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segunda-feira, 19 de junho de 2023

Livros (lidos ou em vias disso)

 "(...) Descendo a Avenida Infante Santo, recuei ao dia da segunda TAC, ao ponto da estrada em que disse, com desassombro, que não ia durar muito. O movimento era então ascendente. Agora, a minha voz, a minha casa, a minha energia eram de verão. Já se via o rio ao fundo quando contraste um dia com o outro.

Almoço na esplanada. Primeira ida ao restaurante em quatro meses. Quase não comemos. Quis beber Água das Pedras. 

Bruscamente, uma saturação de estar ali. Não pude suportar um calor que intumescia os dedos das mãos, dos pés, os tornozelos, nem a prostração do suor, o corpo a empapar por dentro. 

Afirmei com segurança, como quem compreende um problema difícil, que preciso de aprender a viver com um corpo novo. O meu corpo deste verão não é o mesmo corpo do verão passado, e todos os problemas dos verões passados continuam a viver comigo, são agora potenciados. (...) "

O quarto do bebé
Anabela Mota Ribeiro
Quetzal (2023)

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Filhos da madrugada

O 25 de Abril é uma data que me é muito querida, não por ser o dia do meu aniversário mas porque encerra uma transformação na qual, muito modestamente, participei, e que trouxe um país novo, abrindo portas que, até aí, permaneciam encerradas à grande maioria das gentes.

Decorridos quase cinquenta anos, é com muita alegria que vejo e ouço gente de elevada craveira, discutir com liberdade e participar activamente no desenvolvimento da ciência, da arte, da vida. Muitos dos que, hoje, fazem parte do escol da sociedade, teriam passado ao lado se aquele país fechado, falso moralista e enormemente elitista se tivesse mantido. O "ninho" determinava o destino e poucos "pássaros" conseguiam voar além de um horizonte muito limitado e previamente anunciado. O poder ser e depender apenas do querer não tem preço. Assim se mantenha ...

A RTP-3 transmitiu, durante o mês de Abril, 25 entrevistas de Anabela Mota Ribeiro a outras tantas pessoas, que têm em comum o facto de terem nascido depois de Abril de 1974. Chamou a essas entrevistas "Os filhos da madrugada". São conversas extraordinárias, com personalidades, as mais diversas, com histórias de vida e de antecedentes distintas, demonstrativas de que, ao contrário do que pensam muitos da minha geração, "os filhos da madrugada" são muito melhores do que foram os "pais" da dita. 

E tudo isto é o concretizar do sonho da grande maioria dos que viveram intensamente a madrugada do "dia inicial, inteiro e limpo", com tão bem o definiu Sophia.