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segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Habilidades

A fila para a caixa do supermercado tem três ou quatro pessoas. À minha frente, um casal, acompanhado da filha, bem jovem, aguarda a disponibilidade da passadeira para colocar as suas compras. Não demorou muito e ele começou a descarregar o carro, dos pequenos. A mulher "admira" o telemóvel, passando o dedo a grande velocidade. A filha "absorve" um doce branco, fino e comprido que parece ser um poço de açúcar.

- Sabes bem que isso te faz mal aos dentes, mas és teimosa ...

- Não me fales em dentes, que fico em pulgas, diz a mãe exibindo uma dentadura com falhas visíveis a olho nu.

Compras colocadas, o carrinho colocado no sítio devido, dentro do último que lá se encontra. A empregada carrega no pedal, a passadeira desloca-se e abre espaço para a meia dúzia de produtos que irei pagar. O meu carro segue o caminho do anterior mas ... há uma lata, grande, bem lá no fundo.

- Desculpe, aquela lata não é sua?

- É, é. Bebi o sumo e esqueci-me dela ali e ... afinal até ainda tem um bocadito.

Passa a lata à mulher, que já está para lá da menina da caixa. Sempre com os olhos no telemóvel, bebe o resto da lata e coloca-a no saco onde a mão disponível vai pondo as compras.

A lata não apitou na caixa e a menina não viu ou fez que não viu. Era o que eu devia ter feito, mas não resisti. Mau feitio ...

É preciso lata!

domingo, 6 de novembro de 2022

Escola imaginária

Tudo parecia indicar tratar-se de uma aula normal, igual a tantas outras daquelas em que se fazem resumos da lição anterior, se esclarecem algumas dúvidas e se transmitem aos atentos alunos alguns conselhos e afirmações tendentes a despertar interesses, catapultar desejos, fomentar estudo e trabalho, em suma, uma conversa cheia de palavras e vazia de conteúdos. Ou, como diria o outro, "para cúmulo da chatice, tanto falou e nada disse".

Parecia, mas não aconteceu. O senhor professor teria almoçado mal, passado uma noite em claro ou estar toldado com algumas das muitas preocupações que lhe devem consumir quase todos os recursos cerebrais e, do alto da sua cátedra, esteve desastrado e muito pouco feliz na forma como, perante uma assistência de alto gabarito, se dirigiu à aluna, advertindo-a sem aviso, sem dó e nem uma pontinha de piedade. 

- A menina fique sabendo que eu não lhe perdoo se não souber, de cor, a tabuada dos oito e os afluentes do Douro. Espero que a menina tenha tudo na ponta da língua e que, no dia do exame, ele apareça resolvido com cem por cento de aproveitamento. Não há desculpas para não executar o seu trabalho, tanto mais que só veio para a escola porque quis, não foi obrigada. E deixe-me também dizer-lhe que, se assim não acontecer, abro a gaveta da secretária, saco a régua que por lá está sempre à espera e as suas mãos não mais a esquecerão. Recomendo-lhe juizinho e, fique sabendo, na próxima quarta-feira, na reunião com o seu encarregado de educação, vou transmitir-lhe, tim-tim por tim-tim o aviso que agora lhe deixo.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Lixos

As garrafas de cerveja, vazias, os maços de tabaco, vazios, as embalagens de iogurtes, vazias, os jornais, poucos, os excrementos dos animais, muitos, as "beatas" dos cigarros, muitas, o papel pardo que embrulhou a sandes, o saco de plástico já utilizado, a caixa de cartão onde vinha o brinquedo, a máscara utilizada, o guardanapo de papel que serviu para limpar os beiços ou qualquer outra parte, tudo isto faz parte da paisagem usufruída por quem ousa andar pela cidade sem ser de carro.

Se se perguntar a todos e a cada um, ninguém acha normal e todos referirão, até, que nunca o fazem. E o raio do lixo aparece, talvez caído do céu aos trambolhões ou deixado por algum ET distraído e com pressa de regressar ao seu planeta. Até na praia, onde toda a gente anda descalça, felizmente não por necessidade mas apenas pelo prazer de pisar a areia e sentir a água, o lixo está sempre presente. A garrafa enorme, que o pescador levou para lhe fazer companhia e que dela se "esqueceu", a caixa dos anzóis que já não os tem e, por isso, se deita fora, o saco que levou a marmita e algum resto dela, se o mar o não levou. Tudo se encontra, sem sequer procurar muito.

Continua a não existir respeito pelos outros e pelo espaço que é de todos. A carapuça é para quem a enfia, mas talvez se justifique espalhar cartazes à laia de sinais de trânsito, bem visíveis, com a mensagem:

Eduque-se. Não seja PORCO. Leve o lixo consigo e coloque-o no caixote.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Teatro

Paralelamente às desgraças que por aí andam, as notícias de hoje trouxeram a boa nova segundo a qual o TEATRO, a partir do próximo ano lectivo, passará a integrar o ensino articulado, a par com a Música e com a Dança, o que registo com enorme agrado. Tenho sempre presente a minha insignificante ajuda para que o ensino articulado da Dança pudesse ter lugar nesta cidade. E já lá vão muitos anos.

É mais um passo na democratização do ensino e na possibilidade de a Escola ser o elevador social que se pretende e anseia há muito, muito tempo.

Mesmo com a consciência de que não basta decretar para que aconteça, o passo está dado e o caminho aberto. E isso trará muita gente disponível para aprender e muita outra para ensinar, transmitir, cativar e criar condições para que o acesso à cultura e o seu estudo façam aparecer gente mais civilizada, mais respeitadora dos outros, mais inteligente e mais compreensiva.

E uma porta se vai abrir às novas gerações e estas irão garantir, tenho a certeza, um futuro mais culto, mais responsável, mais solidário, digo eu, que sou "achista" sem conserto.

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Educação ou a falta dela

Por vezes parece que estamos mais rudes, menos educados, mais porcos. 

O novo MacDonald's da cidade tem sempre clientes, de manhã à noite, até ontem em regime de take-away e, a partir de hoje, em funcionamento normal, com restrições de número, como qualquer outro restaurante. Os clientes são muitos, sinal de que gostam da comida e são bem atendidos. Não posso fazer outra coisa que não seja conjecturar, por ainda lá não ter entrado e, aqui para nós, dificilmente isso irá acontecer. Mas não tenho nenhum preconceito. Não gosto, pronto.

A caminhada da manhã mostrou como há quem permaneça insensível ao espaço que o rodeia e faça lixo para outrem limpar. Em todo o estacionamento eram visíveis os restos de domingo e, num espaço em particular, havia restos de comida, embalagens e até fraldas de bebé.

Na volta, lá andava a empregada do restaurante, vassoura numa mão, pá na outra e saco às costas, a limpar a porcaria que um ou mais energúmenos, clientes da sua entidade patronal, tinham feito.

Nunca mais lá chegamos ...