Comemoração? Nada melhor do que o "retrato" desse trabalhador incansável que, vinte e quatro horas por dia (mais a noite, diria ele) não se cansa de contribuir para a melhoria do (seu) mundo.
A arte de António, no Expresso de hoje!
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
Comemoração? Nada melhor do que o "retrato" desse trabalhador incansável que, vinte e quatro horas por dia (mais a noite, diria ele) não se cansa de contribuir para a melhoria do (seu) mundo.
A arte de António, no Expresso de hoje!
Tenho a "autoridade" de quem o compra e lê, em papel, desde o longínquo ano de 1973. Só por isso, o Expresso deve perdoar-me o continuado abuso de alguns dos seus conteúdos.
Hoje não resisti a transcrever "meia dúzia" de linhas da excelente crónica de Miguel Sousa Tavares (passou a quinzenal, o que lamento) e a partilhar o cartoon de António, brilhante, como sempre.
"O que une um governante, uns banqueiros e uns bispos?
(...) uma guerra, levada ao Iraque, ilegítima, à revelia da ONU e com pretextos inventados e provas falsificadas, que Durão Barroso declarou autênticas. Mas talvez na era contemporânea, nunca a nossa diplomacia tenha descido tão baixo como agora, em que as Lajes servem de tapete voador sobre o qual nos curvamos à passagem dos aviões e drones do louco perigoso que governa os Estados Unidos e que levou ao Irão uma guerra sem sombra de legitimidade e até de estratégia política e militar, e, por arrasto, ao mundo inteiro. Hoje, graças à diplomacia de Luís Montenegro e Paulo Rangel, tenho vergonha de ser português e só me consolo um pouco pensando que quem só faz o que sabe não é inteiramente responsável por toda a ignorância que carrega.
Porém, não se trata apenas de política ou de diplomacia. Trata-se também da segurança nacional. Colocando Portugal na primeira linha de apoio à linha da frente desta demência trumpiana-israelita, o Governo coloca-nos também na posição de alvo legítimo e natural de represálias iranianas. É possível que preclaro presidente do Governo Regional dos Açores ainda não tenha visto o assunto a esta luz e por isso declara não ter opinião sobre a legitimidade desta guerra e do apoio que lhe estamos a dar, preferindo, diz ele, confiar na justeza da decisão do Governo da República e do seu próprio partido. O homem ouve o desvairado narciso americano dizer que vai varrer uma civilização milenar numa noite, levando-a de volta à Idade da Pedra (pelo método Hiroxima-Nagasáqui, supõe-se), e não tem opinião sobre o assunto. Mas quando interrogado sobre se o nosso "aliado" americano não deveria ao menos pagar uns tostões, ou uns <<peanuts>>, pela utilização das Lajes, aí já José Manuel Bolieiro tem opinião própria e pronta. Sim, declara ele, atendendo à importância que agora se voltou a confirmar da Base das Lajes para as guerras dos Estados Unidos deste lado do mar, seria justo que, tal como sucedeu no passado, eles pagassem alguma coisa ... aos Açores. Ou seja, entendamo-lo: princípios, ele não tem nem o incomodam; mas uma esmolinha nunca fez mal a ninguém.(...)"
A bola não rebenta e o jogo continua, retrata, com a qualidade de sempre, o cartoon de António no Expresso de hoje.
O Teatro, que hoje comemora o seu Dia Mundial, traz a lucidez que os líderes mundiais deviam ter para conseguirem dominar aquelas farripas loirinhas que enfeitam a cabecinha louca do homem da melena.
No Expresso de hoje, a arte elucidativa de António. A culpa das asneiras é do martelo ...
Lembro-me bem do número 1!
Era um jovem, em vésperas de ingressar no serviço militar obrigatório e, naquele sábado de 1973 (6 de Janeiro) cumpri o ritual de mais um dia de trabalho - a semana tinha seis dias. Fui ao Banco Lisboa & Açores (os bancos estavam abertos ao sábado de manhã), ali na Rua das Montras, cumprimentei o Sr. Mendonça, entreguei os cheques (o Multibanco nem em sonhos) e recebi o dinheiro necessário ao pagamento das jornas, com variedade de notas e moedas para que fosse possível pagar certinho o "enorme" salário semanal a cada um dos jornaleiros da quinta.
Não recordo se estava frio ou chuva. Nesse tempo, as condições climatéricas não incomodavam nem impediam nada. Olha agora ...
Depois do banco e antes do regresso ao escritório, passei pela Jornália, pesquisei no fundo do bolso, retirei a moeda de 5$00 e comprei aquele jornal novo, enorme, com uma manchete bem sugestiva e premonitória: "63% dos portugueses nunca votaram". Eu era um deles ...
O hábito, ou o vício, nunca mais se perdeu. Hoje, como sempre, comprei o exemplar desta semana, mantendo-me fiel ao papel - velho teimoso!
O jornal tem muitas diferenças: custou 5,50 € (em 1973 seriam mais de 1.100 escudos ou, utilizando a linguagem da época, mais de um conto e cem); as páginas já não são tão grandes, mas o peso é bastante superior; vem num saco de papel, que dá muito jeito, e a tinta já não suja as mãos; nesta semana (e nas próximas três) traz uma antologia da Lírica de Camões, fazendo jus às preocupações culturais que sempre teve e mantém.
E, na página 3, lá surge mais um brilhante "retrato" saído das mãos de António:
Tempos houve em que a saída acontecia aos sábados, primeiro dia do merecido fim de semana para quem trabalhava. Agora, que o ócio é o grande ocupante dos tempos, "sai o sábado à sexta-feira" e o Expresso chega, sempre a tempo, ainda que com muita coisa já lida e digerida no formato digital. É a actualidade ... actual e sempre em actualização. O exemplar que, semanalmente, entra em casa, é o único recebido no posto de venda onde me "abasteço". A teimosia ainda vai imperando.
O cartoon de António só é desvendado na edição semanal. É sempre uma delícia ... actual!
Preparemo-nos, afincadamente, para o curso intensivo de modas e bordados que a China se prepara, com toda a calma e paciência, para ministrar a todo o mundo, sem necessidade de matrícula nem de propinas.
No Expresso desta semana, como sempre, o cartoon de António põe o dedo na ferida ...
No início da próxima semana, mais propriamente logo na segunda-feira, "comemoram-se" três anos da invasão da Ucrânia pela Rússia.
Daqui a 80 anos talvez se consiga fazer a história do que motivou a barbárie, quantificar os muitos milhares que morreram e clarificar os interesses de alguns que destruíram a vida de muitos.
Mau de mais para se encontrar um pingo de racionalidade, com a paz a ser, agora, determinada pelo alucinado da poupa amarela, em conjunto com o candidato a "czar" do século XXI.
Valha-nos a subtileza de António, em mais um excelente cartoon, no Expresso desta semana.
Chapéus há muitos!
A clareza, a beleza, a actualidade e o "risco" do cartonista António, no Expresso desta semana.
... se dizem coisas sérias, quando se tem capacidade!
Se mais não houvera, o Expresso valeria sempre pela arte de António.