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quinta-feira, 10 de abril de 2025

Rotinas

Saiu do emprego  e aguarda-o a tarefa diária, que lhe deve dar muito prazer e, quase de certeza, o faz mais feliz do que o dia de trabalho burocrático concluído há pouco.

Deve ter em casa um pequeno armazém de alimentos para gatos, aos quais se dedica com grande afã e carinho, mas apenas aos da rua ou aos que a frequentam. Ainda antes das seis já mudou de roupa, pegou no carrinho das compras e lá vai ele. Corre as ruas do bairro, salta muros, invade quintais, compõe cartões que servem de abrigo ao frio das noites, muda a água dos recipientes, coloca comida nova. Os bichanos conhecem-no bem e esperam, ansiosos, a sua chegada, sentados à beira dos locais onde, sabem, o benfeitor aparece.

Lá pela hora do telejornal, regressa a casa, andando bem mais devagar do que no começo, cansado. O saco está vazio, o ego vai, de certeza, bem cheio.

Amanhã repetirá a tarefa!

domingo, 13 de dezembro de 2020

Gatos

Levanto o estore. A manhã está, de novo, cinzenta e morrinhenta. Não convida a sair. O gato pára, quando ouve e vê a persiana a subir. Dirigia-se para o WC e teve a viagem interrompida, logo numa altura de aperto. Enfrenta-me quando abro a janela e, por gestos e sons, o procuro afastar do quintal. Olha-me nos olhos, dizendo na sua língua de gato:

- Estás parvo ou quê? Já não se pode satisfazer as necessidades mais básicas?

Aparece outro, mais pequeno mas não menos ladino. Fecho a janela. Não vale a pena. Daqui a pouco irei limpar, como é costume. Seja pela remissão dos meus pecados e pela compreensão do que são necessidades.

A vizinhança adora gatos. Espalha comida pelos muros, pelos cantos, junto às casas ... dos outros. Ficam de bem com a sua consciência, fazem a boa acção diária, mas não lhe abrem a porta. As gaivotas também aproveitam e comem as bolinhas castanhas da ração. No mar não há disto e, por isso, a grande maioria já nem recorda o caminho da Foz. São citadinas e gostam. Bebem a água da fonte da rotunda, sobrevoam os prédios mas não arriscam o quintal. Ficam-se pelos céus!

Por este andar, qualquer dia deixo de ter os melros, os pintassilgos (já muito poucos), os cartaxos, os rabilongos e os pardais. Deixarei de cantar, como na moda alentejana, os "cucos milharucos" e substituirei por "e bichanos aflitos cada vez há mais".

Os pássaros conhecem-se pelas cagadelas. Os gatos nem por isso ...