Primeiro, a simetria;
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
sábado, 29 de março de 2025
sexta-feira, 28 de março de 2025
Arte
O corvo visita todos os lugares e acompanha as visitas. À falta de melhor, até as mãos erguidas em prece pela mão, brilhante, do artista, servem para descansar um pouco e apreciar uma grande paisagem museológica.
quinta-feira, 27 de março de 2025
Surpresa
Alguém imaginaria ser possível a capital do Algarve chegar à homónima do Azerbaijão antes de mim?
Mas chegou e por cá vai permanecer, sem visto nem passaporte.
quarta-feira, 26 de março de 2025
segunda-feira, 24 de março de 2025
Babosices
Vão ser mais de meia dúzia de milhares de quilómetros, cerca de uma dezena de horas no ar, quatro horas de diferença horária, uma civilização e um país completamente novos, com tudo o que isso tem de aventura.
Fácil não vai ser, mas vai valer a pena!
À espera, estarão filho e nora, e dois netos lindos, enormes, gentis, que serão abraçados sem "dó nem piedade", com as saudades que se foram acumulando desde o Natal.
A noite de hoje será, ainda, "portuga". A de amanhã trará sonhos em azeri.
sexta-feira, 21 de março de 2025
Dia Mundial da Poesia
A FORMA JUSTA
Sei que seria possível construir o mundo justoAs cidades poderiam ser claras e lavadasPelo canto dos espaços e das fontesO céu o mar e a terra estão prontosA saciar a nossa fome do terrestreA terra onde estamos - se ninguém atraiçoasse - proporiaCada dia a cada um a liberdade e o reino- Na concha na flor no homem e no frutoSe nada adoecer a própria forma é justaE no todo se integra como palavra em versoSei que seria possível construir a forma justaDe uma cidade humana que fosseFiel à perfeição do universoPor isso recomeço sem cessar a partir da página em brancoE este é o meu ofício de poeta para a reconstrução do mundoO nome da coisasSophia de Mello Breyner AndresenCaminho (2004)
quinta-feira, 20 de março de 2025
Livros (lidos ou em vias disso)
"(...) Viver será também a nossa contribuição privada para a estatística? E por que os jogos exercem sempre um fascínio tão grande? E a guerra, será ela o jogo dos jogos? <<A guerra é inimiga do desenvolvimento sustentado>>, gritava kota Venâncio já fora de si. <<Não, ó kota, nem pensar>> interpelava-o Samuel Zau a fazer cócegas à inteligência. <<Este é apenas um país em que a morte está muito concorrida, mas isto passa>>. E, Zico, alheado da discussão, espreitando da linha de fundo, entregava-se a outro dos seus passatempos preferidos, que era encontrar relações secretas entre a vida e a matemática. A vida é uma curva num espaço de n dimensões ou será uma série convergente composta por termos lineares? Sim, uma série convergente, talvez seja isso. Serviço mais aulas mais Mity mais casa mais cinema mais amigos mais festas mais o Homem-Jibóia mais discussão sobre a guerra, tudo isso não seria uma série de Fourier? <<E sabes que mais>> gritava kota Venâncio <<a minha esperança, a minha última esperança é que, com o desenvolvimento da sociedade, a guerra se converta num tabu, é a única forma de acabar>>. Pausa geral. <<Um tabu? Explica lá isso, ó kota, troca-me essa abstracção por miúdos>> contrapunha Samuel Zau. <<Sim, um tabu>> repetia o kota Venâncio Seboleiro. Fez uma pausa, inspirou o ar da tarde morna. <<Se olhares para a evolução das sociedades chegou um período em que o incesto, em função dos resultados negativos que produzia, foi banido, virou um tabu e pronto, a endogamia acabou. Agora explica-me por que isso não pode suceder com a guerra?>> interrogava o kota, acentuando com clareza a pertinência do argumento. Mas Samuel Zau não estava convencido, <<Ó kota, isso não pode ... isso é mambo pesado ... a guerra faz parte da natureza humana... onde há homem há guerra... acabar a guerra é como pedir esmola a um ladrão ou pôr um vegetariano a chefiar um talho>>. E o kota, sempre em forma, a ripostar: <<Mas aí é que está o mambo. O incesto produzia algumas dezenas de crianças atrasadas numa sociedade mas a guerra produz milhares, a guerra trivializa todas as mutilações e afecta duas, três gerações, que se perdem completamente. Isto não é irracional?>>(...)"
quarta-feira, 19 de março de 2025
Dia do Pai
Logo pela manhã, bem cedo, os meus filhos deram-me os bons dias, um lá de longe, bem longe, a outra bem perto, numa visita relâmpago antes da labuta.
Eu, que já não posso dar os parabéns ao meu - faria hoje 103 anos -, deixo-lhe um pequeno poema do grande Torga.
MEMÓRIA
Chove.Mas, afinal, já chove há muitos anos ...O mundo dos meus pés nunca se moveSem chuva, tristezas e desenganos ...Apesar disso,Lembro-me perfeitamente bemDo luminoso sol de certo dia ...Um lindo sol que doiravaNum toco que rebentavaUma folha nascia.Diário IMiguel TorgaGráfica Coimbra
terça-feira, 18 de março de 2025
Tempos que correm ...
Passaram cinco anos sobre o suplício que foi a pandemia do vírus "Corona"; a guerra na Ucrânia já ultrapassou os três; o conflito israelo-árabe (fica bem, escrito assim) dura há quase oitenta. Por mais que o Papa apele, não parece que alguém o ouça nem que haja alterações, ou melhor, decisões que acabem com este mundo de interesses, hipocrisias e "lata".
Hoje, mais umas centenas de palestinianos foram mortos; um sem número de ucranianos e russos devem ter seguido o mesmo caminho; outros "muitos" pereceram pelo resto do mundo e já nem notícia são.
A ONU e o "nosso" Guterres nem se ouvem, mas continua a haver muita esperança: o cavaleiro russo e o americano da popa amarela "namoraram" mais de duas horas. Foi só ao telefone, claro, mas há muitos casamentos que começam assim ...
domingo, 16 de março de 2025
Registos
Há 51 anos, uns quantos "rapazes" apressados marcharam sobre Lisboa e mostraram a toda a gente que algo ia mal no nosso "reino" e que era imperioso mudar.
A data ficará na História, registada com uma nota de rodapé, importante, mas não fundamental.
Contudo, sem dúvida que merecerá bem mais destaque do que a "notazinha" que há-de referenciar o Governo de Montenegro, agora caído da tripeça.
Mudar é a palavra que os dois acontecimentos terão em comum nos registos históricos.




