Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único.
Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
Quarta passada, semana acabada! E hoje já é quinta, com mais de dois terços do dia cumpridos e a caminho da noite. Adivinha-se meiga, bem diferente do quotidiano oestino.
Talvez justifique uma voltinha pela cidade, sem pressa e utilizando a nova passagem aérea, com elevador e tudo, que poupa uns valentes degraus, bem difíceis, que o antigo "galinheiro" obrigava a subir.
Com o desaparecimento do "lixo" da velha, a Rua 15 de Agosto ficou mais desanuviada, mais bonita e com grande vontade de receber, espera ela, a praça prometida.
Quase me esquecia, mas ainda vai a tempo: se houver passeio, convém levar um casaquinho, não vá o oeste pregar a partida costumeira.
Há um novo ar de liberdade quando, na Rua da dita, se olha para o céu e surgem "chafalos" a darem um novo e garrido colorido ao local e à cidade. É uma pedrada no charco das águas mornas, sempre aguerridas na mudança ... desde que tudo fique na mesma.
A ousadia das comerciantes daquela zona traz mais gente e, pela certa, mais negócio. É bom, e vital, que os comerciantes interiorizem, cada vez mais, que as pessoas se deslocam para onde se sentem bem.
E eu que, noutros tempos, fui um frequentador assíduo daquela zona, voltei a beber um "Camaroeiro" com um prazer imenso e, cheio de nostalgia e de actualidade, desci até à "Baía", sem provar as trouxas que, agora, me estão vedadas pela "polícia dos costumes".
A foto foi "roubada" à Gazeta das Caldas, que o meu jeito para fotógrafo é pouco ou nenhum.
Apenas uma nota para não perder o fio à meada, que o tempo urge e ainda há muita coisa a fazer.
Hoje, a parte da manhã foi parcialmente passada no CCC, assistindo a um grande concerto com que a "nossa" Banda Comércio e Indústria abriu o Festival de Jazz deste ano.
Se os que se seguem proporcionarem espectáculos idênticos em qualidade, vamos ter um grande Festival.
A tarde serviu para espreitar a exposição World Press Cartoon, que permanecerá no CCC até 28 de Agosto. Vê-se com muito agrado e tem muitos cartoons carregados de humor e acutilância, de autores de todas as partes do mundo e com temas actuais, da pandemia à guerra, de Biden a Merkel, Johnson e Macron, Putin e Trump. As burkas do Afeganistão também têm lugar de destaque.
Depois, uma tentativa, gorada, de ver a exposição patente no Posto de Turismo. A secção expositiva encerra aos sábados, domingos e feriados, dias em que, naturalmente, quase ninguém anda na rua e menos ainda escolhe para visitar a cidade.
No átrio, um aluno da ESAD terminava uma instalação, com madeiras reaproveitadas, bem interessante. Está a decorrer o 25º. Caldas Late Night, organizado por aquela escola de artes e a cidade está pejada de juventude, irreverente, como convém a qualquer artista. As vestimentas, a cor dos cabelos, a forma como se deslocam e privam, alertam os menos atentos de que o futuro é da inovação, da tentativa e erro, da actualidade, da ousadia. A música (também) faz parte da festa. O tipo da dita e o som que sai das colunas, seja ele emitido por um grupo ou pelo computador de um qualquer DJ (no caso, era o NV), comunica que há uma selecção de espectadores e que é melhor ficar em casa, à noite, nem que, para isso, surja a velha desculpa.
- É capaz de estar vento, e frio. Desagradável.
Uma nota final: às cinco e meia da tarde, a praça ainda não estava completamente desmontada. Temos de a manter por ali. Faz parte da história e as pessoas adoram o mercado ...
- Logo não te esqueças de ver a SIC. O programa do César Mourão vai ser nas Caldas.
Habitualmente, o botão da SIC generalista não é premido e, mesmo em zapping, passo por lá como "cão por vinha vindimada". Não é preconceito nem "armar ao pingarelho", mas é muito raro lá permanecer.
A curiosidade e a necessidade de poder mandar uns bitaites com conhecimento de causa, obrigou a não esquecer a recomendação e por lá me mantive até ao fim, com grande esforço, diga-se.
Que tristeza! Até tenho uma boa ideia do actor, humorista e apresentador, mas ontem, talvez por deficiente trabalho de retaguarda, foi mau de mais para se assemelhar a verdadeiro. Quem conhece a cidade, ficou triste e quem pensava cá vir, deve ter desistido de imediato.
Reduzir as Caldas a meia dúzia de bonecos fálicos e a uns doces com o mesmo formato, misturando Bordallo Pinheiro com a bonecada, é o mesmo que comparar a Estrada da Beira com a beira da estrada ou o bife à milanesa com o bife em cima da mesa. Tudo foi escolhido a dedo para ocupar uma parte do horário nobre com um conteúdo vazio, da piada fácil e do palavrão velado ou explícito. Os entrevistados, todos "brilhantes", fizeram jus à categoria do programa e confirmaram que não há nada melhor para uma conversa subir de interesse do que a fazer descer de nível.
Poderiam ter resumido as charlas a cinco minutos, já era muito, e dedicado o resto do tempo ao que ainda existe de interessante na cidade.
E não é pouco, apesar do desleixo e da ignorância.
Já por lá não passava há bastante tempo. Um mês, dois, talvez perto dos três, aconteceu a última vez. (rimou mas não foi de propósito)
Fui à Rua Almirante Cândido dos Reis, que toda a gente conhece por Rua das Montras, e a "montra" tinha uma boa exposição. A esplanada estava cheia e havia uma "reunião" de quatro conhecidos, em amena cavaqueira, bem no meio do caminho com, soube-o depois, dois deles a aguardar mesa vaga para voltarem a deliciar-se no poiso habitual e tão ausente nos últimos tempos.
Juntei-me à conversa e por ali estive, quinze, vinte minutos, talvez meia-hora, a falar sobre a cidade, eleições autárquicas, obras, governo, crise, Marcelo e Costa, o tudo e o nada, como convém nestas "tertúlias". Falámos ao mesmo tempo, depressa, gesticulámos muito, que a ânsia de mostrar que ainda sabemos conversar é enorme. Depois, bem, depois fomos cada um à sua vida, mais frescos, mais limpos e mais fortes.
Passaram inúmeras pessoas, o sorriso apenas nos olhos que a máscara não permite mais. Sentia-se o prazer, a boa disposição - quero que me vejam - uma satisfação imensa por parecer que o normal está em vias de regressar, como todos ansiamos.
Apesar do erro divulgado pelo Power Point da Direcção Geral de Saúde, o nosso concelho permanece, no mapa "covidiário", numa zona pintada a branco, cor indicativa de risco moderado e circunscrita a um conjunto, pequeno, de quatro concelhos do Oeste - Caldas da Rainha, Óbidos, Bombarral e Lourinhã.
Ainda subsistem por aí muitas coisas péssimas, reveladoras de mau gosto e de falta de sensibilidade. Porém, a verdade é que na cidade (e no concelho) há locais que nos fazem sentir bem, gostar de por aqui viver e que, sabemos, causam inveja a quem nos visita.
Não vale a pena referir que a praia da Foz do Arelho é a melhor de Portugal por se saber que seremos contraditados por a água ser muito fria e o mar demasiado bruto. Mas, quantas cidades haverá no país que tenham dois "pulmões" como o Parque D. Carlos I e a Mata Rainha D. Leonor? Poucas, sem qualquer dúvida.
A Mata, que convida sempre a um longo passeio por toda ela, oferecia, na manhã de hoje, esta paisagem de sonho.
Ainda bem que o Power Point estava errado e continuamos a poder desfrutar.
O final da tarde do passado domingo foi passado no CCC, a assistir ao lançamento do livro "A redenção das águas - As peregrinações de D. João V à vila das Caldas", de Carlos Querido.
Romance histórico, bem escrito (posso testemunhar porque já o li), o livro relata as vindas do Rei magnânimo às Caldas, na procura de remédio para as suas maleitas nas águas sulfurosas, e conduz-nos numa viagem pelos costumes, privilégios, subjugações, amor e intrigas da época, deixando-nos, nalguns casos, a dúvida sobre se estamos no século XVIII ou no XXI.
A apresentação foi precedida de uma lição de história das Caldas, da minha amiga Isabel Castanheira, que, socorrendo-se de muitas páginas da literatura, traçou paralelos entre o ontem e o hoje que devem ter feito corar muita gente.
Do livro, cuja leitura se recomenda vivamente, um pequeno excerto:
"(...) O povo sabe que não pode aspirar ao luxo e ao conforto do rei e da corte que o rodeia, mas essa impossibilidade não lhe traz qualquer sofrimento. Cada um conhece o lugar que lhe foi destinado na vida terrena. À Igreja incumbe a tarefa de dizer ao povo, do alto dos seus púlpitos, que, se aceitar com resignação e sem revolta a condição desta vida efémera, alcançará o único desígnio que verdadeiramente interessa, a eternidade abençoada, um lugar no céu, no tempo sem limite. Abençoados clérigos que sossegam os espíritos simples e mantêm tranquila a multidão. Bem merecem os privilégios, as mercês e as dádivas que recebem das mãos generosas e reconhecidas do soberano. O rei não poderia ser feliz com um povo revoltado contra a sua condição. E a felicidade do rei é a felicidade do povo.(...)"
O "fotógrafo" passou por lá e registou... na Rua Ilídio Amado, junto ao Centro de Artes, local aprazível, que convida ao passeio, à meditação e que, nesta altura, tem medronhos muito saborosos, uma paragem do TOMA, que ocupa o passeio e mal deixa espaço para a passagem de uma pessoa.
Carrinhos de bébé e cadeiras de rodas terão de utilizar a estrada, com os perigos e os inconvenientes que daí decorrem.
Para corrigir, teria sido suficiente recuar dois metros e eliminar um dos lugares do estacionamento, que raramente estão ocupados.
Está mais bonito, arejado, afectuoso, até parece maior!
As ligações ao exterior dão-lhe uma profundidade e uma luz tão cativantes, que as obras expostas adquirem (ainda) mais vida própria.
A Vida de Cristo, de Rafael Bordalo Pinheiro, está agora num local nobre, os quadros sobressaem mais, as esculturas ganham vida nas ilhas que vão aparecendo ao longo do percurso.
A Matilde (posso tratá-la assim) está de parabéns. O trabalho e dedicação de uma vida àquela casa saltam à vista.
Amanhã é (mais um) dia de festa no Museu e hoje, Domingo, toda a gente que lá trabalha (Directora incluída) se afadigava nos preparativos, depois de, ontem, terem organizado uma noite no Parque, recreando o ambiente dos "Loucos anos 20".
Atravessado o Parque, um saltinho ao Centro de Artes e a primeira visita ao novo Espaço da Concas.
Vale a pena, pelos quadros e desenhos de uma artista prematuramente desaparecida e pela dedicatória implícita na única obra exposta que não é da sua autoria.
A observação, à distância, é sempre mais realista ...
Vale a pena espreitar e sentir como a imagem de quem manda na cidade saiu reforçada, na brilhante intervenção do último "Prós e Contras" da RTP 1.
Apesar dos mais de vinte anos de "reinado", "Rei Costa" não pára de surpreender e de demonstrar a sua queda, inata, para a inovação.
Depois da "corrida em osso" ao Primeiro Guterres, da entrada no Guiness das rotundas, pela construção mais rápida das mesmas, e das evidentes capacidades e conhecimentos de arquitectura e urbanismo, eis a sua brilhante contribuição para a sinalética a adoptar no novo Códido da Estrada:
O novo sinal está colocado na Praça 5 de Outubro e determina uma excepção para os transportes públicos, excepção essa que a capacidade reinante, confiando, como é seu timbre, na perspicácia dos seus munícipes, deixa à adivinhação de cada um ...
Será autorizado o trânsito para os autocarros?
Poderá ser estacionamento para todos os veículos, com excepção dos mencionados?
Permitir-se-á que toda a gente beba uma cervejinha no 120, excepto os que viajam em transportes públicos?
No mês em que se completam 80 anos da elevação a cidade, um comentário sobre a estratégia ou a falta dela ...
"...
Infelizmente, Caldas manteve-se nesse aparente desenvolvimento, assente numa gestão urbana de obra pública duvidosa e empreendimentos imobiliários. As enormes potencialidades das Caldas e das suas gentes estão embotadas por uma condução sem estratégia nem rasgo da sua edilidade. Valem-nos os que ainda lutam, mantendo nichos de qualidade. Esperemos que resistam até que cheguem melhores dias. Esta terra merece-o. E eu sei que sim."
O TOMA vai ser inaugurado amanhã, com a pompa e a circunstância costumeiras dos Dias da Cidade.
Este ano, para além do TOMA, as distintas autoridades inaugurarão a nova sede da Associação de Municípios e, salvo qualquer imprevisto de última hora, não procederão à abertura de qualquer rotunda.
O TOMA vai ser o novo transporte colectivo da cidade, servido por pequenos e atraentes autocarros, de cor azul, os quais, em duas linhas - verde e laranja - cobrirão quase todo o núcleo urbano da cidade, incluindo a totalidade da Rua Heróis da Grande Guerra, recentemente fechada ao trânsito.
A Câmara Municipal das Caldas da Rainha e a EDP conseguiram, ao fim de muito tempo, chegar a acordo e celebraram entre si um contrato por 20 anos, idêntico ao que, na grande maioria dos concelhos do País, foi outorgado há tanto tempo que já pouca gente se lembra disso.
Segundo a comunicação social local, o acordo só abrange a freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, talvez por ter começado a ser negociado quando ainda não existia a freguesia de Santo Onofre.
"Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar", escreveu D. Sophia num belo poema que Francisco Fanhais musicou e deu divulgação num LP, gravado em 1970, com o título "Canções da Cidade Nova". Na época, era a esperança na "cidade nova", com "ruas largas", "novas luzes", "horizontes claros", "novos rumos". Quase quarenta anos depois, a cidade tem ruas cada vez mais estreitas, os horizontes são nebulosos, os rumos são velhos e, quanto a luzes, aguardamos ansiosamente que a liberalização do mercado da electricidade faça o milagre e que o acordo aconteça.
Caldas da Rainha é uma cidade de características únicas por:
Continuar a ser da Rainha, num país que é republicano há quase cem anos?
Não ter qualquer semáforo, provando a inutilidade deste equipamento na fluidez do trânsito?
Ter quase tantas rotundas como a cidade do Ruas, o que manda correr à pedrada os fiscais do ambiente?
Ainda não ter assinado o contrato com a EDP e ter uma iluminação pública óptima para se dançar o tango?
Ter um Presidente da Câmara com uma capacidade física invejável, como provou na "corrida" que deu ao Primeiro Ministro Guterres?
Ter concertos musicais com o trânsito a passar e o vento a assobiar?
Ter um mercado medieval em permanência, que faz a inveja de muitos?
Ter a praia mais bonita (Foz do Arelho) e um jardim admirável (Parque D. Carlos I)?
Embora as afirmações anteriores sejam todas verdadeiras, nenhuma delas é suficiente para fazer de Caldas da Rainha cidade única do país.
A razão é meteorológica, a saber: ontem, segundo os técnicos, foi o dia mais quente do ano. Hoje, a situação repetiu-se, aconselhando-se, até, muita cautela com a exposição solar e as possibilidades de desidratação.
Por cá, choveu de Domingo para Segunda e as altas temperaturas rondaram os 23 graus.
Sábado, à noite. Concerto na Praça 5 de Outubro. Big Band da Nazaré a actuar. Muita gente nova nos bares e alguns, novos e "cotas", a apreciar a música. O carro estacionado no parque subterrâneo, pela "exorbitante" verba de trinta cêntimos. Caríssimo !!! Na Rua Sebastião de Lima vários automóveis (mal)estacionados. Espera que passe um ... talvez agora ... cuidado, não venha algum da Andrada Mendoça... Avança. À entrada do parque, um curioso espreitava, de dentro do seu veículo, o espectáculo que ainda não começara. Aguarda-se que decida se vai ... ou fica. Finalmente, a descida e ... lugares "aos montes". Porquê? Razões que a razão desconhece.
A foto ilustra a fronteira entre a Foz do Arelho e o Nadadouro, duas freguesias do concelho das Caldas da Rainha.
Os responsáveis pelo "quintal" da Foz do Arelho entenderam que as canas estavam a estragar a bela vista da Lagoa de Óbidos e resolveram cortá-las.
Ao contrário, no "quintal" do Nadadouro, acha-se que as canas pertencem à paisagem e devem ser preservadas, embora pareça, pelo tom amarelado de algumas, ter havido uma tentativa de morte por métodos mais actuais que a simples máquina de cortar ... canas.
Conclusão: gostos não se discutem e na diversidade de pensamento dos "donos" de cada "quintal" está a chave do progresso.