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terça-feira, 3 de março de 2026

Visitas

A rotina prega-nos partidas e evidencia-nos a displicência com que, quase sempre, olhamos aquilo que nos rodeia e que bem conhecemos.

Ontem recebi a agradável visita do meu amigo ADS, vindo da capital do "império", com todos os sentidos bem despertos, carregado com o saco de marcadores e pacotes de açúcar e, no bolso, a companhia, pequenina, que lhe permite registar para a posteridade situações, acontecimentos, paisagens, em fotos sempre bonitas e de fazerem inveja, muita, a quem mal consegue carregar no botão sem tremer e, normalmente, corta uma parte ou deixa muito longe o objectivo.

Para que a visita ficasse plasmada (que raio de palavrão agora tão em moda), mostrou a sua resiliência (outra bonita!) e conseguiu registar algumas florinhas novas que o jardim, orgulhoso, já exibe e que o dono nem sequer tinha valorizado.

Muito obrigado pela visita e apareça sempre que queira, nem que seja para a revisão da matéria. O Oeste fica muito "inchado"!



terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Livre como um passarinho

O rabirruivo chilreia, saltitando de arbusto em arbusto sem se preocupar com o que se passa à sua volta. Está em domínio alheio mas não liga a isso. Sabe que, por aqui, não há caçadores e, mesmo que os houvesse, nenhum desperdiçaria um chumbo que fosse com um passarito tão minúsculo. Algum perigo que possa aparecer em cima de quatro patas, detecta-o com facilidade e um pequeno bater de asas coloca-o a salvo.

Faz-se notado se lhe apetece, esconde-se quando lhe apraz, bem lá metido por entre as folhas, onde nem olhos habituados o detectam. Parece procurar quarto, que a época do acasalamento está a chegar e a noiva deve ser exigente. Sabe que não terá de fazer contrato ou pagar renda, e que o senhorio lhe facultará a instalação de forma condigna e com o maior gosto, protegendo-o, até, se necessário for.

Faz parte da casa, apesar de não ter sido contado no Censos. Não reivindica outra coisa que não seja a liberdade de por aqui andar, sem dar satisfação a ninguém e da forma como lhe dá na real gana. Canta, saltita, esvoaça, sobe ao telhado, desce à relva, mostra-se ou esconde-se, vive bem e de acordo com as suas regras. Tem prazer nisso, nota-se à légua.

Partirá se e quando lhe apetecer, gozando a liberdade que é sua e há-de manter até ao fim. Não há preço que a pague!

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Melros

São dois e nasceram aqui, escondidos no conforto da cameleira. O terceiro não resistiu à queda do ninho e ao aventureirismo de explorar o quintal por conta própria. Deve ter-lhe faltado o conforto dos "lençóis" do lar e apareceu, sem vida, na calçada, junto ao portão. Os outros dois abandonaram o ninho e agora fazem do hibisco a sua casa nova. Saltitam de ramo em ramo, com muito cuidado e por pouco tempo. Escolhido o poiso, sossegam, de olhos semicerrados, atentos à chegada dos pais e ao seu silvo indicativo. A refeição é servida, com o transporte rápido de novas iguarias, apanhadas na relva ou nos sítios próximos. 

Parecem não estranhar a presença dos humanos que, curiosos e preocupados, tentam não os perder de vista e evitar que os gatinhos lhes possam causar danos. Os cuidados nunca são de mais, sempre com a preocupação de não assustar os pais, prejudicando as refeições.

Os dois melros que, este ano, fizeram a surpresa de nascer no jardim, já têm todo o corpo coberto pelas penas pretas. Ainda não se aventuram no voo, mas não deverão tardar a fazê-lo, com a segurança que a presença e o ensinamento dos pais lhes darão.

A Casa fica com a esperança que não percam o sentido de orientação, que voltem sempre às origens e, quem sabe, façam por aqui o seu primeiro ninho.

terça-feira, 10 de maio de 2022

Ninho

O azul celeste poisa no jardim e dá vida nova às flores, aos arbustos, à relva, a tudo quanto por lá habita e mesmo aos visitantes diários que vão, depois, dormir noutros hotéis.

A escova-de-garrafa é visitada, diariamente, por centenas (milhares?) de abelhas. Sem se preocuparem com o que se passa à sua volta, exercem o seu labor e cumprem a sua missão de retirar o pólen que hão-de transportar para a fábrica destinatária. A colmeia receberá a matéria-prima e produzirá o mel, para satisfação dos gulosos e daqueles que, não o sendo, beneficiarão das qualidades salutares do produto.

Os pardais circulam sem receios, embora com o olhito atento a qualquer aproximação que considerem potencialmente perigosa. Os melros, também sempre vigilantes, vão-se encolhendo, andando devagar por entre os arbustos e, mal se sentem com o mínimo de segurança, voam soltando o grito de liberdade que lhes é característico.

Os humanos observam tudo isto sem qualquer intervenção. Contudo, uma aproximação mais atenta e surge a constatação de que a cameleira está demasiado crescida, quase a galgar o muro para o quintal do vizinho.

- Vou cortar um pouco. Está enorme ...

O trabalho não chegou ao fim. Lá no meio, bem escondido, o ninho surgiu com os melrinhos ainda bem pequeninos e de olhos fechados. Nem o melro nem a "melra" andavam por ali, decerto ocupados com o trabalho que garantirá o sustento do lar. Não deram pela invasão, embora, talvez, tivessem estranhado a diminuição da segurança.

Para grandes males, grandes remédios: nem mais um corte! Ficará para quando os pequeninos abandonarem o lar e se dedicarem a percorrer o espaço por conta própria, com o silvo característico e a beleza do seu voo picado.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Roseira

Não aguentou a ventania. Havia sido plantada no jardim há muito, muito tempo. Talvez trinta anos, talvez mais. Era a mais antiga e ostentava algumas rosas na primavera que foi a sua última. Caiu de noite, para que ninguém visse. O vento foi implacável e aproveitou-se da sua fraqueza e incapacidade para resistir. Como tantas vezes acontece com tanta situação ...

Deixa duas herdeiras que, cheias de força e vontade, resistiram sem problemas às inclemências do tempo. Partiu a roseira mais velha, ficaram as descendentes que, juntamente com as outras que por cá moram, hão-de continuar a dar alguma beleza ao jardim.

Tudo tem o seu fim, tudo continua.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Jardim

De novo a rega automática montada, para garantir que a gota abastece as plantas e as fortalece, sem a presença ou intervenção humana.

No início não queria funcionar. À primeira vista, tudo parecia em condições, não se descortinando qualquer falha no equipamento ou na montagem. Todavia, o sistema queixava-se de qualquer coisa estranha, que o incomodava e o fazia negar-se a funcionar bem.

O material tem sempre razão ... o filtro estava sujo da inactividade e, como não conseguia lavar-se sozinho, pedia ajuda.

Lavou-se, limpou-se, montou-se ... já se pode ir passear, que a vida das plantas fica garantida, mesmo que o S. Pedro, por excepção, envie muito calor para o Oeste.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Natureza

Mais de um ano decorrido, vamos entrar num novo período de "estado de emergência", que os responsáveis querem e têm esperança que seja o último. Eu também ...

Há um ano, quando ainda se estava no princípio e se esperava que fosse "sol de pouca dura", divaguei aqui sobre o jardim e coloquei uma fotografia de um arbusto, que estava a evidenciar-se e a exibir-se, fanfarrão, com a esperança de ter toda a gente a apreciar a sua beleza. O tempo passou, as pessoas rarearam na rua, caíram as flores, mudou de tom, encolheu-se, perdeu as abelhas, deixou a exibição e de vedeta passou a ignorado.

Mas eis que a mãe natureza, prestimosa, não o deixou cair na amargura e trouxe-o de volta. Em dois dias, as flores surgiram, brilhantes, vaporosas, e chamaram as abelhinhas, para se deliciarem com o seu néctar. E o escovilhão, ou escova de garrafa, ou limpa-garrafas ou Callistenon voltou a exibir todo o seu esplendor e a despertar a curiosidade de quem passa na rua e o espreita, fascinado.

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Barraca

Já por aqui falei dele, a propósito da sua eloquência com as flores, que adorava e tratava com um carinho inigualável.

Mimoso de apelido e Mário de nome, apenas estas duas palavras o identificavam. Nome curto tal como o tempo que a vida lhe reservou. Era homem humilde, quase analfabeto, mas sempre com uma graça, mesmo nas situações mais bizarras. O colete fazia parte da sua indumentária e trazia, preso no botão do meio por uma corrente, um relógio "cebola" no bolso do lado esquerdo. O colete acompanhava-o por todo o jardim e era pendurado no arbusto ou na árvore que estivesse mais perto do sítio onde decorria o  trabalho. Cabia-lhe a missão de tocar o sino e, por isso, tinha de ter horas certas e sempre à mão.

O jardim era (e é) enorme. Uma casa de madeira, com dois pisos, era o suporte logístico de todas as tarefas que por ali se desenvolviam. Era conhecida por todos como "A barraca do Mimoso". No rés-do-chão guardavam-se as ferramentas e os adubos. Havia uma mesa, grande e vários bancos, tudo de madeira maciça e sem uma ponta de caruncho. Era utilizada para os almoços e as merendas de quem ia trabalhar ao jardim, nos períodos de maior afã. O primeiro andar era a "estufa". Era lá que o Mimoso mantinha os vasos com as flores mais sensíveis, que só apareciam em ocasiões especiais, nomeadamente quando havia visitas importantes e o jardim tinha de ser apresentado num "brinquinho", para ser usufruído e gabado.

Sempre que o S. Pedro se lembrava de mandar chuva, o jardineiro, que dizia não ter "horta nas costas", acrescentava com um sorriso malandreco:

- Vai prá barraca, Mimoso!

E resguardava-se, sentado no banquinho, à espera que o tempo melhorasse. É o que tenho feito nestes últimos tempos, mesmo sem chuva: uma volta ou volta e meia e, recordando, digo para mim ou para quem está perto:

- Vai prá barraca, mimoso.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Contradição

O calendário afirma que chegou o Outono, mas o jardim, teimoso, exibe sinais da Primavera e mantém as flores bem bonitas.



sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Jardim

No passado dia 6, aqui, mostrei que uma velha técnica de tecelagem, conhecida e bem dominada cá pela casa, estava a ser utilizada e desenvolvida para um novo projecto a instalar no jardim, ou melhor, no alpendre de acesso à garagem.

A instalação está pronta! Os cactos, que estavam cansados dos garrafões de plástico, estão a "delirar" com a sua nova "casa" e o resultado, que parece agradar a quem passa, é este:

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Dama-da-Noite

Moro no vaso do canto, junto ao pilar que suporta a varanda da casa, mas não nasci aqui. Trouxeram-me lá do fundo do País, de um lugar onde o Guadiana se espraia beijando as duas margens, oferecendo-se a portugueses e espanhóis sem cuidar de saber se mata mais a sede a uns do que a outros.
Apesar de a viagem ter sido agradável (o carro tinha ar condicionado), vinha com receio do desconhecido e a questionar-me sobre o que me aguardava na nova vida.
O primeiro impacto foi positivo. Agradou-me o local, o carinho com que fui colocada num vaso maior, a companhia de outras flores, todas diferentes, belas e cheirosas. O Sol não era tão forte como na minha terra, de vez em quando a nortada abanava-me e obrigava a algum cuidado, para não perder o equilíbrio e a roupagem, havia menos trânsito e o bulício era bem menor.
Por vezes, a memória agitava-se com recordações dos jardins anteriores, com pouca água, pouco cuidado, pouco alimento, pouca atenção.
Experimentei a crista e o fundo da vaga, tropecei nas pedras, escorreguei nas rochas, caí na areia. Não vou ser capaz ... os ramos partiam-se, as flores caíam, o cheiro evaporava-se, o cão mijava-me o tronco ...
Num olhar em volta, mais atento, a realidade beliscava: ao lado, nas outras flores, também havia fragilidades, tristezas, angústias.
Espreitei o Sol, bebi a água da chuva, encolhi-me com o frio, ouvi as vizinhas, olhei para dentro, espreitei pelo canto, mexi as mãos, cocei a cabeça, esfreguei os pés.
Vamos à vida, que o futuro é hoje!
Exalo perfume, dou flores bonitas, valorizo o jardim!
Sou a Dama-da-Noite ... e gosto de mim!

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Jacarandá

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Já era habitante do jardim há uma boa meia dúzia de anos.

Crescia, engrossava, estendia os ramos, produzia folhas, mas de flores, nada!

Tinha sido plantado para trazer o seu colorido, a sua beleza tão simples e tão vistosa. Ano após ano, a ausência das flores persistia.

"Talvez não seja um jacarandá", murmuravam os cépticos. "É alguma espécie que não dá flor", sugeriam outros, conhecedores de Botânica de ouvido.

De um dia para o outro, o jacarandá floriu! Engalanou-se!

Quis marcar a sua presença, no ano do regresso de um dos frutos e nas vésperas da chegada de novo morador.

Que lindas flores tem o jacarandá!