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sábado, 15 de maio de 2021

Tempo

Há 15 anos, longe de ser sexagenário, e mais perto, ainda, dos cinquenta do que dos sessenta, iniciei aqui uma tentativa de deixar qualquer coisa que pudesse servir para um dia, alguém, tentar perceber o que me ia indo na alma, o que me tinha alegrado e o que me entristeceu, os bons e os maus momentos, a beleza das coisas e a fealdade de (algumas) pessoas, os meus gostos e desgostos, a fauna e a flora de uma vida que, desde sempre, se pautou por exigência e verticalidade, atitudes das quais não guardo o mínimo arrependimento, que me orgulham muito e procurarei manter.

No último ano, não falhei um dia, postando sempre qualquer coisa, às vezes não com dificuldade em encontrar assunto mas em conseguir colocá-lo de forma perceptível, sem lamechas nem convencimentos, claro e não enfadonho. Não sei se consegui, mas não fico preocupado com isso. 

Enquanto me der prazer e para isso tiver força, vou continuar "contra a corrente", seguindo sempre a máxima de José Régio: "Não sei para onde vou, não sei por onde vou. - Sei que não vou por aí" e tendo bem visível o querer de Cesário Verde:"Se eu não morresse nunca! E eternamente buscasse, e conseguisse, a perfeição das cousas!".

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Aula de condução

A estrada era de terra, utilizada apenas, e pouco, pelos tractores agrícolas. Não parecia oferecer qualquer perigo. O carro entrou, sem quaisquer problemas, e internou-se no pinhal, percorrendo talvez uns duzentos metros. O sossego era total. Os pássaros já dormiam há muito e talvez se tivesse ouvido o pio de uma qualquer coruja assustada com a invasão de um objecto para ela muito estranho. Deve ter-se afastado e matutado no que viriam para ali fazer dois intrusos, ainda por cima instalados numa carripana metálica, com um barulho ensurdecedor para os ouvidos duma ave tão discreta. As dúvidas da coruja ainda hoje devem permanecer por esclarecer e assim vão ficar, não vá ela ter acesso à internet e ler estas palavras mal amanhadas.

Cumpridas as tarefas que justificaram a deslocação, houve necessidade de regressar e era imperioso voltar a viatura, por o percurso ser muito difícil de fazer em marcha-atrás. A manobra parecia fácil. Havia espaço entre os pinheiros que dava perfeitamente para, em três ou quatro viragens, conseguir a inversão necessária para o regresso. Com o que não se contou foi com a cobardia do piso, que cedeu ao peso das rodas traseiras ou ao incómodo da visita. E, de cada vez que se acelerava, as rodas mais se enterravam.

E o tempo passava ... Afinal, era Primavera, tinha chovido bem no dia anterior e, por debaixo da caruma, a terra não colaborava em aventuras de gente pouco cuidadosa e precavida. Partir troncos e colocá-los debaixo das rodas, empurrar com toda a força existente, ajudando o motor a conseguir safar a enrascada, era a solução. Dilema: empurras ou guias? As duas coisas ao mesmo tempo são impossíveis e inconciliáveis. 

O carro tinha um botão do ar, que ajudava a pegar em tempo frio e permitia acelerar o motor de forma permanente e sem recorrer ao pedal. 

- Carregas o pedal da embraiagem até lá abaixo e seguras o volante. Quando eu gritar, vais levantando o pé, devagar, e carregas outra vez assim que eu gritar de novo. Percebeste?

A aula de condução não resultou em pleno, mas o salto dado pela viatura com o levantamento brusco do pedal da embraiagem, aliado à muito força feita apesar da lama, permitiu que as rodas ficassem em terra firme.

O tempo prega-nos cada partida ...

sexta-feira, 26 de março de 2021

Atrás do tempo, tempo vem

Chega ao fim mais uma semana. A Páscoa está à porta, sem festas nem ajuntamentos, que as notícias chegadas "lá de fora" não são nada animadoras e o exemplo do Natal ainda está bem fresco na memória.

A caminhada não se afigura com fim à vista. Tem mais semelhanças a um percurso circular, sem meta marcada, do que à maratona sempre referida, mas da qual todos desconhecem a distância a percorrer.

Passado mais de um ano, continuamos a assistir a uma infinidade de opiniões, algumas com nexo, outras perfeitamente dispensáveis, por vazias de conteúdo ou por mais não serem do que tentativas de colocar "egos" em bicos de pés, procurando agarrar o "céu" a que nunca pensaram chegar. 

Tudo isto acontece, realçado pelo vigor frenético dos títulos e "apimentado" com imagens constantes da seringa a picar o braço e da zaragatoa a invadir o nariz.

Valha-nos a certeza de que o tempo não pára e o Verão está quase a chegar ...

segunda-feira, 22 de março de 2021

Tempo

Já não lembro com precisão quando foi e porque foi, mas tive o primeiro relógio bastante novo. Talvez doze ou treze anos, o que, na época, era um grande privilégio. Foi oferta do meu pai, por certo para premiar algum feito escolar que devo ter realizado e mereceu a recompensa.

Nunca mais deixei de usar relógio, primeiro no braço esquerdo e aí por volta dos 18 anos, no braço direito, por me parecer mais fácil de consultar. Já passaram pelos meus braços muitos exemplares, desde os que exigiam corda manual, diária, aos que o balanço do braço mantinha "vivos", aos mais recentes, sofisticados e impiedosamente certos, desde que a pilha estivesse em condições, situação que se resolvia com uma simples ida ao relojoeiro, para substituir.

Esse instrumento arcaico chamado relógio foi substituído no passado dia 19, Dia do Pai ou dos Pais, como parece ser chique dizer agora. Os meus netos ofereceram-me um monitor de actividade física. Não é um relógio, mas dá as horas de todo o mundo; tem calendário perpétuo, que sabe quais são os meses de 30 e os de 31 e não tem dúvidas sobre quando o Fevereiro tem 29 dias; conta todos os passos que dou e transforma-os em distância, sem necessidade de agrimensor; mostra as pulsações e diz-me quantas horas dormi e destas, quantas foram de sono profundo; analisa o stress diário e ainda deve fazer mais coisas, que irei descobrindo. De tudo faz estatísticas e elabora gráficos. Se eu pretender, até me avisa quando o telefone toca ... sem o Matos Maia, claro, que esse era do antigamente!

E lembrar-me eu que o meu avô usava um "cebola" no bolso do colete, preso num botão do mesmo por uma corrente de "prata" e que o polegar e o indicador muito labutavam naquela carrapeta para o manter "vivo".

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Tempo

Parece que o Inverno se está a sentir bem e não quer ir embora. Feitios ...

A chuva cai, persistente, sem respeito por ninguém, nem sequer pelas flores, coitadas, ali no jardim sem amparo ou protecção, nem um pequeno telhado que as abrigue. E, tomando como certo o conteúdo da mensagem da Protecção Civil, ainda vão sofrer mais, por se prever um agravamento do estado do tempo e uma eventual ocorrência de cheias, sempre de acordo com o SMS oficial.

Perante isto, não há nada a fazer a não ser o confinamento total. Nem caminhada higiénica, nem ida ao supermercado ou à mercearia, quando muito um saltinho lá fora, resguardado pelo alpendre.

Vai pr'á barraca, Mimoso ... segue o conselho que Martinho da Vila deu em 1974 e se mantém actual e intergeracional. A minha filha mandou-mo hoje, por uma das vias de contacto possíveis para confinados.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Tempo

Janeiro fora, cresce uma hora. E quem bem procurar, hora e meia há-de encontrar.

Nem o tempo ajuda!

Fevereiro já cumpriu um quarto do seu reinado, mais curto do que o dos seus onze irmãos e, neste ano, apenas com vinte e oito dias de vida, porque bissexto foi em 2020 e só volta a ser em 2024. Se dúvidas houver sobre a certeza desta verdade insofismável, é só consultar o Borda d'Água ou a Wikipédia. Está lá tudo!

De manhã, ainda deu para a voltinha higiénica - porque há-de chamar-se higiénica se nos faz transpirar -, que desentorpece os músculos e permite sentir o vento, fraco, na cara e a luz, cinzenta, nos olhos. Pessoas, muito poucas, mascaradas, com a pressa de andar, a desconfiança do olhar e a certeza do dever de afastar. Longe, longe, é a preocupação actual, não vá o diabo tecê-las. Quem vê caras não vê corações e muito menos o bicho, e cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

Acordada da sesta, parece que a ventania está a regressar e a ameaça da chuva mantém-se, para que o encerramento confinado não se torne tão arrasador e a obrigatoriedade "legal" seja esquecida ou, pelo menos, menosprezada.

Os dias estão cada vez maiores. De acordo com os especialistas e os números dos últimos dias, parece que o tempo está a melhorar. Oxalá não haja enganos nem retrocessos, e a Primavera traga um sol radioso, para nos deliciar e fortalecer, que bem precisamos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Tempo

Não chega para nada. Mal começou e a semana já está no fim. Tanta coisa para fazer e os dias como que desaparecem. Quarta passada, semana acabada, aprendi há muito tempo.

Não se compra nem se vende, nem mesmo nas grandes superfícies. Vive-se. Sem dramas nem sobressaltos, sem demasiada pressa nem lentidão em excesso. Tempo certo, à velocidade certa, com as certezas possíveis e as incertezas do costume.

De vento em popa, ao sabor da maré, como Deus quer, cá vamos indo com a cabeça entre as orelhas, à espera de melhores dias, é o destino, há quem esteja muito pior e muitos há que nem o sol vêem. Respaldamo-nos nas frases feitas, naquilo que sempre ouvimos e dissemos, sempre com a língua afiada para assinalar os defeitos dos outros e uns bolsos, enormes, para guardar, bem fundo, os nossos.

E adiamos, ou procrastinamos, como agora se diz para mostrar eloquência, não esquecendo a resiliência que nos é característica e também está na moda.

Amanhã também é dia, apesar de o dia, o mês ou o ano se aproximarem velozmente do fim. É sempre a mesma coisa ... mas melhores dias virão, não tenhas dúvidas!

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Tempo

Falar do tempo que faz, fez ou vai fazer, foi sempre o escape para mudar o rumo de uma conversa que enfastia ou a chave para abrir um diálogo que se afigura difícil de iniciar.

Todos temos opinião sobre o que vai acontecer, tenhamos ouvido o Boletim Meteorológico ou apenas olhado para o céu, azul, cinzento ou estrelado.

- Hoje está um dia lindo. Será que amanhã também estará assim?

- Hum! Há ali umas nuvenzitas ao fundo ...

- Mas não chove. Talvez se levante o vento e eu não gosto nada de frio.

- Não acho. Só se mudar. Está suão e daí só vem calor.

- Pois. Quando Deus queria, até do norte  chovia.

- Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal.

- Ninguém controla a natureza e ainda bem. 

 - Muda tudo de repente. Não viste a semana passada. Estava tão bom e, de um momento para o outro, foi aquela água toda.

Está feita a conversa, fiada, delirante, educativa e substancialmente enriquecedora para os interlocutores. O obrigatório acontece, está cumprido o ritual, amanhã se verá, mas ninguém reivindicará  a sua sapiência de o ter antecipado.

E se chove? Não falharei se disser sempre que sim ... em algum lugar do mundo.