segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Iluminação pública

"Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar", escreveu D. Sophia num belo poema que Francisco Fanhais musicou e deu divulgação num LP, gravado em 1970, com o título "Canções da Cidade Nova".
Na época, era a esperança na "cidade nova", com "ruas largas", "novas luzes", "horizontes claros", "novos rumos".
Quase quarenta anos depois, a cidade tem ruas cada vez mais estreitas, os horizontes são nebulosos, os rumos são velhos e, quanto a luzes, aguardamos ansiosamente que a liberalização do mercado da electricidade faça o milagre e que o acordo aconteça.

Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar ...

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Fim de Agosto

A ausência não se fica a dever à falta de tema, que os há por aí "aos montes".
Escrever qualquer coisa neste blog é, antes de mais, um acto de prazer para quem o faz e só esse prazer o justifica.
Apesar disso, estar muitos dias sem "postar" pode, como acontece em muitas outras áreas, fazer perder o treino e a vontade ...
Com Agosto a chegar ao fim, fica registado que o Campeonato Nacional de futebol não começou para o glorioso e que a Liga do Major ligou o complicador de tal modo que o mais provável é ter de se lhe desligar a luz.
Se seis meses não chegaram, serão suficientes quinze dias para resolver o imbróglio?
Coitada da bola!!!

domingo, 13 de agosto de 2006

Junceira




Talvez por querer deixar saudades no último dia de férias, a Foz estava "de gritos".

Uma manhã de sol linda, a luz do costume, céu sem nuvens, ausência de vento e ... uma maré vaza enorme, das que permitem tudo: pocinhas para os mais pequenos, areia rija ou solta, "piscinas" para quem não gosta das ondas, ondas óptimas para refrescar a cabeça, um mimo.

A cereja era (foi) um passeio à "quarta" praia, onde raramente se consegue chegar pelo mar. Rochas com formas curiosas, areia finíssima, água ainda mais cristalina, algas enormes, escarpas bem a pique, um pequeno paraíso.

Felizmente, não é fácil lá chegar e não são muitos os visitantes. Mesmo assim ainda vimos algumas algas arrancadas da sua morada natural. Só pelo prazer de estragar , para que outros não usufruam daquilo que nós já vimos?! Egoístas !!!

Amanhã é dia de trabalho !

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Ansiedade

Estado de alma, não explicável por palavras compreensíveis, que provoca uma sensação de repulsa a tudo o que mexe com os nossos e cujo controlo nos escapa.
Passadas algumas dezenas de anos, entendi por que minha mãe não dormia enquanto eu não chegava a casa.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Palavras bonitas

Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar

Sophia de Mello Breyner Andresen
Mar
Editorial Caminho

Foz do Arelho

Hoje (como sempre) a Foz estava linda!
O mar azul (ou verde), pintalgado, lá ao fundo, pelas nódoas brancas da espuma das ondas apressadas. Junto à areia, a rebentação é forte e o "muro" das ondas a prepararem a chegada é enorme, quase tão grande como a sensação de o furar e sentir toneladas de água, cristalina e salgada, a passarem por sobre as nossas costas.
Este ano tenho de me limitar a ver os outros! As costas não permitem aventuras!
Se tudo correr como se espera, a desforra acontecerá em 2007, já com o meu neto a chapinhar, para lhe tomar o gosto.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Matemática

O tempo de estudante já lá vai há uns bons anos! O tempo de aprender mantém-se vivo e actuante!
Fazia-me alguma confusão (própria da idade?) o facto de os estudantes terem tantas dificuldades em dominar a ciência dos números.
Descobri ontem, como diz um amigo meu, "a razão do porquê".
A culpa é da Matemática e não dos estudantes.
A ciência, que era exacta, deixou de o ser.
Explique-se o imbróglio: Na A.R. foi analisado e discutido o cumprimento orçamental do primeiro semestre de 2006; para uns, a despesa foi inferior ao orçamentado e, por isso, estamos de parabéns porque vamos no bom caminho; para outros, deu-se o inverso e, afinal, a despesa ultrapassou largamente o valor orçamentado, caminhando-se a passos largos para o abismo.
O leigo conclui: afinal a Matemática é uma ciência de "mais ou menos", "mais coisa, menos coisa", "anda por aí", uma vez que a soma das mesmas parcelas dá resultados completamente diferentes.
E depois querem que os estudantes tenham boas notas !!!
Não explicam ...

domingo, 16 de julho de 2006

Palavras bonitas

O Portugal futuro

O Portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
Portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a Espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o Portugal futuro

Ruy Belo
Todos os Poemas
Assírio e Alvim

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Caldas da Rainha

Caldas da Rainha é uma cidade de características únicas por:

  • Continuar a ser da Rainha, num país que é republicano há quase cem anos?
  • Não ter qualquer semáforo, provando a inutilidade deste equipamento na fluidez do trânsito?
  • Ter quase tantas rotundas como a cidade do Ruas, o que manda correr à pedrada os fiscais do ambiente?
  • Ainda não ter assinado o contrato com a EDP e ter uma iluminação pública óptima para se dançar o tango?
  • Ter um Presidente da Câmara com uma capacidade física invejável, como provou na "corrida" que deu ao Primeiro Ministro Guterres?
  • Ter concertos musicais com o trânsito a passar e o vento a assobiar?
  • Ter um mercado medieval em permanência, que faz a inveja de muitos?
  • Ter a praia mais bonita (Foz do Arelho) e um jardim admirável (Parque D. Carlos I)?

Embora as afirmações anteriores sejam todas verdadeiras, nenhuma delas é suficiente para fazer de Caldas da Rainha cidade única do país.

A razão é meteorológica, a saber: ontem, segundo os técnicos, foi o dia mais quente do ano. Hoje, a situação repetiu-se, aconselhando-se, até, muita cautela com a exposição solar e as possibilidades de desidratação.

Por cá, choveu de Domingo para Segunda e as altas temperaturas rondaram os 23 graus.

Só nas Caldas !!!

quinta-feira, 6 de julho de 2006

O meu neto

O meu neto tem 24 horas e 51 centímetros! Já é grande!

Ainda não lhe peguei, é verdade, mas não se pegam ao colo as pessoas grandes. É difícil e pode trazer problemas de coluna, cuja verticalidade devemos sempre preservar.

Verifiquei que já abre os olhos, espantado com a paisagem nova e desejoso de ver mais longe. Fundamental! Ver, claramente visto, mesmo nas zonas escuras que lhe hão-de surgir.

A sua voz já se faz ouvir! Reclama, com razão, a alteração da morada e o seu desconforto. Um afago, sossega. Aprendeu depressa!

Um dia destes vou conversar com ele, de homem para homem. Nada dessas lamechices de avô cota.
O meu neto já é grande!