Há um dizer ainda não dito,Uma mensagem secreta que não se cala,Um escondido e encriptado segredoNo voo das aves num voo aflitoE no arrastar da voz na minha falaComo pio crente rezando o credo.Um sinal, um novo astro no firmamento,Augúrios que sempre estão presentesQuando se esperam tempestades e inquietações,Um esquivo felino deslizando lentoPor dentro do silêncio e noites quentesE abafantes angústias de todos os Verões.E o dizer que dizer precisoÉ um dizer cercado de urgências,Antes que no pântano reste lodo apenasE se dissolva de vez o eco desse risoE os negros corvos com asas de demênciasEscorrendo vivas das negras penas.Onde ondeiam as ondinasLino Sebastiãocordel d'prata (2026)
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Palavras bonitas
domingo, 15 de março de 2026
Palavras bonitas
O meu amigo Lino Sebastião resolveu, agora que as suas Primaveras já ultrapassaram as oitenta, publicar em livro os poemas que lhe vão na alma, no coração e na memória.
Quatro livros já estão acessíveis a quem gosta de poesia e há mais na forja. A mim, que sou um privilegiado, chegam-me em mão mal saem da editora, oferecidos e com dedicatória para a posteridade.
Perdido de um tempo antigoFico submerso na saudade,Palavra que digoComo se em mim dissessePássaro, flor, eternidadeE todo o tempo contivesse,Nesse espaço,Inicial e puro,O côncavo maduroDe um abraço.Palavra a subir por mimOs caminhos pedregosos dos diasE feita clarimA anunciarO despertarDe antigas nostalgias.Do longe e da feridaLino Sebastião
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
Palavras bonitas
O risco que se risca e traça,Em riste traz o risco da ameaçaEm tudo o que por nós passa,Mesmo que rasteira e rasca a negaça,Rasante rasa a praçaE rafeira regouga de ranço na nossa taça.Marcante a marca que deixaMesmo no manco que manca e se queixa,Marcado na marosca que nele se enfeixa,Pelo mercador no mercado da ameixa,Marado na marada desta endecha.Girante o gesto que se gera movente,Gira girando na gente,Girafa de gorgomilo pendenteE garganta de gargalo de enchenteGestor e garante eloquente,Garboso e grande gerente,Garantia deste poema displicente.Meditação IrreverenteLino Sebastiãocordel d'prata (2025)
sábado, 7 de junho de 2025
Palavras bonitas
No desvarioDo sonho me socorroE nele percorroO denso frioDa distância,Os delirantes lugares da demência,A delicada fragância,A seda e o brocadoDesenhando o fulgor e a fluorescênciaDo teu corpo semeadoDe azul e maresia ...Meu castelo de vento,Meu portento, Meu mar sulcadoE para sempre aradoDe louca fantasia! ...Pequena elegia em busca de MoadLino Sebastiãocordel d' prata (2025)
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025
Palavras bonitas
Neste mar imensoem que me vejode nada vale o que desejoe o que penso.Na vastidão do espaçonem sequer um bocejo,um débil ponto ou sumido traço.No corpo voado que sonâmbula viagensazul e mais azul trazendoas miragensde sonho já esquecidoe que me vão doendono corpo adormecido.Neste mar imensode sal e águalutando quase me convenço,num misto de revolta e mágoa,de que nada tem sentido.Poemas num mar inquietoLino Sebastiãocordel d' prata (2024)