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domingo, 15 de março de 2026

Palavras bonitas

O meu amigo Lino Sebastião resolveu, agora que as suas Primaveras já ultrapassaram as oitenta, publicar em livro os poemas que lhe vão na alma, no coração e na memória.

Quatro livros já estão acessíveis a quem gosta de poesia e há mais na forja. A mim, que sou um privilegiado, chegam-me em mão mal saem da editora, oferecidos e com dedicatória para a posteridade.

Perdido de um tempo antigo
Fico submerso na saudade,
Palavra que digo
Como se em mim dissesse
Pássaro, flor, eternidade
E todo o tempo contivesse,
Nesse espaço,
Inicial e puro,
O côncavo maduro
De um abraço.

Palavra a subir por mim
Os caminhos pedregosos dos dias
E feita clarim
A anunciar 
O despertar
De antigas nostalgias.

Do longe e da ferida
Lino Sebastião

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Palavras bonitas

O risco que se risca e traça,
Em riste traz o risco da ameaça
Em tudo o que por nós passa,
Mesmo que rasteira e rasca a negaça,
Rasante rasa a praça
E rafeira regouga de ranço na nossa taça.
Marcante a marca que deixa
Mesmo no manco que manca e se queixa,
Marcado na marosca que nele se enfeixa,
Pelo mercador no mercado da ameixa,
Marado na marada desta endecha.

Girante o gesto que se gera movente,
Gira girando na gente,
Girafa de gorgomilo pendente
E garganta de gargalo de enchente
Gestor e garante eloquente,
Garboso e grande gerente,
Garantia deste poema displicente.

Meditação Irreverente
Lino Sebastião

sábado, 7 de junho de 2025

Palavras bonitas

No desvario
Do sonho me socorro
E nele percorro
O denso frio
Da distância,
Os delirantes lugares da demência,
A delicada fragância,
A seda e o brocado
Desenhando o fulgor e a fluorescência
Do teu corpo semeado
De azul e maresia ...
Meu castelo de vento,
Meu portento, Meu mar sulcado
E para sempre arado
De louca fantasia! ...

Pequena elegia em busca de Moad
Lino Sebastião
cordel d' prata (2025)

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Palavras bonitas

Neste mar imenso
em que me vejo
de nada vale o que desejo
e o que penso.
Na vastidão do espaço
nem sequer um bocejo,
um débil ponto ou sumido traço.
No corpo voado que sonâmbula viagens
azul e mais azul trazendo
as miragens
de sonho já esquecido
e que me vão doendo
no corpo adormecido.
Neste mar imenso
de sal e água
lutando quase me convenço,
num misto de revolta e mágoa,
de que nada tem sentido.

Poemas num mar inquieto
Lino Sebastião
cordel d' prata (2024)