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domingo, 30 de agosto de 2026

Teimosia

Costumo dizer, meio a sério meio a brincar, que uma das minhas qualidades é ser muito teimoso. Acrescento, por via de regra, que os meus netos são dotados de uma personalidade forte. Já ninguém desta época é teimoso ... que vergonha!

O telefone fixo deixou de funcionar, talvez desgostoso com a sua pouca utilização e, realmente, nenhuma utilidade. Mas enfim ... está cá há tantos anos, está incluído na conta mensal sem mais encargos e ainda há alguns "antigos" que, muito de vez em quando, para ele ligam ou são ligados.

Contactada a operadora, testes e mais testes, "aguarde mais um momento", "muito obrigada por ter aguardado", "estamos quase a terminar o teste", "são só mais dois minutos", "muito obrigada por ter aguardado.

Cerca de quarenta minutos depois, a informação: "vai ser necessário agendar a ida de um técnico. Receberá um SMS com a data e o período e, se não lhe convier, poderá reagendar".

Atento, venerando e obrigado, agradeci a informação, a paciência, e o desvelo com que fui tratado. O SMS apareceu, com o agendamento da intervenção marcado para o próximo domingo, entre as oito e as treze. Concluí que os técnicos devem trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana.

Desligado o telemóvel, verificados todos os equipamentos dependentes da rede, a impressora estava como o telefone: não funcionava!.

- Bom, fica-se sem impressora durante uma semana. Ninguém morre por isso!

Mas, dois dias depois ... liga, desliga, lê, relê, experimenta assim, talvez seja aquela opção, experimenta ali ... e fez-se luz. Já funciona!!!

Como? Sei lá, mas a teimosia é uma grande qualidade!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Teimosia

Costumo dizer que uma das minhas poucas qualidades é ser muito teimoso. E é verdade: gosto de uma boa polémica, adoro contraditar, defendo as minhas ideias com toda a energia e convicção.

Vem isto a propósito de, esta semana, ter encetado uma discussão, pacífica, sobre o adjectivo "obrigado" e a forma correcta de o aplicar.

A A.L. defendia que o adjectivo devia ser utilizado no feminino se dito por uma mulher e no masculino, quando pronunciado por um homem. A R.R. contraditava, parecendo-lhe que o correcto era sempre "obrigado". O M.R. não tinha certezas e estava virado para a abstenção. Teimoso, eu argumentava que se devia dizer sempre "obrigado" e, para justificar o meu argumento, ilustrava com uma frase:

- A menina não se sinta obrigada a dizer obrigado sempre que lhe oferecem flores!

A A.L. mantinha-se irredutível. O seu professor de português tinha-lhe ensinado a regra, há muitos anos, e nunca se tinha esquecido.

Comecei a duvidar de mim e cedi:

- Quando chegar a casa, vou confirmar!

Hoje, logo pela manhã, enderecei este mail aos meus colegas:

" Bom dia
Rendo-me à evidência!!!
Penitencio-me do erro e congratulo-me pelo facto de termos discutido uma das coisas boas que temos: a nossa língua.
No Dia das Mulheres, confirmam-se, como sempre, os saberes de antanho: elas têm sempre razão e é estúpido quem as contraria.
O adjectivo “obrigado” deve ser utilizado no masculino ou na sua forma feminina (obrigada) consoante o sexo de quem o pronuncia. (Edite Estrela e outro cujo nome não me lembro) – “Saber escrever / Saber falar”
Para ilustrar a minha rendição, qual Egas Moniz, mas sem corda ao pescoço, umas rimas (mal) alinhavadas no “horário” (como se diz na Madeira) que me trouxe do Oeste profundo e inculto à capital dotada e sapiente:

És homem? Sê delicado
E agradece, cortês
Sempre com um "obrigado",
Pra falares bom português!

Porém, a recusa delicada
Da menina esbelta e fina,
Será sempre: não, obrigada,
Por a voz ser feminina! "