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domingo, 15 de janeiro de 2023

Destinos

Desde cedo tinha aprendido a diferença entre o andar sempre bêbado do N. e a má disposição de Madame L. Ao primeiro, bastava a proximidade para lhe denunciar o hálito ao tinto bebido no almoço e o apodo surgia, inclemente - anda sempre bêbado; a segunda estava longe de se encontrar bêbada, sendo o seu completo descontrolo fruto, apenas, de uma ligeira indisposição, talvez provocada por um qualquer alimento a que não era tolerante - se não passar, chama-se o médico.

A diferença entre o hálito e a má disposição acontece, na grande maioria das vezes, por obra e graça do berço, das habilidades, dos jogos de cintura, pela descoberta da possibilidade de subir escadas na horizontal ou de abrir portas sem rodar o manípulo.

A sociedade justa e igualitária (ainda) não passa de uma quimera e parece, até, estar cada vez mais fora do alcance dos muitos que "nem foram ouvidos no acto de que nasceram". Entretanto, meia dúzia, alargada, de "caramelos" altamente qualificados em cursos quase desconhecidos, sobem, instalam-se, pavoneiam-se, sempre dentro da lei, das normas e da ética, com a consciência tranquila e a certeza de não terem feito nada de errado para que a "sorte" os bafejasse e lhes desse, de mão beijada e em poucos dias, montantes que, no bolso de uma grande maioria dos seus contemporâneos, nem num ano entrará.

Quase meio século depois, continua a haver gente sempre bêbada e outros que, mesmo aos tombos, apenas têm uma ligeira indisposição que o tempo rapidamente elimina ...

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Tropeção (?)

O Presidente da República, do alto da sua função e inegável sabedoria, verbalizou a sua opinião sobre a igualdade entre homens e mulheres assim: 

"(...) Só haverá igualdade entre homens e mulheres quando chegar aos mais altos postos uma mulher tão incompetente como chega, em vários casos, em inúmeros casos, aos mais altos postos, um homem.(...)"

Fiquei surpreendido com um achado tão eloquente. Pensava eu, pelos vistos mal, que chegar à igualdade entre as pessoas não teria a ver com o sexo das mesmas e sim com a competência e a abertura nos acessos. Pelos vistos, torna-se imperioso nomear mulheres incompetentes para, com isso, atingir a igualdade de oportunidades.

Quero acreditar que foi o cansaço ou a pressa que determinaram, salvo melhor opinião, a ousadia da afirmação presidencial. 

A preocupação, julgo eu, deve ser conseguir as nomeações pela competência e, se assim for, não se colocará o problema do sexo. Mas eu sou lírico ...