quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Holocausto

No dia em que perfazem 66 anos sobre a libertação

de Auschwitz, uma foto para que a memória do

extermínio se mantenha viva e uma outra para que a

imagem dos carrascos se não apague.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Decisão

No interior do Silêncio, o Tempo e o Modo, cada qual em seu canto, reflectem sobre a interferência que têm no quotidiano de todos e sobre a forma como cada um condiciona a Vida.
Narcísicos, ambos acham que a influência exercida só se deve a ele próprio, sendo o outro um mero jarro decorador da mesa da Decisão.
O Tempo considera que o instante da Decisão é determinante para a sua eficácia ou para o respectivo insucesso, sendo irrelevante o modo como é executada.
Pela inversa, o Modo acha que o êxito de qualquer Decisão depende, sempre e exclusivamente, da forma como se processa a execução e nunca do instante em que a mesma acontece.
Por telepatia, transmissão de pensamento, interferência de ondas rádio, troca de olhares ou qualquer outra razão que a razão desconhece, ambos concluíram que os seus pensamentos versavam o mesmo assunto - a suprema importância de cada um na sociedade.
Por terem constatado uma evidência destas e por ambos considerarem que o outro era apenas um pequeno grão sem qualquer relevo, resolveram dar voz aos pensamentos e a discussão instalou-se. Do interior do Silêncio surgiu uma vozearia incomum, com cada um argumentando não com o discernimento das ideias mas com o ruído das palavras. 
O Silêncio alterou-se, aborreceu-se, toldou-se, zangou-se, desinteressou-se, e partiu. Apesar da experiência ancestral, mesmo o Silêncio acabou por perder a paciência e deixou de ouvir, muito embora o volume dos berros com que o Tempo e o Modo prosseguiam a discussão fosse elevadíssimo. As cordas vocais das duas personalidades perderam a vibração musical e o aumento dos decibéis atingiu tais proporções que, apesar de já se encontrar bastante afastado, o Silêncio ainda sentia os tímpanos massacrados com o ruído produzido.
Como era de esperar, a discussão nestes termos não produziu qualquer luz, esclarecimento ou ideia. O narcisismo impediu que quer o Tempo quer o Modo percebessem que a Decisão só é boa e eficaz quando se consegue que o todo seja superior à mera soma das partes, por mais importante que cada uma seja.
O Silêncio partiu e parece pouco disposto a voltar a autorizar que o Tempo e o Modo utilizem o seu interior para reflectir.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A crise e a realidade (com ironia)

Meia dúzia de "energúmenos", que tinham acabado de participar numa manifestação contra aquilo que, todos o reconhecem, tem que ser feito para conseguir manter o país em condições de nos alimentar a todos (?), resolveram abandonar a "manif" utilizando uma rua pública que estava interdita por determinação da autoridade. 
A PSP, de forma delicada e utilizando toda a meiguice que as palavras permitem nestas ocasiões, pediu, encarecidamente, que desistissem dos seus intentos e não forçassem a passagem por a dita rua. 
Apesar dos meigos pedidos, alguns "energúmenos" insistiram e, sem que nada o justificasse, avançaram por sobre os bastões, fazendo-se agredir sem qualquer respeito pela liberdade dos bastões. Refira-se que as forças da ordem os haviam trazido para a rua apenas para apanharem um pouco de ar puro.
Perante esta desobediência, foram feitas algumas detenções e os detidos terão de explicar amanhã, em Tribunal, as razões que os levaram a agredir os pobres bastões indefesos. 

sábado, 15 de janeiro de 2011

Fernão Capelo Gaivota

Li o livro, vi o filme, tenho o disco (em vinil). Hoje lembrei-me (associação de ideias ?) e fui ao "arquivo" da Net.
Encontrei e, quase 40 anos passados, recordei o sonho, a vontade, o desafio, a luta, a incompreensão ... Há coisas que são eternas!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Palavras bonitas

LETREIRO

Porque não sei mentir,
não vos engano;
Nasci subversivo.
A começar em mim - meu principal motivo
de insatisfação -,
Diante de qualquer adoração,
ajuízo.
Não me sei conformar.
E saio, antes de entrar,
de cada paraíso.
Miguel Torga
Orfeu rebelde

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Palavras bonitas e a pintura

OLHOS DE SERPENTE

Os teus olhos de serpente
são os únicos representantes
da tua formosura oh linda
o teu cabelo serve de cortina
para te cobrires para que
não te descubra, amor
mas eu vou abrir a tal cortina;
És muito bonita que até
as borboletas te conhecem
e dizem que roubaste a beleza
da rainha borboleta, amor
e então que encantas tanto, amor.
Esses olhos são para mim
luzes para zigue-zagues caminhos
dás-me a mão para que eu não caia
tragas a tua beleza toda para
os passos da minha vida, amor.
Malangatana
24 poemas  e outros inéditos
ISPA - 2004

A "doença prolongada" levou mais um grande nome da cultura, ontem, no Porto.
Malangana foi um grande pintor moçambicano, com ligações profundas a Portugal e também às Caldas da Rainha, onde realizou, que me recorde, duas exposições na Casa da Cultura. Nessa altura, ofereceu algumas obras que farão parte do espólio da Casa da Cultura (onde quer que ele esteja), com excepção de um pequeno quadro a tinta da china, que pode ser visto na sede dos Pimpões.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Rotinas

Chegou o Ano Novo, que trouxe consigo as rotineiras formulações de votos para que haja muita saúde, paz, harmonia; que as guerras acabem, que a fome desapareça, que aconteça mais solidariedade, que as pessoas se entendam. As mensagens chegam pelas mais diversas vias: SMS, correio electrónico, de viva voz, nos discursos do poder e no poder das entrevistas, etc, etc..
Apesar da sinceridade destes votos não dever, na sua grande maioria, ser posta em dúvida, daqui a doze meses estaremos a fazer o balanço e, infelizmente, iremos encontrar um aumento do desemprego, do número de pessoas para quem a fome é visita de casa, dos que não têm casa nem sequer para essa visita, das convulsões sociais e, inevitavelmente, da criminalidade.
Cá estaremos para constatar a evolução e o comportamento de 2011 para, quando ele partir, lhe cobrarmos o que não nos deu e perspectivarmos, de novo, um 2012 cheio de paz, harmonia, solidariedade e progresso.
Valha-nos a rotina da Foz, que continua e continuará bonita e a convidar para um mergulho, que a falta de coragem não deixou, hoje, concretizar.