me.

- É o costume, claro.

A pergunta já tem muitos anos, a resposta é sempre sim, o trabalho é cada vez mais reduzido. A careca, que o espelho estrategicamente suportado pela mão do barbeiro projecta no frontal, é cada vez maior. O que falta naquela área já devia dar lugar a desconto ...

- Hoje não falamos do nosso Benfica. Já estamos quase como os de Alvalade: para o ano é que é!

As máscaras de um e outro não permitem que a conversa flua com naturalidade. Torna-se fastidiosa, cansativa, as palavras têm dificuldade em sair, parece até que as ideias se atropelam e optam por se esconderem nos interstícios do cérebro, com o medo a reduzir-lhes o discernimento.

- Tantos infectados ... eu já me convenci que, mais dia menos dia, me vai calhar. A lidar com tanta gente ...

- Pois ...

- Ainda ontem cortei o cabelo a um cliente, que tem 74 anos, e já apanhou duas vezes. Desta segunda, segundo ele, foi parecido com uma gripe, mas da primeira viu-se aflito. E já tinha as vacinas todas.

Serviço terminado. Regresso a casa, seguindo o conselho/solução da "bióloga" do vídeo que o meu amigo ADS me enviou.