Mostrar mensagens com a etiqueta Nobel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nobel. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Nobel da Literatura

Pôs-se a Caminho ...

Na Viagem a Portugal ter-se-á Levantado do Chão na Jangada de Pedra nascida no Ano da Morte de Ricardo Reis, Todos os Nomes ensaiados com Lucidez, para o Homem Duplicado pregar O Evangelho segundo Jesus Cristo, utilizando O Memorial do Convento para dissertar sobre As Intermitências da Morte.

Na Terra do Pecado dirá os Poemas Possíveis Deste Mundo e do Outro, como se fossem A Bagagem do Viajante escrita segundo o Manual de Pintura e Caligrafia e contando a História do Cerco de Lisboa.

Hoje é dia de Saramago lançar As pequenas memórias, que as grandes já por cá estavam nos Cadernos.

São oitenta e quatro anos de uma vida cheia, um Objecto quase fidedigno da história das últimas décadas de Portugal, com Provavelmente alegria da missão cumprida.

Parabéns, Saramago, com a Cegueira de quem gosta da obra.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quotidiano

Num dia que começou atribulado, com pouco mais de oitenta quilómetros percorridos em quase três horas, por uma auto-estrada com obras que nunca mais terminam, com a chuva a misturar-se com o pó e a fazer uma estranha "papa" que alimenta os acidentes, com o "senhor" do rádio a dizer que o trânsito está parado no IC 19, no nó de Frielas, na A5, no viaduto do Feijó, etc.,  e a recomendar aos "senhores" condutores que conduzam com a máxima precaução (necessária para não dar um toque no da frente, quando se distende, por momentos, o pé que está no travão), segue um número inacreditável de veículos a passo de caracol.

No final da jornada, cansativa e longa, a mesma dança, com a chegada a casa atrasada com mais acidentes, numa altura em que a noite, sem ser ainda velha, já tinha passado há muito a adolescência.

Valha-nos ser quinta-feira, dia em que Vargas Llosa foi distinguido com o Nobel da Literatura, prémio que ainda não foi desta que contemplou António Lobo Antunes. Talvez seja melhor assim, não fosse dar-se o caso de o marketing do Nobel tirar o tempo ao nosso escritor para nos oferecer os, como ele diz, nossos livros - entregar-nos-á outro ainda este mês - e as crónicas com que, quinzenalmente, nos delicia na Visão. A desta semana, conta a história de um cabo ferrador que cumpriu serviço militar em Chaves e termina assim:

" (...) - Tenho dormido num degrau, sabia?

levantou-se da cadeira e foi-se embora, aposto que sem pensar em Chaves, nos montes, nas gajas, todo inteiro no interior de uma incomodidade com picos que o atormentavam, o filho morto em criança, a mulher ida com um caixeiro viajante, os duzentos euros, a sopinha. Mas havia de acabar por animar-se

- Isto já passa amigo

porque não há azares que um cabo ferrador como deve ser não aguente, em sentido para o toque a silêncio, que nos mexe a todos por dentro e é o mais bonito que existe."

sábado, 19 de junho de 2010

José Saramago

Faleceu ontem o único (até agora) Prémio Nobel da Literatura Portuguesa.

Polémico, suscitou paixões e ódios, quase sempre exacerbados. Deve ter sido dos poucos escritores que teve o privilégio de ser criticado por muita gente que dele não leu uma linha.

Um grande escritor, que se tornou conhecido já na fase madura da vida, à custa de uma grande ousadia, uma enorme vontade, um conhecimento profundo das suas capacidades e, de certeza, muito trabalho.

Daqui a 100 anos ainda será lido com o fascínio que os grandes sempre despertam.

"É bem certo que o difícil não é viver com as pessoas, o difícil é compreendê-las, disse o médico"
 
Ensaio sobre a cegueira
José Saramago
Caminho (1995)