Mostrar mensagens com a etiqueta Carlos Paião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carlos Paião. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Síntese

Esta época de arraiais, sardinhas, noitadas, casamentos, feriados e pontes, este ano reforçada com as eleições europeias, traz sempre à memória um "retrato" fabuloso  de nós todos, da autoria de Carlos Paião.

Viveu pouco tempo, mas deixou marca indelével.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Século passado

Um salto a Torres Vedras para "tratar de assuntos do seu interesse", como rezaria qualquer convocatória do antigamente. Pelo caminho, como sempre, o rádio do carro sintonizado ora na Antena 1 ora na Antena 2. Calhou a sorte à Antena 1 ou, melhor, a mim.

- Passam hoje 40 anos do lançamento de um EP de Amália Rodrigues, onde figurava "O Senhor Extraterrestre", de Carlos Paião.

Lembrava-me bem da música. Fui ouvindo a emissão especial e sonhando ... Há quarenta anos, ainda eu não tinha chegado aos trinta e dava os primeiros passos como quadro bancário, em Peniche. E a música era, como sempre foi, a companhia no caminho feito diariamente, sem auto-estradas nem IP's, com paralelo escorregadio na Serra D'El Rei e na Coimbrã, e um pobre homem, cujo nome já não recordo, a dar orientações ao trânsito no centro da Atouguia da Baleia, onde a rua, enforcada, não dava espaço para dois carros cruzarem.

E, nesse tempo, havia mais de cinquenta traineiras dedicadas à pesca da sardinha, com as companhas pagas à quinzena, a dinheiro, na maioria das vezes às mulheres dos pescadores que delas faziam parte,  mais uns quantos barcos que se aventuravam longe, ao peixe mais grosso, e davam os primeiros passos as sociedades mistas com a Mauritânia, tal como os plafonds de crédito que abririam as portas à intervenção do FMI.

Desse tempo ficaram muitas e boas recordações e "O senhor extraterrestre" faz parte delas ...

domingo, 2 de agosto de 2020

O pião das nicas

Numa época em que qualquer discurso, prosa ou exposição tem de ter expressões, de preferência inglesas, para armar ao pingarelho, dar um ar cultivado e sapiente, impressionante para quem pouco entende (fala muito bem inglês), apetece salientar que o português é uma língua muito rica, falada por muitos milhões de seres humanos, com variantes fantásticas e sempre com palavras e expressões para as situações mais díspares e surpreendentes.
Não é preciso desfolhar Aquilino ou Mia Couto, Jorge Amado ou Águalusa, Saramago ou Maria Teresa Horta, Eça ou Lobo Antunes. Mesmo nas coisas mais simples, como os versos de Carlos Paião, médico que a morte levou aos 30 anos (1988), a beleza e a diversidade estão bem patentes num retrato de galfarro portuga bem recheado para quem seja lascarino e observe bem.

O PIÃO DAS NICAS
Anda p'la vida à futrica
O estica larica, o mangas portuga
Fecha-se em copos e copas
Cafés e cachopas, trabuca e madruga
Galfarro afiambrado, pachola arremelgado
De grimpa levantada e garrafal
Amigo do amigo, farelo e muito umbigo
Vestiu-se e veio a pé pró arraial
 
Viva o Santo António, viva o São João!
Viva o 10 de junho e a Restauração!
Viva até São Bento, se nos arranjar!
Muitos feriados para festejar!
 
Gosta de armar ao efeito
Baboso e com jeito pra ser bagalhudo
Mas na mulher do carteiro
Já manca o dinheiro, alfaces e é tudo!
Se ele anda com nerveco grazina dum caneco
Lá vai o lascarino pró granel
E faz as partes gagas, fosquinhas de aldiagas
Palrando até fazer grande aranzel
 
Viva o Santo António, viva o São João!
Viva o 10 de junho e a Restauração!
Viva até São Bento, se nos arranjar!
Muitos feriados para festejar!
 
Chorou por causa da seca, que a terra ficou viúva
Até correu seca e Meca, fartou-se de pedir chuva
A chuva quis-lhe agradar, banhou a terra as culturas
A água deu-lhe p'la barba a fome em farturas

Às vezes já nem petisca
A doença na isca é má pró vistaço
Os vinhos e os jaquinzinhos
São só descaminhos, vai dar ao esquinaço
És tu Pião das Nicas das bocas e das dicas
Que pegas nos calcantes e te vais
Adeus leão dos trouxas, chupado das carochas
Que foste no embrulho uma vez mais

Viva o Santo António, viva o São João!
Viva o 10 de junho e a Restauração!
Viva até São Bento, se nos arranjar!
Muitos feriados para festejar!