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quinta-feira, 19 de março de 2026

Dia do Pai

Hoje é o dia de todos os pais, incluindo um especial: o meu! Se (ainda) por cá estivesse, comemoraria o seu 104º. aniversário. Nas palavras de Torga, sempre actuais, fica a homenagem devida. 

VOZ DE COMANDO

Amanhece.
Erguei-vos, corpo e alma, combatei!
Juntos, como num rio
Águas da planície e da montanha,
Aliados, correi
à batalha do mundo, que se ganha
No mundo.

Mundo cruel e duro, mas que eu amo,
Apaixonado pelos seus encantos.
Visito-lhe os recantos,
Sonho um abraço que o abarque todo.
De vez em quando há lodo
Nos baixios,
Mas olho os montes, limpos, preservados
Na sua altura.
E renasce-me a esperança ao vê-los debruados
De rebanhos e neve - a máxima brancura.

Penas do Purgatório
Miguel Torga
Coimbra (1954)

quarta-feira, 19 de março de 2025

Dia do Pai

Logo pela manhã, bem cedo, os meus filhos deram-me os bons dias, um lá de longe, bem longe, a outra bem perto, numa visita relâmpago antes da labuta.

Eu, que já não posso dar os parabéns ao meu - faria hoje 103 anos -, deixo-lhe um pequeno poema do grande Torga.

MEMÓRIA

Chove.
Mas, afinal, já chove há muitos anos ...
O mundo dos meus pés nunca se move
Sem chuva, tristezas e desenganos ...

Apesar disso, 
Lembro-me perfeitamente bem
Do luminoso sol de certo dia ...
Um lindo sol que doirava
Num toco que rebentava
Uma folha nascia.

Diário I
Miguel Torga
Gráfica Coimbra

terça-feira, 19 de março de 2024

Dia do Pai

Ainda que as comemorações deste tipo não sejam o meu forte, hoje é, efectivamente, o Dia do meu Pai. Completaria 102 anos dum "saber da experiência feito", consolidado à custa de muito trabalho, desde a meninice.

domingo, 19 de março de 2023

Dia do Pai

Se (ainda) por cá estivesse, o meu pai celebraria hoje 101 anos e apagaria as velas do bolo com a gana e a vontade que sempre o nortearam numa vida de duração significativa, com muito trabalho esgotante e, por vezes até, escravizante.

FOLHINHA

Murchou a flor aberta ao sol do tempo.
Assim tinha de ser, neste renovo
Quotidiano.
Outro ano, 
Outra flor, 
Outro perfume.
O gume
Do cansaço
Vai ceifando,
E o braço
Doutro sonho
Semeando.

É essa a eternidade:
A permanente rendição da vida.
Outro ano,
Outro flor,
Outro perfume,
E o lume
De não sei que ilusão a arder no cume
De não sei que expressão nunca atingida.

Miguel Torga
Orfeu Rebelde
Gráfica de Coimbra (1992)

sábado, 19 de março de 2022

Dia do Pai

Neste dia do pai, o meu faria 100 anos - um século -, se não tivesse partido.

TREVAS

Bato à porta da minha solidão,
E ninguém abre!
Na grande noite que me rodeou,
Quem vinha ao meu encontro, desviou
A direcção fraterna da ternura ...

Trevas - é o que ficou
Na concha de que fiz a sepultura.

Cântico do Homem
Miguel Torga
Coimbra (1974)

segunda-feira, 22 de março de 2021

Tempo

Já não lembro com precisão quando foi e porque foi, mas tive o primeiro relógio bastante novo. Talvez doze ou treze anos, o que, na época, era um grande privilégio. Foi oferta do meu pai, por certo para premiar algum feito escolar que devo ter realizado e mereceu a recompensa.

Nunca mais deixei de usar relógio, primeiro no braço esquerdo e aí por volta dos 18 anos, no braço direito, por me parecer mais fácil de consultar. Já passaram pelos meus braços muitos exemplares, desde os que exigiam corda manual, diária, aos que o balanço do braço mantinha "vivos", aos mais recentes, sofisticados e impiedosamente certos, desde que a pilha estivesse em condições, situação que se resolvia com uma simples ida ao relojoeiro, para substituir.

Esse instrumento arcaico chamado relógio foi substituído no passado dia 19, Dia do Pai ou dos Pais, como parece ser chique dizer agora. Os meus netos ofereceram-me um monitor de actividade física. Não é um relógio, mas dá as horas de todo o mundo; tem calendário perpétuo, que sabe quais são os meses de 30 e os de 31 e não tem dúvidas sobre quando o Fevereiro tem 29 dias; conta todos os passos que dou e transforma-os em distância, sem necessidade de agrimensor; mostra as pulsações e diz-me quantas horas dormi e destas, quantas foram de sono profundo; analisa o stress diário e ainda deve fazer mais coisas, que irei descobrindo. De tudo faz estatísticas e elabora gráficos. Se eu pretender, até me avisa quando o telefone toca ... sem o Matos Maia, claro, que esse era do antigamente!

E lembrar-me eu que o meu avô usava um "cebola" no bolso do colete, preso num botão do mesmo por uma corrente de "prata" e que o polegar e o indicador muito labutavam naquela carrapeta para o manter "vivo".

sexta-feira, 19 de março de 2021

Dia do Pai

O meu pai dizia. com frequência que:

- É bom chegar a velho mas não é bom ser velho.

Tinha toda a razão, acrescento eu. Faria hoje 99 anos.

terça-feira, 19 de março de 2019

Dia do Pai

Dia do Pai.
O meu, se ainda por cá estivesse, faria hoje 97 anos.

CLARO - ESCURO 

Dia da vida,
Noite da morte ...
O verso
E o reverso
Da medalha.
E não há desespero que nos valha,
Nem crença,
Nem descrença,
Nem filosofia.
Esta brutalidade, e nada mais:
Sol e sombra - o binómio dos mortais.
Só que o sol vem primeiro,
E a sombra depois ...
E à luz do sol é tudo o que sabemos:
Juventude,
Beleza,
Poesia,
E amor
- Amargo fruto que na sepultura,
Em vez de apodrecer, ganha doçura

Miguel Torga
Orfeu Rebelde
Coimbra Editora (1992)

sábado, 19 de março de 2016

Dia do Pai

Hoje é (era) o Dia do (meu) Pai!

Ponta Seca

Remendo o coração, como a andorinha
Remenda o ninho onde foi feliz.
Artes que o instinto sabe ou adivinha ...
Mas fico a olhar depois a cicatriz.

Diário VI
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1978)

quinta-feira, 19 de março de 2015

Dia do Pai

Hoje é o Dia do Pai e o meu celebrou 93 anos de vida, com a lucidez suficiente para me recriminar por ter gasto dinheiro a comprar-lhe os chocolates que lhe ofereci e que irá comer com o prazer de sempre.

Nota - Os meus filhos também se lembraram do pai logo pela manhã.