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quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Passou ...

Foram horas infindas de argumentação, discussão, palração, frustação, má educação, vozes de jumento ... mas já há Orçamento.

Agora é só esperar, sentado, a sua aplicação. Mas só a partir do Ano Novo, para que haja Natal descansado, sem matemática e finanças por perto.

sábado, 12 de outubro de 2024

Orçamento

Como é anualmente costume, tenho andado assoberbado desde meados de Setembro, após, como a maior parte da população, ter recuperado das canseiras do querido mês de Agosto, traduzidas nas férias de sonho vertidas e bem ilustradas nas redes. As caminhadas pelos areais algarvios (ou das Caraíbas), as braçadas no oceano tranquilo e as noitadas de farra, têm de ser compensadas. Embora habituais, dão muito trabalho e carecem de recuperação ...

Elaborar o orçamento para o ano seguinte é uma tarefa ciclópica e exigente, comum a todos os mortais e também a quem o não é. Primeiro há necessidade de elencar as despesas, todas, que vão ser efectuadas durante os doze meses seguintes ao Natal: a luz, a água, os telefones, a televisão e a net, o gás, a gasolina, a alimentação, do arroz às batatas, das alfaces aos pimentos, os impostos, os cafés e os bolinhos, as viagens e a saúde, tudo isto ordenado alfabeticamente de modo a ser fácil detectar as falhas, na revisão imprescindível. E não adianta olhar para a lista do ano anterior, porque tudo muda!

Depois desta trabalheira, é forçoso quantificar - orçamentos são números -, tarefa hoje bem mais facilitada, com o recurso ao Excel e à sua vertiginosa facilidade de fazer contas, sempre certas.

Obtido o total das despesas, a tarefa seguinte é bem mais simples. Afinal, só um tipo de receitas, o que torna o trabalho facílimo. Coloca-se na tabela o valor mensal e as fórmulas previamente explicitadas fazem saltar o total da receita e o resultado. Negativo, défice, vermelho, não é possível!

E agora? Corto nos tomates ou na gasolina? Aumento a receita para o saldo ser nulo ou diminuo os canais da TV para obter um saldinho positivo? Faço desaparecer a compra de livros ou omito  a necessidade de mudar o óleo aos carros?

Fica assim! Ninguém vai ler isto na íntegra e muito menos analisar ao pormenor. Ainda por cima, nem se nota que as contas foram mal feitas e que se vai gastar mais do que se recebe.

Para quê preocupações: paga-se com o cartão e nem se dá por isso!

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Futuro

Já está aprovado, na generalidade, o Orçamento de Estado para o ano de 2023, estando, por isso, garantido que todos os problemas serão resolvidos ou que todos serão agravados, consoante a perspectiva e o posicionamento político dos deputados sentados na AR. 

Nenhum dos lados da barricada pode garantir que as previsões sairão certas ou erradas, sendo que o mais provável é ninguém acertar. Os orçamentos assentam, todos, em previsões que, no caso do OE, suportam opções políticas. Em teoria, serão objecto de concretização no ano a que se referem. 

Se já é difícil, ou até impossível, acertar em circunstâncias normais, a actual conjuntura garante, sem margem para quaisquer dúvidas, que só um bambúrrio fará com que os números e as políticas explicitadas venham a corresponder à realidade conseguida.

A economia de guerra que parece estar (ou já está) a caminho e o aumento das taxas de juro hoje anunciado pelo Banco Central Europeu - apesar do comentário contrário à decisão logo feito pelo nosso sempre atento e opinioso Presidente - parecem indiciar que o mar vai estar encapelado e que não irá ser fácil nadar nas marés fortes que, inevitavelmente, surgirão no próximo ano.

Fica a esperança (há sempre esperança) que as "cabeças" europeias tenham capacidade de análise e de decisão, e que os interesses de todos se sobreponham aos de cada um. Aos políticos europeus, que estarão conscientes de que não há dois países iguais, cabe a responsabilidade de impedirem a ruptura e a obrigação de segurarem a Europa unida na diversidade.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Orçamento

O documento com as previsões orçamentais para 2023 foi hoje entregue na Assembleia da República, cumprindo, à risca, o prazo legalmente fixado para o efeito. Ficou, assim, desvendado o segredo, com a entrega da pen onde se fixa tudo. Longe vão os tempos das inúmeras páginas em papel, que os recepcionistas tinham dificuldade em manusear. Também desaparece a ansiedade do Presidente da República a qual, na sua idade, não é nada recomendável. Evaporam-se as adivinhações que por aí proliferaram e as opiniões sobre o desconhecido que foram sendo emitidas.

Lá para Janeiro de 2024 já se terá uma ideia, mais ou menos clara, sobre se a "adivinhação" correspondeu à realidade ou se foram "palpites" que pouco se ajustaram à realidade. Essas eventuais divergências já não preocuparão ninguém e muito menos levarão a extensos comentários ou opiniões. Barco parado não faz viagem e, por essa altura, já estará em vigor o OGE para 2024, que terá dado a celeuma do costume em finais de Setembro, princípios de Outubro de 2023, e nos dias subsequentes. 

Entretanto, as notícias de Leste não são nada animadoras e, aos olhos de quem, pelo menos por enquanto, está bem longe do conflito real, as nuvens adensam-se e a eminência de mais trovoada acentua-se.

Pergunta-se: as despesas que todos os países têm suportado estavam previstas e devidamente orçamentadas? Resposta: não sejas idiota. Podem sempre fazer-se orçamentos rectificativos, que legalizem os erros do prognóstico.

Há sempre um testo para uma panela. Clarinho como água!

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Orçamento

Passa, não passa, talvez sim, talvez não, pode haver crise ou não. Sim ou não, eis a questão.

Marcelo, avisa, Costa, adverte, Jerónimo, lembra, Catarina, ralha, Francisco, diz não e Rio, nem pensar. Há ainda mais uns quantos actores, mas limitados à esquerda baixa e a umas entradas fugazes na peça. São meros figurantes que ficam em rodapé no cartaz.

Já tínhamos saudades destas cavaqueiras amenas, que nos transmitem segurança e paz de espírito, e nos mobilizam para encarar o futuro com tranquilidade e esperança. Todos temos consciência que o nosso dia a dia depende do acerto das previsões orçamentadas, tal como se tem verificado nos anos passados, e desde sempre.

Se tivesse paciência e tempo, coisas que me vão faltando cada vez mais, talvez um dia destes me desse ao trabalho, ciclópico, de comparar os valores orçamentados e os efectivamente verificados. O mais provável era o resultado dar uma tese de licenciatura, que poderia vir a ser complementada com um doutoramento subordinado ao tema "Causas e consequências dos falhanços verificados".

Há dias em que o cérebro não funciona direito e só divaga. Será do calor?

sábado, 17 de dezembro de 2011

Orçamento (II)

Afinal o défice de 2011 não vai ser de 5,9% (como tinha sido referido aqui), mas sim de uns fantásticos 4,5%, o que prova que os cálculos tinham sido rigorosos e que o que falhou foi a matemática ...
Nesta altura, os poucos leitores deste blog já comentam:
- Lá está ele com a ironia e a ocultar informação que toda a gente conhece. A redução verificada ficou a dever-se à transferência dos Fundos de Pensões da Banca, com a qual não contava quem fez as contas.
E têm toda a razão!
Ninguém contava que isto acontecesse, embora estivesse a ser negociado há mais de um ano...
E o mais extraordinário é que não só o défice baixa exactamente 1,4% como é possível utilizar metade do valor dos fundos para liquidar dívidas do Estado que, de outra forma, continuariam "no livro" ou no "segredo" da contabilidade do baú. 
Saiu o Euromilhões ao Estado, graças à benemerência dos Bancos que, cautelosamente, constituiram e provisionaram fundos para as pensões dos seus empregados no valor de 6 mil milhões de euros quando, afinal, só seriam necessários 3 mil milhões. 
Voltamos, aqui, ao problema da matemática, ciência inexacta e baseada em balelas. Os Bancos, cautelosos e benfeitores, admitiram que, apesar da esperança média de vida rondar os 75 anos, nos seus empregados, em resultado das boas condições de trabalho e dum horário laboral reduzido, aliadas a tarefas pouco ou nada desgastantes e sem qualquer pressão, essa esperança de vida atingiria os 150 anos e, em consequência, os fundos teriam de ser provisionados para acautelar esse futuro.
Estúpidos! Reduziram os  seus lucros, afectaram a sua liquidez, reduziram actividade, diminuíram os dividendos pagos aos accionistas, sem qualquer necessidade nem justificação. Pela certa, usaram uma "maquinazeca" de calcular em vez do Ipad do Gaspar.
Aí têm o resultado! Torçam a orelha, chorem sobre o leite derramado ... mas previnam-se: adquiram já um Ipad ou comprem um Gaspar. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Orçamento

Finalmente há Orçamento para 2012!
Aprovado por uns, abstido por outros, contrariado pelos restantes.
Orçamentada que está a crise, podemos dormir tranquilos, sem pesadelos, sem pessimismos, sem rancores, sem ódios, sem receios, sem palavras e ... com menos dinheiro.
A capacidade dos nossos governantes está orçamentada e determina 5,9% do PIB para o défice de 2012, o que nos transmite uma enorme tranquilidade e uma grande confiança, demonstrando à saciedade e à sociedade quão bons eles são em matemática e na arte de adivinhar: é que o défice não é de cerca de 6% nem de 5,85%, mas exactamente de 5,9%, número mágico obtido após uma árdua tarefa de projectar (não riam que não tem nada a ver com cinema e muito menos cómico) a produção global do país em 2012, desde as abóboras da horta do meu vizinho passando pelos carros da Auto Europa e pelas couves, os tomates, os morangos, as alfaces e os pêssegos que a Casa da Ginja irá produzir.
Só génios conseguem determinar com tanto rigor e precisão este PIB que, multiplicado por 5,9%, há-de ter como resultado o valor da diferença entre as despesas e as receitas do Estado.
Simples e elementar !!!

sábado, 16 de outubro de 2010

Inveja

Sou um invejoso!
Padeço de um mal muito comum no nosso país, que afecta muito mais portugueses do que a bactéria helicobacter, o cancro do colo do útero, a doença dos pézinhos, o reumático ou a rinite dos fenos. Porém, a minha inveja não provoca a reacção mais habitual de que os outros têm sempre o melhor carro, a mulher mais bonita e o melhor emprego apenas porque nasceram com o dito virado para a Lua ou foram bafejados com uma "sorte do caraças".
A minha inveja resulta daquilo que outros fizeram e que eu muito gostaria de ter sido, antes, capaz de conseguir. Esta semana, no Expresso, (não sou accionista) vêm insertos textos que me causaram um ataque do mal de que sofro, dos quais destaco algumas partes:
Henrique Monteiro - Sócrates, a fonte do problema
Aqui há um mês e meio, o Governo acusava o PSD de querer acabar com o Estado Social. Ontem, apresentou um Orçamento do Estado que o destrói. As coisas têm de ser vistas no real e não nos discursos - a retórica, a habilidade, a falsa promessa, a demagogia, o ataque soez (e lamento não me lembrar de mais palavras dizíveis) que então campearam eram injustificados.(...)
Nicolau Santos - Um sangrento massacre fiscal
Pode-se justificar com o estado de urgência em que se encontra o país, com a pressão dos mercados, com o aperto em matéria de financiamento em que se encontram os bancos e a República. Mas a proposta de lei sobre o Orçamento do Estado para 2011 só pode ser classificada como um saque brutal à bolsa dos contribuintes, um tsunami que arrasa toda a economia à sua passagem, uma bomba atómica que levará milhares de empresas a fechar as portas e milhões de cidadãos a passarem a viver bem pior a partir do próximo ano.
Além disso, é um Orçamento sem esperança.(...)

Miguel Sousa Tavares - A lição do Chile
Um a um, vou vendo sair os mineiros das profundezas do Atacama: duas madrugadas e grande parte de um dia de televisão sempre ligada, fascinado com essa extraordinária oportunidade de seguir em directo, a milhares de quilómetros, a extracção, corpo a corpo, de 33 condenados à morte de encontro à superfície, à luz e à vida. O mundo inteiro esteve, em diferentes fusos horários, preso desta transmissão televisiva planetária, que é daquelas que ficará para sempre na nossa memória, como as da chegada à Lua ou do início da Guerra do Iraque, em directo. A transmissão foi preparada ao pormenor e teve imagens inesquecíveis, como a da agulha progredindo num mostrador, da esquerda para a direita, à medida que a Fénix ia fazendo cada uma das suas ascensões ao longo dos 700 metros de túnel. Ou as fantásticas imagens recolhidas no interior do próprio abrigo, de onde a Fénix partia, desaparecendo no buraco perfurado na rocha para uma viagem que, de facto, tinha toda a carga simbólica e quase física de um parto.(...)