Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
sábado, 1 de outubro de 2022
sexta-feira, 1 de outubro de 2021
Dia Mundial da Música
É proibido estacionar ... mas pode-se parar, ficando alguém ao volante para se pôr a mexer, caso surja o "chui" mal disposto.
O livro faz sempre companhia e o "motorista" está concentrado a ler mais algumas páginas, completamente alheio ao que se passa à sua volta. De repente, o carro abana com o barulho característico da batidela. Os olhos levantam-se e vêem a carrinha, branca, já a afastar-se um pouco, depois do mal feito, que se espera seja pouco.
O velho sai do carro e o novo abeira-se do ponto de encontro das duas viaturas. Nem bom dia, quanto mais desculpas.
- Ah! Não foi nada. Encolhe os ombros. Distraí-me a olhar para ali. E aponta o café.
- Deve ter mais cuidado com as manobras e com os outros.
- Com essa idade nunca errou? O que é que quer!
E voltou costas, ainda a "momar" mais algumas palavras, que não percebi nem quis entender. Afinal o velho não devia estar ali parado, àquela hora, quando havia alguém a trabalhar e a necessitar de estacionar o carro e que, coitado, era distraído sem nenhuma culpa disso.
Regressou daí a pouco, com dois sacos de plástico cheios de pevides, que foi buscar/comprar à praça. Percebi logo o caminho das desculpas que eram devidas: as pevides serão acompanhadas de umas cervejolas e as cascas irão para o lixo, fazer companhia às desculpas que já por lá estarão há anos.
Voltei ao livro e ainda li mais duas ou três páginas, até a "cliente" chegar.
Mas estou contente. Tive "música" logo pela manhã, no Dia Mundial da dita, e o carro nada sofreu, a olho nu.