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sexta-feira, 27 de março de 2026

Teatro

A bola não rebenta e o jogo continua, retrata, com a qualidade de sempre, o cartoon de António no Expresso de hoje.

O Teatro, que hoje comemora o seu Dia Mundial, traz a lucidez que os líderes mundiais deviam ter para conseguirem dominar aquelas farripas loirinhas que enfeitam a cabecinha louca do homem da melena.

quarta-feira, 27 de março de 2024

Dia Mundial do Teatro

"(...) PRIMEIRA COMADRE: Não ouve, comadre? O mafarrico quer continuar a fazer de cego!

FALSO CEGO: Não, senhora. Fui cego até agora, mais nada. Isto (sacode a venda) é a prova! Fui cego. Fui! Mas hoje a boa hora soou para o povo. Pelas frestas deste trapo conheci o padre Cano. Presenciei o medo que vai na tropa, e, nesses montes além, vi o Ruivo e mais três sargentos a entregarem-se ao bando do Académico. Andando por toda a parte, tudo soube, tudo ouvi. De Coimbra vêm estudantes, Vila Real já se rende, fogo para aqui fogo para ali, bala vai, bala vem, e - poder do mundo - as vilas levantam-se pela Maria da Fonte.

SEGUNDA COMADRE, PARA A OUTRA: E ele, cego.

PRIMEIRA COMADRE: Pudera. O mundo está para os cegos.

FALSO CEGO: Nem mais. Se não tivesse feito o que fiz nunca teria as vantagens que tive.

SEGUNDA COMADRE: Que vantagens?

PRIMEIRA COMADRE: Sim, que vantagens?

FALSO CEGO: As vantagens de ser cego.

(Pega na viola e canta)

AS VANTAGENS DE SER CEGO 

Perguntaram ao cego
se ele não ia às eleições
nem dava contribuições
e mais impostos devidos.
"Assina, escolhe os mandões
que há muito estão escolhidos."

COMADRE: E o cego que respondeu?

FALSO CEGO: 
"Senhor, respondeu o cego,
"Eu sou cego, cego, cego,
E o meu rosto jamais vi.
Desconheço a minha letra
E de quantos nos governam." (...)

José Cardoso Pires
O render dos heróis
Dom Quixote (2001)

segunda-feira, 27 de março de 2023

Teatro

Comemora-se hoje, em todo o mundo, o Dia Mundial do Teatro.

O Teatro da Rainha, como sempre, assinala a data, repondo, no pequeno auditório do CCC, a peça "Discurso sobre o filho-da-puta", de Alberto Pimenta. Pelo país fora, há muitos outros espectáculos, com toda a gente que intervém, trabalha e gosta de teatro, a tentar cativar cada vez mais espectadores para esta actividade cultural antiquíssima, fundamental para o crescimento, o saber e a diversão de todos nós.

O ano de 2023 ficará para a história das comemorações bem sucedidas e com uma divulgação adequada, feita por ilustres representantes da nação, além-fronteiras e com três dias de antecedência.

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa deslocaram-se à República Dominicana, onde participaram na 28ª Cimeira Ibero-Americana. No intervalo dos trabalhos e de alguns mergulhos nas águas cálidas caribenhas, resolveram antecipar as comemorações e levar à cena uma peça que bem podia ter como título "Cenas da vida conjugal", sem necessidade de aquisição de bilhetes e disponível para todo o mundo que tinha, naqueles momentos, a televisão ligada. Os que não estavam disponíveis ainda poderão ter acesso, graças às novas tecnologias play.

E foi bonito de ver como o teatro faz milagres, não com o "simples vestido preto" da saudosa Ivone Silva, mas sim com as camisinhas brancas e compridas, distribuídas pela organização da cimeira. A encenação foi impecável, os dois actores estiveram muito convictos do papel que desempenharam, o texto era adequado e assertivo.

As palmas batidas no mundo inteiro não puderam ser ouvidas pelos dois actores em cena, circunstância que os deve ter deixado um pouco tristes, sabendo-se que essa é a grande recompensa de quem pisa um palco.

domingo, 27 de março de 2022

Dia Mundial do Teatro

Por que vio as ruas de Lisboa com tão poucos ramos nas tavernas e o vinho tão caro, e ella não podia viver sem elle

Eu só quero prantear
este mal que a muitos toca
Que estou já como minhoca 
Que puseram a secar. 

Triste desaventurada,
que tão alta está a canada 
para mim como as estrelas; 
Ó coitadas das goelas! 
Ó goelas da coitada!

Triste desdentada escura 
quem me trouxe a tais mazelas?
Ó gengivas e arnelas
deitai babas de securas.

Carpi-vos, beiços coitados
que já lá vão meus toucados.
E a cinta e a fraldilha;
Ontem bebi a mantilha,
que me custou dois cruzados. (...)

Pranto de Maria Parda
Gil Vicente

Foi há muitos anos (agora já tudo foi há muito tempo), não me lembro quantos mas recordo as circunstâncias quase como se tivesse sido hoje ou talvez melhor!

Um curso profissional prolongado obrigou-me a estar em Lisboa, semana sim, semana não, durante vários meses e isso permitia-me, à noite, usufruir de alguns espectáculos que iam tendo lugar na capital, da cultura e do país. Numa dessas noites - o trabalho era só de dia - fui até Santos ver Maria do Céu Guerra interpretar o Pranto de Maria Parda no antigo cinema Cinearte, convertido, em boa hora, em sala de espectáculos do Teatro A Barraca.

O cinema Cinearte estava presente na minha memória desde os anos sessenta do século passado. Conheci, nesse tempo, um homem bom, a quem chamávamos Ti Neca, que ali tinha sido projeccionista. Contava aventuras fabulosas que por lá tinha vivido e presenciado. Assisti à sua partida e arquivei o contado na gaveta, profunda, da memória.

A sala do Cinearte estava cheia e, quando as luzes iluminaram o palco, surgiu uma "velha", andrajosa, encolhida, com um cajado numa das mãos e na outra uma garrafa de vidro, verde-garrafa, que levava à boca com a regularidade que o texto permitia e exigia.

A bêbeda era interpretada de forma soberba e o texto dito na perfeição, não escapando nenhuma sílaba, apesar do entaramelado maravilhoso da voz de quem "bebeu" demasiado. Nunca mais esqueci a "bêbeda" de Maria do Céu Guerra e isso "obrigou-me" a segui-la em quase todos os espectáculos que levou à cena naquela sala e em algumas outras. Nunca me arrependi!