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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Longe

Cumpre-se hoje a primeira dezena do meu neto caçula e, uma vez mais, lá tão longe que aquele abraço apertadinho só é possível com a ajuda da tecnologia que encurta distâncias.

A esta hora já por lá é noite cerrada e o aniversariante disputa um torneio de ténis de mesa para terminar as comemorações em grande e combater o frio que por lá se faz sentir.

Quem corre por gosto não cansa.

Força, Miguel!!!

sábado, 20 de dezembro de 2025

Aeroporto

Gente e mais gente. Está sempre mais gente, seja Verão ou Natal, Páscoa ou um dia qualquer.

- Com licença, com licença ...

- I'm sorry ...

Empurram-se as malas, os sacos, os carrinhos a transbordar, as mãos a prevenirem eventuais quedas, difíceis de controlar e terríveis de remediar.

Encaminho-me para o placard das chegadas. Os olhos espreitam, auxiliados pelos óculos, que a distância é grande e há gente, muita gente.

- Já aterrou, ouve-se ao lado. Saem da frente e encaminham-se para o sítio ideal, de onde descortinar quem sai.

Aguardo mais um pouco. A mensagem que me descansa surge. Aterraram. Sigo o exemplo dos outros e cravo o olhar onde irão aparecer. Apesar de não ser propriamente um baixote, tenho dificuldade em ter a visão total da porta. Gente e mais gente. Muitos jovens, com mais um palmo ou perto disso. Vale que a maior parte tem a cabeça inclinada para essa máquina informativa que, de quando em vez, também é utilizada para fazer e receber chamadas telefónicas. 

Consigo a colocação ideal e aguardo, sem pressas. Tenho o livro na mão, fechado. Ainda li duas ou três páginas, encostado a uma coluna. Senti que estorvava a deslocação dos outros. Recolhi-o.

Quase não há cadeiras, as pessoas são cada vez mais, gente e mais gente. Os meus devem estar mesmo, mesmo a chegar. Quero vê-los primeiro. E consigo! Corro com a velocidade de hoje, em busca dos abraços, fortes, como sempre. E comentados ... cheios de saudades e de meiguices.

O aeroporto de Lisboa tem poucas, ou nenhumas, condições para quem espera, é um facto que conhecemos bem. O contratempo desaparece quando surgem as caras alegres dos que, ansiosamente, estávamos à espera.

Os netos estão cada vez maiores! Ou serei eu a minguar?

domingo, 20 de julho de 2025

Atleta aniversariante

O Algarve, mais concretamente a cidade de Loulé conta, há já alguns dias, com a presença de um nadador ilustre, a disputar o Campeonato Nacional de Infantis de Natação Loulé 2025. 

Não teria nada de extraordinário - mais um entre tantos - mas este é especial: é o meu neto, segundo na escala da chegada e último na cronologia dos aniversários anuais. E se, só por isso, já se justificaria o destaque, acontece que hoje o Vasco completa 14 anos, lá bem no sul do país, debaixo de uma canícula forte e muito diferente da oestina, e "apenas" com a companhia dos pais, do irmão e dos elementos da sua equipa.

É diferente do costume, mas será um aniversário inesquecível.

Parabéns, meu neto. Estás um homem, já maior do que eu. Amanhã dar-te-ei aquele abraço apertado, bem merecido, pelo aniversário, pela força e pela qualidade. BOM DIA!

sábado, 5 de julho de 2025

Bom e expressivo

A roda dentada do tempo não avaria, nunca! E prossegue, inexorável, o seu afã de fazer crescer cada um, a velocidades bem diferentes aos olhos de cada qual.

O meu neto GRANDE faz hoje 19 anos, tantos quantos o avô tinha há 54, quando a tal roda quase lhe parecia que não andava e o tempo teimava em se deslocar a velocidade de caracol. Afinal, a rodinha revelou-se, aplicou-se, esmerou-se, foi trazendo cada dia atrás do outro e cada vez com mais velocidade. Pelo menos, assim parece!

BOM E EXPRESSIVO

Acaba mal o teu verso,
mas fá-lo com um desígnio:
é um mal que não é mal,
é lutar contra o bonito.

Vai-me a essas rimas que
tão bem desfecham e que 
são o pão de ló dos tolos
e torce-lhes o pescoço,

tal como o outro pedia
se fizesse à eloquência,
e se houver vossa excelência
que grite: - Não é poesia!,

diz-lhe que não, que não é,
que é topada, lixa três,
serração, vidro moído,
papel que se rasga ou pe-

dra que rola na pedra ...
Mas também da rima <<em cheio>>
poderás tirar partido,
que a regra é não haver regra,

a não ser a de cada um,
com sua rima, seu ritmo,
não fazer bom e bonito,
mas fazer bom e expressivo ...

Tomai lá do O'Neill!
Alexandre O'Neill
Círculo de Leitores (1986)

terça-feira, 24 de junho de 2025

Tão longe ...

Em menos de trinta dias, a contar de hoje, irão decorrer os aniversários de três dos quatro "rapagões" que nasceram "ontem", com grande alegria dos pais e um orgulho enorme dos avós.

Hoje é a vez do Duarte, terceiro na cronologia, que completa uns maravilhosos treze aninhos. Está longe, com três horas a mais, que obrigam a que a alvorada seja muito cedo e o serão curtinho, quando se tenta comparar com os horários de cá.

Tem mundo, conhece gente de todo o lado, de todas as cores e todos os hábitos. Enriquece todos os dias, o que nunca irá esquecer e lhe irá servir para a vida.

Parabéns, meu DUDU querido. Daqui a dois dias vou dar-te um abraço igual ao último, dado na despedida de Baku. Sem chuva nos olhos, espero.

segunda-feira, 24 de março de 2025

Babosices

Vão ser mais de meia dúzia de milhares de quilómetros, cerca de uma dezena de horas no ar, quatro horas de diferença horária, uma civilização e um país completamente novos, com tudo o que isso tem de aventura.

Fácil não vai ser, mas vai valer a pena!

À espera, estarão filho e nora, e dois netos lindos, enormes, gentis, que serão abraçados sem "dó nem piedade", com as saudades que se foram acumulando desde o Natal.

A noite de hoje será, ainda, "portuga". A de amanhã trará sonhos em azeri.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Sempre perto ...

Lá longe, onde o Sol se levanta quatro horas mais cedo e o frio da rua deve enregelar a pontinha do nariz, acordou hoje o meu neto Miguel preparado para festejar o seu nono aniversário, na companhia do mano e dos pais e com todos, por aqui, a desejarem muitos anos de vida, tão perto quanto as novas tecnologias permitem.

Teve direito a dia de folga na escola e deve ter passado um dia bem divertido. A esta hora, a festa do dia aproxima-se do fim, com a hora da caminha a chegar muito em breve. Amanhã já não haverá folga e a escola voltar-lhe-á a pedir atenção, na forma sempre excelente com que ele encara a tarefa de conhecer e adquirir mundo.

Aproveita bem, meu neto. Um dia destes vou aí dar-te aquele abraço bem apertado, sem distâncias nem tecnologias a perturbarem o nosso contentamento.

Muitos parabéns, neto querido e ... até já!

sábado, 20 de julho de 2024

Nadando ... lá longe

Com o aniversário do neto II, Vasco de seu nome, encerra-se o ciclo anual dos aniversários das 4 pessoas, agora as mais importantes, do núcleo familiar.

O dia de hoje, em que completa 13 aninhos, ficar-lhe-á na memória por não o ter comemorado em modo "normal" ou, pelo contrário, registá-lo-á para sempre como o aniversário passado a "contar azulejos", nadando pela primeira vez nos Campeonatos Nacionais de Natação, em Setúbal. Regressará amanhã, lá para o final do dia, cansado, por certo, mas sempre uma "delícia".

PEDAGOGIA

Brinca enquanto souberes!
Tudo o que é bom e belo
Se desaprende ...
A vida compra e vende
A perdição.
Alheado e feliz,
Brinca no mundo da imaginação,
Que nenhum outro mundo contradiz!

Brinca instintivamente
Como um bicho!
Fura os olhos do tempo,
E à volta do seu pasmo alvar
De cabra-cega tonta,
A saltar e a correr,
Desafronta
O adulto que hás-de ser!

Diário IX
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Rapidez

Este é o dia no qual o meu neto GRANDE se torna MAIOR, de acordo com a legislação que regulamenta o crescimento das pessoas. É apenas o registo formal de uma situação visível há muito, não havendo qualquer alteração na personalidade ou na responsabilidade, ambas já bem definidas e visíveis.

Continuará a ser o meu neto GRANDE, sem sobressaltos, devaneios ou convencimentos, sempre educado, cortês e disponível. Eu é que estou cada vez mais ... sonhador!

BRINQUEDO

Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.

O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.

Diário I
Miguel Torga
Coimbra

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Recordações

São doze as primaveras que hoje, lá pelas nove e tal da noite, o meu neto Dudu irá completar, com a memória da Roma que visitou e regressado à base, onde todos o esperam.

Como, por certo, a viagem lhe ficará na memória, por aqui se deixam palavras bonitas sobre a mesma terra, para que, talvez um dia, possa fazer comparações com as recordações.

ROMA

O belo rosto dos deuses impassível e quebrado
A noite-loba rondando nas ruínas
A veemência a musa
Colunas e colinas
O bronze a pedra e o contínuo
Tijolo sobre tijolo
A arte difícil e bela da pintura
A música veemente que assedia a alma
O corpo a corpo do espaço e da escultura
Os múltiplos espelhos do visível
A selvagem e misteriosa paixão de Catilina

As altas naves as enormes colunas
Os enormes palácios as pequenas ruas
A lenta sombra atenta e muito antiga
O sucessivo surgir de fontes e de praças
Vermelho cor-de-rosa muita pressa
Gesticular de gentes e de estátuas
Azáfama clamor e gasolina
Do guarda-sol castanho a penumbra fina

Obra Poética
Sophia de Mello Breyner Andresen
Caminho (2011)

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Mais um

O meu neto caçula faz hoje 8 anos e o tempo vai acentuando a grandeza do seu ser, as suas capacidades e a delicadeza amorosa que sempre apresenta.

Guardião no futebol, xadrezista no écran e  no tabuleiro, rápido no padel, enorme nas conversas de gente grande, esquerdino na maior parte das acções de pés e mãos, perfeccionista nos trabalhos e nas brincadeiras. Sempre atento ao que o rodeia, é rápido no entendimento e na resposta, e senhor absoluto das suas ideias, graças à forte personalidade que detém. 

- Avô, agora ando a ler muito Banda Desenhada. E gosto! 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Qualidade

Um dos meus netos, há pouco, perguntou se eu conhecia uma música que estava a tocar no rádio do seu carro. Chamar rádio ao computador que lá está instalado é apenas um desabafo de antigo ...

A música era "O primeiro dia", de Sérgio Godinho.

- Claro que conheço. Até tenho o disco. Deve ter perto de 50 anos ...

- Não pode ser, ouvi como resposta.

Fui confirmar. Ainda não chegou ao meio século, mas já falta pouco. O álbum - Pano Cru - onde esta música aparece pela primeira vez, data de 1978. Por estranho que possa parecer, ainda mantém a qualidade e a actualidade que levam uma criança de 11 anos a dela gostar.

Ouvi-la e recordá-la sabe sempre bem e mais ainda quando embalada e cantada por sangue novo (sabe de cor toda a letra). Não vale a pena colocá-la, de novo, por aqui. Se alguém quiser dar-se ao trabalho de procurar, encontrá-la-á duas ou três vezes, pelo menos.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Sempre andando ...

Termina hoje o ciclo aniversariante anual dos netos, que recomeçará em Fevereiro de 2024.

Faz anos o Vasco - uma dúzia, para que conste -, segundo na hierarquia das idades dos descendentes segundos. Candidato a músico, nadador elegante e aplicado mas, sobretudo, inteligente, sensato, cortês, discreto, um mimo de pessoa.

E assim marcha a lei da vida, com o futuro a abrir horizontes para todos, incluindo os menos jovens que o vão vendo, sentindo e usufruindo.

Parabéns, neto Vasco!

quarta-feira, 5 de julho de 2023

O tempo voa

O meu neto GRANDE fica hoje ainda maior. 

Para o ano passará a ser um adulto, com responsabilidades próprias, ele que já é responsável há tanto tempo.

Quando lhe dei o grande abraço a que tem sempre direito, ele respondeu, no seu tom de voz calmo e sereno e curvando-se para chegar à minha altura

- Obrigado, avô!

E eu, babado, quase me saltam as "caganitas" por o ver tão grande e o saber tão digno. 

sexta-feira, 30 de junho de 2023

Exemplos

O futebol jovem tem momentos altos nos últimos dias desta semana, com a realização, nesta cidade ventosa e alheia ao calor que se faz sentir no resto do país, de mais um torneio Footmania

O torneio envolve centenas de jovens atletas, integrados em equipas de todo o país e algumas do estrangeiro. A alegria dos miúdos é patente e a vontade de jogar, manifesta. Há convívio, competição, disputa, jogo e, no final, quem ganhe e quem perca, como sempre. A organização divulga valores importantes que presidem à realização, como promover o fair-play, defender a alimentação equilibrada e saudável, educar para a responsabilidade ecológica, proporcionar a partilha intelectual. E, percebe-se, tenta pôr isto em prática.

São quase nove e meia da manhã. O jogo vai começar daqui a pouco tempo. Os atletas fizeram o aquecimento, recolheram aos balneários para os últimos ajustamentos, os árbitros já aguardam no centro do campo e ei-los que surgem, cheios de genica e vontade de mostrarem as qualidades treinadas durante a semana, às vezes em condições bem adversas.

Um grupo de adultos, ruidoso, acampa na bancada. Vêm munidos de tambor, bandeiras, buzinas, camisolas do clube, para que não fiquem dúvidas sobre quem apoiam. Transportam duas geleiras que os mais incautos julgarão tratar-se de alimentação equilibrada para as refeições do dia.

O jogo começa ou, na leitura daquela gente, vai iniciar-se o combate. Os paizinhos e mãezinhas dos Ronaldos em potência começam o seu ruidoso apoio de claque mal educada, mas cheia de sabedoria dos segredos técnicos do jogo. Se os miúdos cumprirem as orientações dos infalíveis treinadores de bancada, a vitória não lhes escapa. E gritam muito, muito, com o vernáculo que, deverão pensar, não é conhecido nesta cidade de bonecos. 

Gritar, toda a gente sabe, dá cabo da garganta. À falta de chá de perpétuas roxas, nada melhor que uma cervejita fresquinha, saída da geleira que bem cumpriu a sua função. Pelo meio, uma cigarrada com a beata bem pisada na bancada, reiterando a responsabilidade ecológica. E mais uma bejeca e outro cigarro, que ainda falta muito para o intervalo. E outra ainda!

Não se correm riscos de falta de mercadoria: a geleira vem bem aprovisionada e o maço também ainda deve ter muitos cigarros. Com estes exemplos dos papás, os jovens atletas irão longe ...

sábado, 24 de junho de 2023

Capicua especial

Hoje é um dia especial para o avô babado que assumo ser, ainda que tente mascarar a evidência.

O meu neto Duarte - terceiro na hierarquia das idades - completa hoje a sua primeira capicua nos anos de vida, que se esperam sejam muitos e bons. É, naturalmente, um motivo de grande felicidade para todos os que gravitam na sua órbita e o adoram.

Ponderado, prático e assertivo, respondeu de pronto ao elogio fácil de já ser um homem com 11 anos.

- Não, avô. Onze anos só vou fazer às nove e um quarto da noite!

terça-feira, 21 de março de 2023

Saxofone

Hoje é dia de ouvir saxofone, aqui para criar ambiente, e lá fora, num dos espaços museológicos da sempre linda vila de Óbidos, para usufruir de algumas borboletas na barriga, postas a descoberto pela emoção que aparece sempre, mesmo sem ser convidada.

domingo, 5 de fevereiro de 2023

Palavras bonitas

Para o meu neto Miguel, o infante de um quarteto maravilhoso de netos, que muito merece porque tudo dá. 

Completa hoje 7 anos de uma vida cheia e desafiante, na qual se tem revelado perspicaz, inteligente, dotado de uma personalidade forte e de uma meiguice desarmante. 

O INFANTE

Na bandeira das almas há uma alma
Que pesa mais no prato da balança;
Irradia vontade e confiança,
E os seus olhos videntes
Iluminam os outros penitentes.

O além do mundo, embora mundo ainda,
É tenebroso.
E só o génio animoso
Dum inspirado
Tem a coragem nova de enfrentar
O medo acomodado
Que não deixa passar.

Segue ele à frente, pois, o espírito audaz,
Que só ele é capaz
De ir à frente e de ser o derradeiro.
Guia de todos os descobrimentos,
E sempre ele o gajeiro,
Com nomes vários nos vários momentos.

Poemas Ibéricos
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1995)

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Aniversário

Encerra hoje o ciclo anual das datas de aniversários dos netos, dias que são, sem qualquer dúvida, os mais importantes de cada ano. O neto, segundo na hierarquia das idades, completa a primeira capicua das muitas que, na sua vida, irá cumprir.

O Vasco faz onze anos da forma discreta como sempre se apresenta. Tímido, com poucas palavras, sabedor, irónico por vezes, inteligente sempre. Tem força e fibra naquele corpo aparentemente frágil, sempre atento ao que se passa à sua volta, deixando que transpareça o contrário.

CONSELHO

Sê paciente: espera
que a palavra amadureça 
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.

Poesia
Eugénio de Andrade
Fund. Eugénio de Andrade (2000)

terça-feira, 5 de julho de 2022

Palavras bonitas

Para o meu neto Gil, que hoje completa 16 anos e, do alto do seu metro e oitenta e cinco me olha sempre com um sorriso desconcertante e um afecto enorme, que eu procuro e, se calhar, nem sempre consigo, retribuir com todo o carinho.

É o meu neto GRANDE, que se equilibra em sapatilhas 45 e se alimenta de forma a repôr o esforço diário que os muitos quilómetros natatórios lhe consomem. Apesar disso, ainda consegue arranjar tempo para ler, muito, e ser um excelente aluno.

Parabéns, meu NETO!

FÁBULA DA FÁBULA

Era uma vez
Uma fábula famosa,
Alimentícia
E moralisadora,
Que, em verso e em prosa,
Toda a gente
Inteligente,
Prudente e sabedora
Repetia
Aos filhos,
Aos netos
E aos bisnetos.
À base duns insectos,
De que não vale a pena fixar o nome,
A fábula garantia
Que quem cantava
Morria
De fome.

E realmente ...
Simplesmente, 
Enquanto a fábula contava,
Um demónio secreto segredava
Ao ouvido secreto
De cada criatura
Que quem não cantava
Morria de fartura.
Diário VIII
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1959)