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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Aproximação

Já não bebia água há uma hora e, de acordo com os sábios conselhos expressos pelas entidades que detêm os conhecimentos sobre a matéria, era importante fazê-lo.

Estava distraído a ouvir música e tratando de colocar uma parte dos selos na devida e legível ordem, de forma a facilitar a tarefa de quem os irá cuidar, vender ou mandar para o lixo quando me lembrei dos importantes avisos. Resolvi suspender as tarefas (ouvir música é uma tarefa tão ou mais importante do que tratar dos selos), ir comer qualquer coisa e beber água, muita, que o calor aperta lá fora. Aqui 'tá-se bem!

Liguei a televisão para aproveitar e actualizar as notícias. No estado em que isto está, nunca se sabe o que está a acontecer, o que já aconteceu e aquilo que irá acontecer, para gáudio dos inúmeros e doutos analistas que enxameiam os diversos canais.

Surpresa. Não havia análises, mas antes o debate quinzenal na Assembleia da República. 

Enquanto comia e bebia fui ouvindo Luís Montenegro e José Luís Carneiro discorrerem sobre números da saúde, dos combustíveis, dos impostos e dos descontos, com um a identificar a incógnita "x" e outro a contrapor a "Y", com os mesmos números na base.

Amaldiçoei, entre comas, os excelentes professores que tive a Matemática, porque concluí, brilhantemente, que dois e dois afinal não são quatro e que a Matemática está longe de ser uma ciência exacta.

- "Pi"

É apenas uma aproximação! 

domingo, 3 de maio de 2026

Tecnologias e dependências

Sentou-se na cadeira indicada no bilhete, verificando a correcção antes. Era ali, sem dúvida. Telemóvel na mão, a companheira sentada na cadeira ao lado, cenho franzido, nenhuma outra manifestação de prazer ou repulsa.

Acabadinho de aliviar as pernas, o indicador começou a percorrer o ecran e, com som ou sem ele, os sorrisos passaram a suceder-se. As luzes, intermitentes, davam sinal de que o início do espectáculo estava para breve. E a voz off  avisava:

- O espectáculo vai começar dentro de momentos. Por favor, desliguem os telemóveis. É proibido fotografar ou gravar. Bom concerto.

A ordem era inequívoca, mas o aparelho continuou na mão. Vai desligar quando a música começar, pensei. Não aconteceu. Mexi-me na cadeira, deitei descaradamente os mirones. Nenhuma reacção. E o scroll continuava, apesar de a música ser contagiante e apelativa. Tudo na mesma, como a lesma. Impassível na cadeira, nem uma única vez bateu palmas. A companheira, ao lado, ainda ia aquecendo as mãos, de vez em quando. No final, o público aplaudiu de pé, pediu mais, acentuou os aplausos até obter a confirmação de que ainda havia, pelo menos, mais uma.

Permaneceu impassível. Continuou os movimentos com o dedinho e sorria de satisfação.

O "artista", seguramente com mais de 50 anos, assistiu com este desinteresse a um excelente espectáculo musical, integrado no 29º. Festival de Jazz do Valado

Comprou bilhete para quê? Podia ter ficado em casa e dava lugar a outro ... 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Lixos

Há um caixote a cinquenta, sessenta metros, se tanto. Uma embalagem de papel onde deve ter estado um hamburguer da marca famosa. Ao lado, um recipiente de yogurt, duas garrafas de cerveja, uma de litro e outra média.

Generalizo: as pessoas são tão porcas!

A senhora deita um papel para o chão.

- Deixou cair um papel ...

- Não tem importância. É lixo!

- Mas não custa nada apanhar e pôr ali no caixote.

- Quem quiser que apanhe. Era o que faltava!

E seguiu a sua vidinha, que o tempo urge ...

 Talvez na próxima geração ...

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Evolução

A ida ao(s) café(s) foi um ritual repetido várias vezes durante o dia (e durante muitos anos) por necessidade, acto de desligar, compromisso comercial ou porque sim ...

Das sete, oito, nove ou mais bicas por dia, o tempo reduziu-as a três e, dessas, normalmente, apenas a do almoço se concretiza externamente. Cada vez mais, ir tomar um café ao café, ainda por cima ao balcão, é um acto singular e praticado por poucos teimosos. O pagamento, na era da IA, já não passa por mãos humanas, sendo "digerido" pelo "anão" escondido na máquina que tudo entende e que, rápida, nunca se engana no troco nem admite notas falsas.

Com este "pequeno" progresso, há no café mais mão-de-obra disponível para atender os clientes do jogo, onde a raspadinha é rainha. Tenho para mim que muitos destes frequentadores nem imaginam que o estabelecimento, afinal, até vende café!

Evolução e mudança, que se há-de fazer ... também já ninguém pede um "copo de três" ou uma "ciganinha", como era vulgar quando era jovem!   

domingo, 5 de abril de 2026

Bodas

É Domingo de Páscoa e o sol não se esquece de acompanhar as festividades e de lhes trazer a alegria da luz. Na semana que vem, de acordo com as previsões, já desligará as luzes, talvez para poupar energia que não estamos em época de desperdícios.

O carro precisa de gasolina porque, teimoso, não anda sem isso e amanhã vai ter de trabalhar. Ainda é cedo e o posto de abastecimento não deve ter fila. O rádio vai ligado, como é sempre e, de repente, ouço uma voz já um pouco estafada como a minha:

Tinha 15 anos quando ouvi isto pela primeira vez, na casa de uns amigos onde nos juntávamos para tocar, cantar e ... beber uns copos. Na rádio, naquela época, era impensável.

Prestei atenção. Era isto, e eu ainda me lembrava da letra!

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Aluguer

A rua é sempre uma caixinha de surpresas: a calçada à portuguesa, desconjuntada, que prejudica as pernas trôpegas pelo tempo; as pessoas que correm, apressadas, no caminho para o emprego ou no saltinho para um rápido café; os pescoços, dobrados sobre os telemóveis comandados pelo dedo indicador, numa "ginástica" que o tempo também há-de tornar trôpegos; as cuspidelas e as embalagens de sumo que "inundam" o chão que alguém limpará; os carros que aceleram, apressados pelos condutores para logo, logo, estacionarem em cima da passadeira ou do passeio.

Nada de anormal nem novidade. Um olhar mais atento, e calmo, - o tempo das pressas já lá vai - permite olhar, ver e reparar em tudo, que a coscuvilhice ajuda a perceber aquilo que vai acontecendo e que, muitas vezes, já passa ao lado de quem passa mais tempo em casa do que a vaguear por aí ...

O anúncio é elucidativo, apelativo e bem referenciado. Está no centro da cidade, publicitando a satisfação de uma necessidade sentida por muitos. Faltam só as referências do dito que se aluga. Será dos de "cama quente"?

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dificuldades e soluções

Como qualquer bom portuga, tenho as melhores soluções e as extraordinárias capacidades para tudo resolver num abrir e fechar de olhos e bem melhor do que tem sido feito até aqui. E não sou excepção!

Somos sempre muito críticos, muito solidários e prestáveis nos dois, três primeiros dias de qualquer catástrofe que aconteça. Vá lá, uma semana! Depois, bem, depois é só estar atento e os comportamentos egoístas voltam e rapidamente esquecemos o que aconteceu ... aos outros. "Vai ficar tudo bem!"

Não vai! Há gente que nunca mais esquecerá não o quilo de arroz ou de feijão que recebeu com direito a aparecer na TV mas as telhas que voaram, partiram-se e demorarão a evitar a chuva que o S. Pedro não cessa de despejar.

Entretanto, surge a confirmação da incapacidade de muita gente exercer o poder de decidir que lhe está atribuído. Espera-se sempre que da acção resulte algo de concreto e não ainda mais confusão e aflição do que a que já existe.

Um exemplo: com extraordinária boa vontade, estão a ser distribuídas telhas, no estádio de Leiria, a quem tem possibilidades de lá chegar, se perfila e aguarda serenamente a sua vez de pedir, e receber, as telhas que colocará na sua viatura e levará até à sua casa ... destelhada.

Não seria preferível concentrar os pedidos nas Juntas de Freguesia e estabelecer um circuito logístico que as fizesse chegar ao local? Seria muito difícil? 

É apenas um exemplo ido de quem, no conforto do seu sofá, resolve tudo ...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Actualidade

Depressões, cheias por chuvas diluvianas, ventos ciclónicos derrubando tudo, casas sem electricidade nem água, empresas destruídas, mar revolto, a aberta a encurtar cada vez mais a praia, a gasolina a desaparecer com as "bichas" dos aflitos, o açambarcamento a encher os carrinhos dos supermercados que, felizmente, ainda estão abertos.

É um privilégio viver numa cidade do distrito de Leiria onde (quase) tudo funciona, ao contrário do que por aí vai nas outras. Caíram muitas árvores e até o portão da casa antiga mas ... "tá-se bem". 

No meio de uma desgraça que a memória não avaliza ter semelhanças, só houve um benefício: as televisões deixaram de ter o "António Mourão" a todo o momento.

Nota: Para quem não é velho, o António Mourão verdadeiro cantava "Ó tempo volta para trás"!

domingo, 28 de dezembro de 2025

Coisas da idade

Com menos frio, céu quase azul e sem vento, o último domingo de 2025 prepara-se para encerrar a semana natalícia, sem alterações à rotineira, cíclica e repetitiva jornada dos dias que se sucedem, como sempre.

A evidência do parágrafo anterior é tal que será muito difícil encontrar um único ser humano neste mundo globalizado que a não pudesse ter escrito, registando a patente nos anais das máximas de "encher chouriços". E por lá ficaria muito bem, fazendo parelha com as muitas que, todos os dias, os nossos ouvidos apanham, mesmo não o querendo e muito menos desejando.

Vem a propósito, ou talvez não, essa moda nova de atender e falar ao telemóvel em alta voz, divulgando aos quatro ventos conversas que, em princípio, pareceriam merecedoras de alguma reserva ou, até, de conteúdo altamente privado.

Não bastava ouvir, em qualquer lado, o "nosso" companheiro de caminho, de sala de espera, de restaurante ou, por vezes, até de sala de espectáculo, quanto mais agora ter passado a ser chiquérrimo gramar o seu interlocutor, respondendo ou questionando, num diálogo aberto, barulhento, incomodativo e, sempre, sem qualquer interesse para quem nem sequer foi ouvido sobre a participação no acto em si.

- Ouve-se bem melhor assim!

Pois ... não seria melhor comprarem o aparelhinho do Goucha?

sábado, 20 de dezembro de 2025

Aeroporto

Gente e mais gente. Está sempre mais gente, seja Verão ou Natal, Páscoa ou um dia qualquer.

- Com licença, com licença ...

- I'm sorry ...

Empurram-se as malas, os sacos, os carrinhos a transbordar, as mãos a prevenirem eventuais quedas, difíceis de controlar e terríveis de remediar.

Encaminho-me para o placard das chegadas. Os olhos espreitam, auxiliados pelos óculos, que a distância é grande e há gente, muita gente.

- Já aterrou, ouve-se ao lado. Saem da frente e encaminham-se para o sítio ideal, de onde descortinar quem sai.

Aguardo mais um pouco. A mensagem que me descansa surge. Aterraram. Sigo o exemplo dos outros e cravo o olhar onde irão aparecer. Apesar de não ser propriamente um baixote, tenho dificuldade em ter a visão total da porta. Gente e mais gente. Muitos jovens, com mais um palmo ou perto disso. Vale que a maior parte tem a cabeça inclinada para essa máquina informativa que, de quando em vez, também é utilizada para fazer e receber chamadas telefónicas. 

Consigo a colocação ideal e aguardo, sem pressas. Tenho o livro na mão, fechado. Ainda li duas ou três páginas, encostado a uma coluna. Senti que estorvava a deslocação dos outros. Recolhi-o.

Quase não há cadeiras, as pessoas são cada vez mais, gente e mais gente. Os meus devem estar mesmo, mesmo a chegar. Quero vê-los primeiro. E consigo! Corro com a velocidade de hoje, em busca dos abraços, fortes, como sempre. E comentados ... cheios de saudades e de meiguices.

O aeroporto de Lisboa tem poucas, ou nenhumas, condições para quem espera, é um facto que conhecemos bem. O contratempo desaparece quando surgem as caras alegres dos que, ansiosamente, estávamos à espera.

Os netos estão cada vez maiores! Ou serei eu a minguar?

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Rotinas

As idas ao café estão cada vez mais reduzidas e, na maior parte dos dias, resumem-se à bica a seguir ao almoço, bebida ao balcão, sem açúcar, como sempre. Para além dos cumprimentos normais, aos empregados e aos clientes conhecidos (cada vez menos), trocam-se meia dúzia de palavras de circunstância, paga-se a despesa na máquina quando ela acende a luz do "sporting" e ... ala que se faz tarde.

Longe vão os tempos da cavaqueira, dos mexericos, dos comentários, das novidades. O café tem agora as mesas ocupadas pelos clientes de restaurante, onde se emala a comida rápida, "hamburgada", vegetariana, reduzida a dois ou três nomes desconhecidos e inscritos no quadro da entrada. Para quem ainda se revê nas ementas com cozido à portuguesa, bitoque de vaca, sopa de caldo verde, fruta da época, dourada grelhada, pescada cozida com todos, leite creme e pudim de ovos, o melhor é beber o café e dar espaço a quem trabalha e dá rendimento ao dono, para que este possa ir servindo alguns saudosos.

A televisão estava ligada num canal de notícias, com som muito baixo. Na imagem, o debate de ontem entre dois candidatos às eleições para Presidente da República.

- Viste? Que vergonha! Nunca me passou pela cabeça que chegaríamos aqui. Acabaram as tabernas mas os labregos voltaram ...

- Falar nalguns deles é dar-lhes a importância que eles não têm nem nunca virão a ter ... mesmo que, por bambúrrio, viessem a ser eleitos.

- Vira para lá essa boca. Diabo seja surdo! A culpa é nossa, não contámos aos novos ...

Talvez seja culpa nossa, dos que comeram bacalhau com batatas e batatas com bacalhau. Tentámos esquecer e fechamo-nos em copas. Está aí o resultado!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Limpeza

Vivemos tempos difíceis! 

Não há nada pior para iniciar qualquer pretenso texto do que escolher um "lugar comum". E, no entanto, tem pleno cabimento utilizá-lo, quando se olha o que vai pelo mundo. Das guerras que permanecem, da Ucrânia a Gaza, da Somália à Venezuela e muitos outros sítios que são esquecidos ou devorados, rapidamente, pela espuma dos dias.

Conversações, reuniões, cimeiras, encontros, telefonemas, mensagens, "bocas", avisos, ameaças, conversas da treta, discursos profundos, opiniões certeiras, "caganeirices" chiquérrimas, falinhas mansas, gritos inflamados, tudo cheio de certezas e ditos para "inglês" ver e "portuga" crer.

Por vezes chega a parecer que regressámos à "outra senhora", com notícias, comentários e análises parciais, que nos despejam tudo e o seu contrário, fazendo-nos sentir mentecaptos e completamente desprovidos de um mínimo de senso ou de inteligência.

Valha-nos o Youtube e a música que nos disponibiliza, à borla, sem comentários e deliciosa. Lufada de ar fresco que distrai, revigora e limpa a cabeça.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Correio

Cada vez mais vai rareando o correio colocado na caixa, obrigatória, que "vive" junto ao portãozinho da entrada da casa há quase meio século. A chave ainda funciona e a cor, verde, mantém-se não já com a tinta inicial na totalidade, mas ainda com alguns resquícios das primeiras pinceladas que obteve.

O ritual de pegar na chave, abrir a portinhola e espreitar para dentro repete-se todos os dias úteis, ainda que, na maior parte deles, os passos se revelem inúteis.

Hoje foi diferente! Três cartas, pasme-se! 

A primeira, da Junta de Freguesia, trazia o convite para o convívio natalício dos fregueses idosos; a segunda avisava que o débito do seguro vai acontecer no próximo mês; a terceira, era visível, trazia importância colada e bem vincada. Tinha como remetente o Ministério da Administração Interna e não era previsível que fosse algum chamamento da Ministra para outro almoço convivial.

A (des)agradável surpresa empertigou-se e ditou a sua lei: comunicava uma infracção acontecida em 03.08.2024, por violação do limite de velocidade estabelecido no local "Xis", bem bonito, por sinal. Na Barquinha, com o Tejo a fazer companhia pela esquerda, estaria, decerto à direita, o aparelhinho que me caçou sem contemplações.

Demorou mais de um ano, mas chegou. A lei é para se cumprir e os infractores (todos?) são penalizados. Já agendei o pagamento para o mês que vem, aproveitando o prazo de 15 dias que, amavelmente, me foi concedido.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Vícios

Alguns dias de ausência, não que faltem assuntos mas apenas porque "outros valores mais altos se alevantam", como disse o nosso Camões. Por vezes, também a paciência se ausenta e a vontade suspira por alguns momentos de descanso e meditação. 

O pouco tempo livre (ser reformado dá muito trabalho) tem sido aproveitado para dar uma nova (e melhor, espero) organização aos selos, de forma a que, se aparecer alguém que evite que eles sejam "mergulhados" no camião que há-de "limpar o lixo" existente cá por casa, perceba alguma coisa do que por ali está. A filatelia já teve os seus tempos áureos e o selo é, cada vez mais, um "utensílio" arcaico, em vias de extinção.

Estamos em mudança constante e só alguns "tontos" ainda vão achando que vale a pena preservar alguns vícios ...

Voltando ao tempo livre, aguarda-se que a IA altere a duração dos dias e possibilite espaço temporal que permita ver e ouvir, atentamente, o que se vai passando pelo mundo. Será? Ou já estarei a delirar?

As guerras mantêm-se, o homem da melena continua a dizer bacoradas e a ser ouvido; o seu "imitador portuga" grita, berra e barafusta como se estivesse na tasca e fosse o único bêbado ainda em condições de debitar asneiras; o nosso embaixador do futebol transferiu-se para os negócios estrangeiros árabes e foi jantar à Casa Branca; as sondagens dos resultados das presidenciais servem todos os gostos e interesses e são de um rigor acima de qualquer suspeita.

O vício de ler continua mas os livros, pelo menos os que aqui "moram", são escritos por mão e pensamento humano. Até quando?

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Mudanças

A "trovoada" que aconteceu ontem nos Estados Unidos, com a eleição de um ugandês, muçulmano e democrata para mayor de Nova Iorque, deve ter mexido imenso com o homem da melena. Nem deve ter pregado olho, o que muito terá custado à "boneca".

Não creio que tenha sido uma relação causa/efeito, mas lá que esta noite trovejou como há muito tempo não se ouvia neste cantinho oestino, aconteceu. E logo por aqui, sítio que, felizmente, até costuma ser muito calminho.

Tudo muda ...

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Limpeza

Já não ando muito a pé pela cidade, é verdade, (prefiro a beira da Lagoa) mas, sempre que isso acontece, deparo-me com ruas sujas, lixo fora dos respectivos contentores, cartão no "amarelo", plástico no "verde", cascas de batata e espinhas de peixe no "azul", papéis e sacos por todo o lado, "beatas" em busca de cinzeiro, meio atarantadas pelo chão, etc., etc..

Apetece-me sempre sugerir à Câmara Municipal que distribua e/ou coloque, em locais estratégicos, panfletos e cartazes que, de forma educada, chamem a atenção de todos os munícipes para a necessidade de colaborarem na manutenção das ruas limpas, alertando, assim, as consciências de cada um. 

Por exemplo: "Não deite lixo nas ruas. Utilize os caixotes destinados a esse fim. Colabore connosco e lembre-se que o custo da limpeza municipal também é seu".

Depois, raciocino mais um pouco, pondero e apetece-me pedir para, em vez do anterior, ser colocado em cada rua, em cada esquina, talvez até em cada porta, um cartaz com letras enormes, bem vermelhas e sublinhadas, dizendo:

NÃO SEJA PORCO!  PONHA O LIXO NO LIXO.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Sinas

Há dias assim!

Apetece-me escrever qualquer coisa e, ao mesmo tempo, interiormente algo me sussurra: não inventes, fica quietinho, à espera que a vontade passe, como o outro.

O lápis continua na mão e desliza, garatuja, gatafunha, risca, não desenha, que isso é mester a que a mão foi sempre arredia, anota, aponta, regista, começa, termina, volta ao sítio que o guarda, repensa, hesita, posiciona-se e, na sua santa ignorância, recoloca-se na mão, aguardando a sua oportunidade de servir, que foi para isso que ele, lápis, foi concebido.

Na oficina, onde o carro teve de ir para mudar a lâmpada do pisca traseiro esquerdo, fundida por excesso de uso, acredito, a senhora do atendimento, após receber o pagamento do serviço, diz:

- Muito obrigada e até à próxima. Um bom fim de semana ... ai, que disparate! Boa semana. Credo, já estou tão cansada ...

E tinha razões para isso. Naquela meia hora que por lá estive a aguardar, a senhora não parou um momento. Fez telefonemas, atendeu clientes, foi à oficina, recebeu chaves, deu chaves, puxou do multibanco, recebeu dinheiro e deu troco, imprimiu facturas, fez folhas de obra, chamou colegas mecânicos, deu opinião sobre o melhor óleo para determinada viatura, orçamentou um pedido de reparação que não foi aceite e, como se não bastasse, ainda veio a correr atrás do distraído que se tinha esquecido da lâmpada que sobrara.

Como o lápis, há gente que nasceu para servir ... e ainda consegue sorrir, mesmo cansada. 

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Complicação outonal

Chega hoje o Outono e traz com ele o céu azul, pouco vento e uma temperatura agradável, que não convida ao banho nas águas, frias, da Foz. Acabou a época!

Ou talvez não! Com tantas alterações que vão acontecendo, no clima não controlável e naquele que podíamos apaziguar, quem sabe se Outubro não proporciona grandes modificações e, talvez, umas boas banhocas. A meter água, vamos ter muita gente ...

Começaram as aulas, a "Uber" está de prevenção, o "restaurante" abre portas com alguma frequência e sempre com o maior prazer, a logística do trabalho aperta, as folhas do jardim vão-se acastanhando e caindo, a "arrumação" dos troncos do pinhal está longe de estar concluída. Para além de tudo isto, que não é pouco, os entendidos recomendam actividade física, para prevenir o "esquecimento" e diminuir o risco dos "diabretes".

Que trabalheira, para mim, que há muito concluí ter feitio para estar de férias.

Vida de reformado é muito, muito, complicada ...

domingo, 7 de setembro de 2025

Chevrolet

 


A adquirir, para fazer companhia ao "irmão" Matiz, que está a ficar deprimido com a solidão.