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quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Língua

Concluo, muitas vezes, que estaria na hora de voltar às aulas de Português, se a saudosa Doutora Elvira pudesse voltar a ministrá-las e a reforçar-me, se necessário fosse, o gosto pela língua, do vocabulário à ficção, da leitura de prosa ou de poesia e, sobretudo, dos cuidados a ter com a escrita e com a fala.

- Se não há certezas, não escrevam nem digam. Vão procurar saber a forma correcta antes de dizerem ou escreverem asneiras.

Procurei seguir sempre o sábio conselho.

Hoje fui, uma vez mais, surpreendido com a minha ignorância. De acordo com a Sic Notícias, um autocarro sem condutor desgovernou-se e albarroou um táxi que se encontrava estacionado junto à Gare do Oriente. Do albarroamento não resultaram quaisquer (vá lá, não foram quaisqueres) vítimas, estando já em curso um rigoroso inquérito por parte da empresa proprietária do autocarro, para apuramento dos motivos e das responsabilidades do albarroamento. Durante os dois ou três minutos em que o jornalista esteve de microfone na mão, várias vezes abalroou a língua que devia dominar em pleno. Da segunda vez que interveio, repetiu a proeza.

Tudo isto trouxe-me à memória um velho treinador de futebol que, tal como a minha dilecta professora, já cá não está para confirmar.

- Ó menino, não inventes! Joga só o que sabes!

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Homofonia

muito que a senhora professora queria desafiar os seus alunos e levá-los à descoberta de situações específicas da língua portuguesa, que a tornam tão rica.

Naquele dia resolveu seguir o conselho do inspector do concelho com quem, na semana anterior, tinha trocado umas ideias sobre o que lhe ia na cabeça e sentido um apoio incondicional à ousadia, sem nenhuma objecção.

Depois de permitir que os meninos saltassem a barreira de buxo existente no recreio, aguardou que enchessem o bucho com o lanche da manhã e voltassem a entrar na sala de aula.

Já com todos refastelados nos respectivos assentos, dirigiu-se ao quadro negro e, pegando no giz, nele inscreveu a palavra  VITÓRIA, não olvidando o necessário acento, fundamental para lhe dar o sentido pretendido. Disse-lhes que aquela era a palavra que serviria para premiar o aluno que, sem qualquer ajuda, conseguisse citar o maior número de palavras homófonas.

A sua voz foi clara quando proclamou:

- Sois vós que deveis tentar descobrir o maior número delas, num máximo de seis. A vitória será da turma, se todos conseguirem chegar ao resultado pretendido.

Os alunos sentiram que o desafio era enorme, tão grande como a hera que subia pelas paredes da escola e quase a cobria.

- Tenham bom senso em todas as respostas e tenham presente que eu farei o censo de todas elas com a maior atenção e informarei o inspector concelhio. 

Os alunos mostraram grande excitação pelo desafio, que se apresentava muito diferente do que era habitual.

- As respostas devem ser escritas num papel, com o nome de cada um, e dobrado em quatro partes. Deverão colocar os papelinhos no cesto que se encontra na secretária e, ao sexto papel, a prova acaba. O objectivo é que todos respondam, pensando muito bem nas respostas que darão e tentando apenas utilizar as certezas que tenham.

O Carlinhos estava delirante. Lembrou-se logo que o paço do seu vizinho era uma construção enorme, com jardim e tudo, e que ele costumava sair de casa, logo pela manhã, em passo acelerado. Escrito e dobrado o primeiro papel, a tarefa tornou-se mais difícil e o Carlinhos segurou a cabeça com a mão esquerda, esperando que o lápis lhe desse outras hipóteses.

Pensou, coçou a testa, mudou a mão que segurava a cabeça e esta negava-lhe resposta. Com apenas um papelinho, ficaria entre os últimos, ele cuja ambição era sempre ganhar. Pensou, meditou e, de repente:

- A minha mãe esteve ontem a coser as minhas calças, enquanto, no fogão, o peixe estava a cozer para o jantar. Mais duas ... Faltam outras tantas.

Lá fora, o cavalo passou a galope. O cavaleiro ia bem sentado na sua sela, evidenciando o seu garbo equestre. Todos os alunos levantaram os olhos e invejaram o seu porte, a sua elegância e destreza, a liberdade de que usufruía. Só a professora conheceu o cavaleiro e sabia que ele tinha estado encerrado numa cela da prisão, de onde tinha saído nessa manhã.

Não disse nada. A tarefa foi concluída por todos mas nenhum conseguiu as seis palavras! 

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Escutas

Da farmácia saiu a mais velha e mais adiposa. Aparenta ser quarentona e muito atenta a tudo o que a rodeia. Os seus olhos perpassam pela paisagem e alcançam a outra num relance, ainda que houvesse quinze ou vinte metros a separá-las. Esta caminhava com alguma pressa, parecia mais nova e um pouco desengonçada, com os cabelos louros com raiz castanha a esvoaçarem.

- Que surpresa! Ainda bem que vim à farmácia ...

Depois da efusiva troca de beijos, a necessidade de pôr a conversa em dia fez-se sentir e surgiram as perguntas da praxe, desde " o que tens feito", até ao "como estão vocês", passando pelo "com saúde, isso é qu'interessa".

Os decibéis são elevados e mesmo dentro do carro ouve-se e entende-se tudo sem qualquer dificuldade.

- 'Tá alguém doente?

Exibe a caixa do medicamento.

- É para o meu gato.

- E vende-se na farmácia?

A atenção redobrou, embora a aproximação e o volume o dispensassem.

- Claro! Até pedi à médica de família que me passasse a receita, mas a p..a respondeu que a lei não deixava.

- Leis do c.....o ...

 - Já viste ... tive de pagar tudo!

O tempo, o corona, a praia, os preços, as férias que ainda não chegaram,

- Hoje 'tou de folga.

- Ta'mem eu!

tudo foi motivo de conversa gritada e a correr, que o tempo urge. O vernáculo sempre presente, para ilustrar a cena e demonstrar a quem ouve que as mulheres também o dominam. Haja igualdade ...

Despediram-se com grande entusiasmo, preconizando um próximo encontro com a presença de todos e uma boa patuscada.

- E uns copos valentes ...

- A gente precisa é disso!

Desapareceram tão depressa que nem tive tempo de aconselhar: talvez seja melhor pedir a receita à médica de família, não vá o vinho ser azedo e fazer mal ao estômago.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Sinónimos

A tasca era o centro de convívio, exclusivamente para homens, e na qual as mulheres só entravam, excepcionalmente, quando já noite fora e por força dos copos entornados, os maridos não conseguiam ter trambelhos para voltar ao ninho.

Todas tinham aspecto mais ou menos parecido, com duas ou três mesas no interior, entre a parede de fora e o balcão, comprido, que ocupava sempre toda a largura da loja. A entrada de quem trabalhava fazia-se por uma pequena "porta", sempre lá ao fundo, meia disfarçada que quase se não dava por ela.

Atrás do balcão, para além do taberneiro, que a todos servia, solícito mas sem grandes conversas, estavam as pipas, a grande ao meio e, em escada, mais três ou quatro de cada lado. O tonel maior era mais motivo decorativo do que utilitário. O vinho distribuía-se pelos mais pequenos e nem todos eram utilizados. A pipa grande ostentava, pendurado, um azulejo com bordadura "bordaliana" que, ao centro, tinha uma inscrição, em bonitas letras pretas:

"O que está não fia! O que fia não está!"

Quando passava, o Carlinhos mirava com toda a atenção o que se passava no interior da tasca. E o que via: o taberneiro numa roda viva a servir copos cheios de vinho tinto, que os homens, sôfregos, despejavam pela garganta abaixo. Nas mesas jogavam-se cartas e dominó, discutia-se muito, faziam-se silêncios, bebia-se de novo, voltava-se à discussão.

O azulejo intrigava. "O que está não fia?". Mas não se via por ali nenhum tecido, muito menos um tear. E aquilo confundia-o e perturbava-o o desconhecimento. Imaginava fundos falsos, gavetas enormes, talvez até algum sótão escondido. Um dia espreitou e, sorte, o taberneiro estava só. Entrou, cheio de coragem.

- Bom dia, Sr. António.

- Bom dia, Carlinhos. Olha que isto ainda não é para a tua idade. 

- Eu sei e não quero vinho nenhum. Só queria que me explicasse como se fia aqui, se não vejo nem tecido nem tear? 

A gargalhada foi imediata e exuberante. Exasperou-se o Carlinhos, ansioso pela resposta.

- Este "fia" não é do "fiar" que tu conheces. Também se diz quando alguém quer comprar qualquer coisa e não tem dinheiro para pagar. Pede fiado, comprometendo-se a pagar mais tarde.

- ???

- Ora eu não tenho dinheiro que me permita esperar pelo pagamento que, em alguns casos, não chega a aparecer. Tenho de receber logo, para poder pagar a quem me vende o vinho. Daí o aviso. 

- Percebi e aprendi hoje, na taberna, que uma palavra tem, muitas vezes, mais do que um significado. Obrigado, Sr. António. Vou ler mais! 

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Tolices da língua

A sede do concelho ficava a cerca de légua e meia do lugar onde morava. Os caminhos para lá chegar não eram nada agradáveis de percorrer, íngremes, cheios de socalcos, com pedra solta e barro com fartura, consumiam sempre duas horas bem medidas, a andar bem, claro. Só lá se deslocava para pagar a décima da casa e das duas courelas que lhe tinham cabido em herança, ou para qualquer outro assunto oficial a que não conseguisse escapar. À cautela, fazia os possíveis por não ter problemas com as autoridades, fechando-se no seu casulo e nas terras que lhe garantiam o pão.

Agora não podia adiar mais. A filha tinha nascido em Janeiro e já íamos Março dentro. Meteu-se ao caminho, com uma saca de serapilheira dentro do saco que levava a tiracolo. A saca de capuz era essencial para prevenir o Março, marçagão. 

Ainda não eram nove horas quando chegou junto à porta, fechada, do Registo Civil. Esperou, descansando da caminhada e aproveitando o sol que brilhava com intensidade. Talvez chovesse de tarde, para contrariar o ditado, mas a manhã estava linda. Um senhor assomou à porta, camisinha branca, gravatinha preta, colete com corrente de relógio e os manguitos de seda, também pretos, que davam distinção e prestígio à função.

- O que quer?, ouviu sem sequer ser antecedido de um bom dia, como sempre acontecia lá no lugar. Paciência, pensou, as pessoas importantes não perdem tempo com ninharias ...

- Venho dar a minha filha ao "registro" ...

- Quando nasceu?

- Faz hoje dois meses.

- Já devia ter vindo. Agora tem de pagar cem escudos de multa.

A cara de espanto deve ter comovido o funcionário.

- Há uma forma de não pagar a multa. Declara que a rapariga nasceu a 13 de Fevereiro e fica resolvido.

- 'tá bem. Se pode ser assim ...

- Como se chama a mãe?

- Maria da Visitação.

- E o pai?

- "Jaquim" Piedade.

- E a miúda?

- Sei lá ... olhe, "prante-lhe" Ana, que é o nome da avó. 

Pagou o que lhe foi pedido, com gorjeta, e recebeu a ordem para voltar daí a quinze dias, a recolher a cédula.

Os anos passaram. A miúda fez-se mulher, com o suplício do registro sempre presente.

- Como se chama?

- Prantelhana da Visitação Piedade.

- Nome esquisito ... e quando nasceu?

- Parida a 13 de Janeiro, mas no papel consta 13 de Fevereiro de 1940.

domingo, 8 de novembro de 2020

Língua

As  viagens  são assim, meu caro amigo, sabemos
do seu propósito apenas depois de regressarmos. 
Mia Couto
O mapeador de ausências

Por força das circunstâncias do trabalho paternal, conheci a cidade do Porto ainda bastante novinho e antes de visitar a capital.

As viagens, e foram várias, eram sempre uma aventura, com o caminho quase todo percorrido de noite, na maior parte do tempo a dormir enrolado na manta e a ser acordado com o clarear do dia, já quase a atravessar o Douro, pelo tabuleiro superior da Ponte D. Luís. As obras da Ponte da Arrábida já estavam a surgir lá ao fundo e, mal se avistavam, surgia a explicação, 

- qualquer dia, será por ali que passamos o rio.

A travessia, no regresso, era efectuada pelo tabuleiro inferior, para que os olhos se espantassem com a altura da ponte e houvesse a sensação, estranha, de que, lá por cima, estavam carros a passar e nós também por lá tínhamos passado, bem cedo. O armazém de destino era na Rua Justino Teixeira e nele havia muita gente a trabalhar, descalça ou com tairocas. Falavam muito, e alto, e tinham sempre uma graça, com aquela pronúncia tão esquisita, para dizer ao puto que tinha bindo lá de vaixo. Como acontecia sempre, serviço terminado e regresso empreendido de imediato, que a jornada era longa e ainda havia a paragem para reconfortar o estômago, nessa época sempre carente e nunca saciado.

O restaurante escolhido foi o de Vendas de Grijó, terreola que, naquele tempo, já era bem fora da grande cidade. Julgo que se chamava Atlântico, mas não garanto. Lembro-me, sim, de ser num primeiro andar, ter muitas mesas e uma menina de avental a trazer a comida, sempre com um sorriso nos lábios. O prato do dia era língua de vaca estufada, com ervilhas. Não me recordava de alguma vez ter comido língua de vaca, estufada ou de qualquer outro jeito. Lembrava-me, sim, de muitas vezes me perguntarem

- o gato comeu-te a língua?

E de isso me perturbar bastante. Comi. E soube-me bem. Mas foi sol de pouca dura. Não passou muito tempo até surgirem primeiro, as náuseas, depois, suores frios, a seguir, dores na barriga. E houve carga ao mar, uma vez, duas vezes, várias vezes. Andavam-se meia dúzia de quilómetros e

- Pai, pára

Uma garrafa de Água das Pedras, num café habitual da Tocha, trouxe algum alívio e permitiu o resto da viagem sem novas paragens. O cházinho da mamã haveria de completar a cura.

Nunca mais comi língua, de vaca ou de qualquer outro animal. Ainda hoje me sinto agoniado só de pensar ... 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Língua Portuguesa

Ontem, a propósito do Dia Mundial da Língua Portuguesa, deixei por aqui alguns excertos de meia dúzia de escritores, dos quais gosto bastante. À noite, quando tentava fazer o resumo do dia de "trabalho" na quarentena, dei por mim a pensar como tinha sido extremamente injusto para com tantos autores que conheço bem, convivem comigo há muitos anos e fazem parte da minha "mobília". Devia ter-me limitado a congratular-me com a distinção e não fazer o que fiz.
Porque nas citações não estava Torga, Agustina, O'Neill, Natália Correia, Pessoa, Eça, Jorge Amado, Lobo Antunes, Sophia, Maria Teresa Horta, Teolinda Gersão, Almeida Faria, Camilo, Bocage, Manuel Alegre, Miguel Sousa Tavares, Carlos de Oliveira, Alves Redol, Chico Buarque, Clarice Lispector, Nemésio, David Mourão-Ferreira, Eugénio de Andrade, Namora, Ferreira de Castro, Fiama, Hélia Correia, Filomena Beja, Graciliano Ramos, Herberto Helder, Vergílio Ferreira, Urbano, Teresa Veiga, Sebastião da Gama, Ruy Belo, Gedeão, Rodrigo Guedes de Carvalho, Pepetela, Mário de Carvalho, Onésimo, Ondjaki, Paulina Chiziane, Natália Nunes, Milton Hatoum, Mário Cláudio, Rodrigues Miguéis, Jorge de Sena e tantos, tantos outros, que me apetece tirar uma listagem do registo informático e pespegá-la aqui. 
A língua portuguesa é maravilhosa e há tanta gente a escrever bem!

sábado, 28 de julho de 2018

Língua Portuguesa

Num dia lê-se no rodapé de um telejornal "clipse" em vez de eclipse; noutro chama-se "imigrante" a um emigrante; noutro ainda ouve-se que "quaisqueres" das soluções são possíveis. 
A perplexidade com o tratamento público que a nossa língua vai tendo onde deveria haver extremo cuidado cria, num velho que tanto procurou (e ainda procura todos os dias) conhecê-la, um sentimento de desgosto, pena e dó que "hadem" servir de pouco, ou melhor, de nada.
Apesar de tudo, ainda se mantêm alguns "nadadores" que procuram evitar que o afogamento aconteça.
Miguel Sousa Tavares é um deles e esta semana, a propósito da polémica de "Os Maias" nas escolas, escreve, no Expresso, de acordo com a antiga ortografia, esta maravilha:

"(...) E agora vêm "Os Maias", cuja leitura fica ao critério das escolas - onde, aliás, esta e outras leituras ditas obrigatórias, já eram aprendidas em textos resumidos ao alcance do nível de preguiça instalado na cabeça das criancinhas. "Os Maias", caramba! O mais fácil, o mais sedutor, o mais actual romance da nossa literatura! Se nem ao Eça chegam, como poderão chegar um dia a Camilo e descobrir como esta nossa língua, tão mal tratada nas escolas, nas televisões, no Acordo Ortográfico, nas redes sociais, nas novelas, já foi um dia uma língua de uma riqueza deslumbrante? Nestes tempos do facilitismo irresponsável, pensei durante muito tempo que, pelo menos, haveria uma recompensa para os que fugissem à regra da facilidade e da alarvidade reinante: que o futuro pertenceria, não a quem tivesse mais canudos ou mais dinheiro, mas a quem tivesse mais conhecimentos e mais cultura. Todavia olhamos para o mundo como ele está, vemos o triunfo dos que hoje mandam no mundo e somos forçados a perceber que já nem isso é uma esperança. Quando a maioria é formada na ignorância e é a maioria que escolhe quem manda, manda a ignorância.(...)"

Nota: Li "Os Maias" há mais de 50 anos, emprestado pela "carrinha" da Gulbenkian. Os meus filhos já o tiveram em casa e o exemplar está cheio de anotações. Irão lê-lo os meus netos?

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Aprender ... sempre

Porque não pertenço à "multidão que, tendo caído no caldeirão, já sabe tudo de antemão", transcrevo, com a devida vénia, a admiração imensa e o respeito por quem sabe, a crónica de Miguel Esteves Cardoso no Público de ontem:

"Estamos todos a aprender a falar e a escrever português, excepto aquela abençoada multidão que, tendo caído no caldeirão, já sabe tudo de antemão. Sendo omnisciente, não precisa de dicionários ou de livros sobre língua portuguesa. Sendo jovem e despreocupada, basta-lhe a erudição monumental da Internet. Para quê esfoliar a pele dos dedos a folhear (ou, como eles dizem, a desfolhar) pesados cartapácios (eles dizem catrapázios), quando bastam duas carícias no teclado para esclarecer logo todas as dúvidas num dos magníficos dicionários digitais que até fazem o favor de validar os erros mais populares dos internautas?
Claro que já não se passa sem a Internet, mas é preciso cuidado. Já há um ditado e tudo: "Se queres aprender bom português, cinge-te ao Ciberdúvidas, ao Chove Chove e ao Hélder Guégués". 
Foi no excelentíssimo Chove Chove, que tanta coisa boa me tem ensinado que soube do Dicionário de Erros Frequentes da Língua de Manuel Monteiro, publicado em 2015. Li-o de uma assentada, chocado com a quantidade de erros que me acompanhou (ou acompanharam?) à minha formidável idade, entendendo-se este último adjectivo como sinónimo de assustadora.
Se eu mandasse neste país, ofereceria um exemplar desta obra-prima da língua portuguesa a todos os portugueses com mais de 8 anos. Nunca um livro divertiu e ensinou tanto. É devastadoramente útil e urgente. É uma apaixonante e inteligente declaração de guerra à ignorância, à preguiça, à complacência e à estupidez.
Precisamos todos dele."

A começar por mim ...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Língua portuguesa

O desenvolvimento frenético que o mundo regista obriga a que todos estejamos atentos ao que se passa à nossa volta, na procura da actualização constante das vertentes profissional e/ou pessoal, sendo certo que, por maior que seja o esforço, o saber há-de ser sempre infinito.

A actualização desse "saber" está na ordem do dia e há especialistas que se dedicam à causa de "alma e coração", debitando a sua sapiência salpicada de "inglesismos" e com a ajuda do inevitável "powerpoint".

Eis senão quando "no melhor pano cai a nódoa" … e aquilo que parecia uma aula bem estudada e alicerçada num saber motivador, transporta a "conjectura" do país como um facto bem interessante de seguir na conjuntura da formação, conjecturando quantas vezes a "conjectura" irá estar presente no lugar da conjuntura, que primou pela ausência.

Contei várias!