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segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Medo

Dizia-me ontem um amigo com quem não estava há largos meses:

- Mal saio de casa. Tenho medo. Vou ao supermercado logo pela manhã e tento despachar-me depressa. Nem à praia venho ... calhou hoje, mas vou embora não tarda nada. Está a chegar muita gente.

Medo. Apesar do tempo decorrido, do número de pessoas já vacinadas, de as notícias transmitirem um pouco mais de esperança, continua a ser a palavra mais presente, mesmo quando não é pronunciada. O que se tem passado deixa marcas, obriga a questionamento, transmite insegurança, deixa dúvidas permanentes, e termina sempre com "E se?".

Vive-se um tempo difícil, que faz perder a paciência, se é que ela ainda se encontra por aí. Exasperamo-nos com as esperas, não tiramos os olhos de quem tem por missão desinfectar, receamos pegar no correio que o carteiro nos estende, aproveitando bem o comprimento do braço, duvidamos que a mão do empregado não tenha tocado na chávena. E a inversa, tal como na matemática, também é verdadeira. Será que este tipo não estará?

Há medo do vírus corporal e do informático, há medo das fraudes, dos contactos, do trânsito, do calor e do frio, do vento e da chuva, há medo dos fogos e do polícia, de tudo e de nada, transformando-nos em medricas, hipocondríacos, opinativos, "achistas", "melgas", egoístas, parvos, estúpidos, convencidos, cheios de certezas absolutas e de ausência de dúvidas.

- Eu não tenho dúvida nenhuma de que ...

Até quando? A ver vamos ... 

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Medo

O ciclo das estações do ano não deveria estar dependente do calendário da natureza e sim das necessidades dos seres humanos, em função das variações do seu estado de espírito.
Nesta altura, em que a Primavera já poderia estar bem instalada e a anunciar o Verão, aparecem uns sinais invernosos, que acabam por acentuar a depressão, o mau humor, a tristeza, e o pessimismo que, diariamente, vamos encontrando nas pessoas com quem se conversa um pouco.
Os comerciantes lamentam a diminuição das vendas e culpam as grandes superfícies, catedrais do consumo; os industriais queixam-se da concorrência desleal da China e do Leste e da falta de rumo do país; os empregados por conta de outrém vão pagando os impostos, o carro e a casa e constatam que o seu emprego é, cada vez mais, um estado de graça que pode terminar a qualquer momento. Verificam, ainda, que o aumento da taxa de juro se vai fazendo convidado regular nas suas refeições e se prepara para se tornar hóspede definitivo e comilão.
Entretanto, na Visão desta semana, o filósofo José Gil, termina o seu ensaio sobre o medo da seguinte forma:
"... O medo encolhe os cérebros, reduz o espírito, fecha os corpos. Está-se a formar um clima de medo. E o medo tem a particularidade de alastrar. Ao medo social de perder o emprego, de não subir na carreira, de perder as pensões, de não aguentar tanta pressão e constrangimento em tantos domínios, junta-se agora o medo de protestar, de falar, de se exprimir. O medo social está a tornar-se político: tem-se medo do Governo, e, talvez, um dia, do primeiro-ministro."
As encruzilhadas apresentam sempre vários caminhos alternativos, mas o retrocesso nunca será o futuro!