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segunda-feira, 18 de julho de 2022

Formigueiros

Este ano, sem qualquer autorização ou aviso, as formigas tomaram de assalto o jardim e, na labuta que lhes é costumeira e está nas entranhas, devem já ter construído um intrincado labirinto que, espera-se, não irá comprometer a segurança dos alicerces da casa. Os montes de areia que vão aparecendo diariamente fazem ter algumas dúvidas mas a sua capacidade ainda não deve chegar a tanto.

São aos milhares, sempre no carreiro, algumas em sentido contrário como a que o Zeca imortalizou, levando mercadoria para as catacumbas, garantindo a subsistência actual e a futura,  para o inverno que há-de chegar. Esse trabalho árduo irá permitir-lhes gozar com a cigarra da fábula, que não paira por aqui e deverá estar a deliciar-se, cantando sob o sol escaldante as músicas que animam o país a arder e em alerta permanente.

A ocupação, selvagem, que efectuaram, sem qualquer autorização prévia ou posterior, provoca um incómodo terrível em quem já por cá estava e anda com as partes de baixo (não as partes baixas) sem protecção. Mordem que se fartam, causando muita comichão e alguma dor. Ainda mal se chega ao quintal e já uma, mais afoita, subiu pelas pernas ou atingiu os braços, sem dar tempo para que se perceba de onde vem e como conseguiu subir. As restantes seguem-lhe as pisadas e, num ápice, são dezenas. Parece que o seu objectivo é acabar com o direito de andar descalço ou de chinelos no jardim.

Pode ser uma violação dos direitos dos animais, ser até punível por lei mas, aquelas atrevidotas que conseguem macular-me a pele, dificilmente repetirão a façanha, por, na medida do possível, ficarem impedidas de ter segunda oportunidade.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Formigas

A estrada da montanha terminava a uns quinhentos metros da casa e tinha cerca de dois quilómetros de extensão, bem íngreme, em terra batida. 
A vista era deslumbrante e, bem lá no cimo, ainda permanecia a neve branca trazida pelo último Inverno. O horizonte era interminável e o verde predominante, num fim de tarde radioso e de temperatura agradável.
A casa seria o nosso albergue nas duas noites que ficaríamos em Basel mas, para isso, era necessário chegar lá a pé, pelos socalcos de um carreiro que obrigava a uma "bicha de pirilau" aprendida vários anos antes na instrução militar.
O Werner caminhava na frente, visivelmente agradado por disponibilizar  a sua casa de montanha a meia dúzia de compatriotas da mulher.
Mas ...
            - Alto, gritou.
Tinha parado junto a um carreiro de formigas, bem assinalado por dois montinhos de areia fina feitos pelas próprias.
           - Estamos na Suíça e aqui, ao contrário de em Portugal, não se pisam formigas e muito menos
             se dão pontapés nos montes de areia que elas tão bem executam.
Ninguém comentou.
Todos entenderam a mensagem e deram um pequeno salto, para não perturbar o afã do formigueiro.