Confesso a minha ignorância: desconhecia em absoluto Luísa Dacosta e, consequentemente, nunca tinha lido nada da sua obra, em poesia ou prosa. Foi preciso a Visão publicar mais um volume da segunda edição de Poesia + Prosa para, por 50 cêntimos, descobrir A Maresia e o Sargaço dos Dias e, desse conjunto de poemas que retratam muito da vida e do mar, retirar este, cuja sensibilidade interior me dispenso de adjectivar.
PERDAS
Faltam sombras
à minha porta.
Quando a noite desce,
o Joaquim já não vem
espreitar a maré.
Um ataque deixou-o
com o lado direito
esquecido e morto.
Ergue-se a manhã
e a Natália, que o não larga da mão,
não vem beber a malga do café à beirada.
Um dia, também, não estarei mais
para registar as perdas.