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sábado, 19 de fevereiro de 2022

Pimpões

Os Pimpões comemoram hoje oitenta e quatro anos de actividade ininterrupta, em prol da instrução e recreio, como está bem explícito na sua designação. Durante toda esta caminhada, a Associação tem sabido adaptar-se sempre às novas necessidades dos seus sócios, continuando a desenvolver actividades importantes e necessariamente diferentes daquelas com que se iniciou.

Hoje já não há educação de adultos nem teatro para ocupação dos tempos livres, nem bailes que divertissem quem tão poucos motivos tinha para isso. A natação e o basquetebol são as grandes áreas no desporto, e a escola de dança o referencial na cultura.

Fui dirigente daquela casa durante cerca de 15 anos, dos melhores que recordo da minha vida. Deixei lá bastante de mim, julgo, mas aprendi muito mais. Do teatro à música, da pintura ao bailado, da gestão às relações humanas, do desporto à diversão. Conheci muita gente, alguns sem o mínimo de interesse enquanto pessoas, bastantes que recordo muito e bem. 

Foi lá que os meus filhos aprenderam a nadar, muito bem, diga-se, para que conste. A filha fez competição federada, o filho preferiu outra modalidade. Os netos também por lá andam, em busca da perfeição natatória. Dois deles já competem e o mais velho tem conseguido óptimos resultados, culminados com a chamada à selecção nacional da sua categoria.

Ainda hoje é nos Pimpões que vou dando as minhas braçadas, para tentar evitar um mais rápido anquilosamento do físico. Logo à noite, estarei a assistir à festa de aniversário, com o maior prazer.

Longa vida a uma Associação tão antiga e tão dinâmica, e os votos de que se mantenha sempre em actualização permanente, sem subserviências nem sobrancerias.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Gavetas

As gavetas das secretárias são, por norma, um poço sem fundo. Podem estar a abarrotar mas cabe sempre mais um papel, que se guarda, na certeza de que não será necessário e com a convicção de que pode vir a ser preciso.

Ainda não foi tudo destruído, mas já "marchou" muito lixo! Surgiram recordações pessoais, profissionais, de amigos, engraçadas, tristes, umas que foi difícil lembrar, outras que abriram logo a porta da memória.

De entre os muitos papéis que vão permanecer até que alguém, mais corajoso, lhes dê o destino devido, surgiram uns versos de "pé quebrado", feitos em 1991, para integrarem uma revista levada à cena nos Pimpões. Já não recordava nada daquilo e, confesso, senti alguma nostalgia que os trinta anos passados trouxeram à tona.

Se à noite TV não vejo 
Já não durmo descansado
Saindo, embora, o bocejo
Eu nunca perco o ensejo
De mirar aquele quadrado.
Vivo contente e feliz
Pelo menos até pró ano
Vejo o primeiro do Moniz
E o dois do Adriano!

Quando chego, é a rodinha 
do Herman, que sensação!
Com sua amiga Rutinha
Lá vai ganhando a vidinha
e gozando, o malandrão!
Depois, para m'actualizar
As notícias eu escuto.
São formas do verbo armar
São artes de guerrear
E é mais gente de luto!

Há guerra lá para o leste
Há fome na parte sul
No Biafra foi a peste
Houve revolta a sueste
Só aqui é tudo azul!
Sim, porque cá no cantinho
De novo, nada acontece
Em S. Bento há Cavaquinho
O Mário está bem gordinho
E o Álvaro não envelhece!

Telejornal terminado
Preparo olho e ouvido
Pra um prato recheado
De tudo o que é enlatado
E nos vai ser impingido!
Mas o Cavaco que olha
Por mim e por toda a gente
Acaba de fazer a escolha:
(Quase qu'ia dando trolha)
Vai haver TV diferente!

Não há fome sem fartura
Diz o povo em sua crença
Houve bastante soltura
Combinações de postura
Chuchou no dedo o Proença!
E eu contente e feliz
Agradeço a decisão
Já não é só o Moniz
Vou ter também Balsemão!

Que Deus me salve e proteja
(Não, não me levem a mal)
Que reze pela Merdaleja
Pra na TV da Igreja
Poder ver o Pantanal!
Oh! Não estão bem aferidos 
Os alqueires da minha mona
Se o Império dos Sentidos
Pôs padres, bispos, cabidos
A andarem numa fona,
Queria eu, um mortal,
Ver na TV da Igreja
As brasas do Pantanal! 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Pimpões

Passam hoje 70 anos sobre a data em que seis jovens, na época, deram vida à Sociedade de Instrução e Recreio "Os Pimpões", nascimento do que viria a ser (e é) uma Associação de referência no panorama do associativismo citadino, regional e, até, por que não dizê-lo, nacional.

Fundada entre as duas grandes guerras, num período dos mais duros da ditadura e em plena guerra civil espanhola, a tudo resistiu, mantendo uma actividade ininterrupta até aos nossos dias, em prol da cultura, do desporto e do lazer, instalada num bairro de classes trabalhadoras que a ela dedicaram muito do seu tempo livre e das suas capacidades.

Hoje, com o advento dos novos tempos em que o tempo cada vez se torna mais ínfimo, a vivência dos Pimpões é outra e o seu futuro, como o passado, ter-se-á que adaptar às novas exigências, aos novos paradigmas, à nova forma de cada um e de todos, sempre com a preocupação, sábia de antanho, de que, juntos, conseguimos sempre mais e melhor do que sozinhos.

Os laços, fortes, que me ligam a esta grande casa obrigam-me a registar a efeméride e a desejar que o futuro lhe seja risonho, próspero e, sobretudo, tão digno como o foram os setenta anos já vividos.