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domingo, 24 de agosto de 2025

Inverno

Com Agosto à beira do fim e o Verão a caminhar junto, nota-se menos gente na praia eleita e já se vai comentando que as férias estão a dar as últimas, com o regresso ao trabalho de muita gente, nomeadamente dos que laboram bem longe daqui.

Como sempre, tudo parece ter um fim, o que nos faz encarar a vida pela positiva e pensar sempre que "depois da tempestade, surge a bonança". Será mesmo assim? Não parece!

Da guerra na Ucrânia, por mais "bocas" que o homem da melena amarelada lance, não se vislumbra fim à vista; na faixa de Gaza, outro mentecapto prossegue na destruição de muitos na tentativa de se safar a si próprio; a Europa lança foguetes e corre, desesperada a apanhar as canas. Por cá, apesar dos estudos, das análises, dos meios, das percepções, das cores dos avisos, dos heroísmos, das tardias ajudas, das festas e romarias com gin à mistura, os fogos continuam a destruir sem dó nem piedade uma parte significativa do país e a ceifar vidas.

Que o Inverno chegue depressa! 

sexta-feira, 15 de julho de 2022

A arder

Os incêndios têm assolado todo o país. Fazem primeiras páginas, abrem e fecham telejornais, dão protagonismo a gente que, se preciso for, se coloca em bicos de pés apenas para trinta segundos de fama e exibição. Surgem soluções miraculosas, apontam-se caminhos, replicam-se estratégias, tudo igualzinho ao que se ouve há vários anos.

"Acabou" a guerra, a esperada inflação foi subtraída, os fundos da "bazuca" resguardados no cofre, as tricas políticas perderam protagonismo, cessa "tudo que a antiga musa canta / que outro valor mais alto se alevanta".

É o fogo, a lavrar por sítios de acessos dificílimos, escassez de tudo, com operacionais cansados, ausência de meios aéreos, pânico entre os que sentem as chamas incontroláveis a chegar e o repórter a incomodar, rescaldos, o fumo vê-se bem daqui como mostra o nosso operador, a chama está a consumir esta acácia que tem mais de quatro metros de altura, o vento mudou de direcção e obrigou ao reposicionamento das forças em presença, os números, a linguagem, o mesmo do ano passado e do outro e do outro... As câmaras registam, o repórter relata, os "sabões" comentam no estúdio, os responsáveis pelo comando do teatro das operações divulgam números e indicam que novas estratégias estão a ser equacionadas.

Vão sobrando alguns, poucos, bocados de floresta que o fogo não consome, graças, na maioria dos casos, à sorte, porque ingredientes não lhes faltam, do mato aos caniços, dos fetos amarelos às ervas enormes e bem sequinhas, tudo à espera que um fósforo os coloque a arder, em conjunto com muitos milhões de euros que, anualmente, se consomem nos combates.

domingo, 10 de julho de 2022

Clima

Contado ninguém acredita ... após três dias de calor intenso e mar encapelado, a Foz apresentou-se hoje de "capacete", ventinho norte e mar chão. No seu melhor, só surpreendendo quem a não conhece.

Pelo resto do país continua o calor abrasador, com o fogo a destruir a floresta e a ameaçar habitações, como sempre. As reportagens surgem fortes, com números de viaturas e de operacionais a ilustrarem a gravidade da situação e a demonstrar quão insuficientes se mantêm os meios postos à disposição dos actores nos teatros de operações, sempre colocados em prontidão atempada e chegando aos locais de forma atrasada. Abrem-se telejornais, com conferências de imprensa constantes, culpando a negligência de todos e de cada um, ilustradas em meio écran por populações em pânico agarradas a manguerinhas de jardim. São constantes os lamentos da impossibilidade de combate por dificuldades de acesso e  ausência de meios aéreos. "Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes".

No final do Verão terão ardido mais uns milhares largos de hectares de floresta, nomeadamente de eucaliptal, far-se-á um balanço onde serão registadas algumas melhorias em relação ao ano transacto, ilustradas por percentagens elucidativas do progresso conseguido e pela necessidade, imperiosa, de reforçar os meios de combate disponíveis e a coordenação efectiva de todas as forças, para que a situação não se repita. Será equacionada, uma vez mais, a reflorestação com espécies autóctones e a criação de estradões que facilitem o acesso e o combate. Também se dará ênfase à vigilância, fundamental para que os meios em prontidão cheguem rapidamente aos locais onde são necessários.

A preocupação com o calor e as suas consequências é notória e, por isso, o Primeiro-Ministro cancelou a viagem prevista a Moçambique. Ficou claro que a sua presença no nosso país é não só fundamental com essencial para que não haja descoordenação na "guerra" e muito menos no Governo.

Atento, como sempre, o Presidente da República seguiu-lhe as pisadas e já não vai aos Estados Unidos. Não porque não tivesse lá almoço, mas apenas por ser imprescindível na "guerra" dos fogos que está em marcha, e que, infelizmente, parece, tal como a outra, não ter fim à vista. A presença do PR é essencial para dar as notícias, estabelecer a táctica e garantir resultados.

Não será por falta de atenção de quem governa que o país arderá.

sábado, 28 de agosto de 2010

Fogos e alertas

As chamas continuam a consumir as matas nacionais, não fazendo distinção entre parques naturais, paisagens protegidas, mato rasteiro, carvalhos, pinheiros ou eucaliptos.
Na mesma senda da repetição, os orgãos de comunicação social fazem eco das cores dos alertas da Protecção Civil, do número de homens envolvidos no combate, dos meios terrestres e aéreos, numa contabilidade absurda e massacrante que o Ministro completa determinando percentagens sobre o que ardeu a menos, rebuscando estatísticas até encontrar resultados positivos.
Entretanto, ainda ontem na A8, presenciei o comportamento de uma condutora que, no exacto momento em que a ultrapassava, deitou pela janela a beata do cigarro com que, por certo, se tinha acabado de deliciar.
Fica a pergunta: se a Protecção Civil utilizasse os orgãos de comunicação social para emitir comunicados didácticos, apelando ao civismo, à educação para o bem de todos, ao respeito pela natureza, responsabilizando os maus comportamentos, não obteríamos melhores resultados do que com o contínuo bombardeamento de números e cores de alertas?