sexta-feira, 16 de março de 2007

16 de Março de 1974

Há 33 anos, Caldas da Rainha abria os telejornais da Europa!
Os militares do Regimento de Infantaria 5 tinham rumado a Lisboa, na madrugada de um sábado que se revelou não poder ser ainda o "dia claro, inteiro e limpo" que Sophia de Mello Breyner Andresen havia de cantar passados pouco mais de 30 dias.
Por descoordenação, "pressa de chegar para não chegar tarde" ou por quaisquer outras razões, não foi das Caldas que saiu a concretização do sonho, mas foi da cidade que emergiu, clara, a mensagem de que o tempo ia mudar.
O Sol radioso desse dia não impediu que, no final, voltassem as velhas e densas nuvens que, em comunicado patético, relataram os acontecimentos, terminando de forma "brilhante":
"...
Após terem recebido a intimidação para se entregarem, os oficiais insubordinados renderam-se sem resistência, tendo imediatamente o quartel sido ocupado pelas forças fiéis, e restabelecendo-se logo o comando legítimo.
Reina a ordem em todo o País."

domingo, 11 de março de 2007

Televisão



Na semana em que ocorreram vários aniversários, mais uma partida da "velhinha" hérnia discal que, de vez em quando, resolve dar um ar da sua graça, mostrando-me que está bem viva. A situação de desconforto, para além das dores, que me causa, rouba-me a vontade de fazer o que quer que seja e tira-me a paciência necessária para escrever duas linhas com algum (pouco) jeito.

Passaram assim em claro algumas reflexões que gostaria de ter feito sobre os 50 anos da RTP: do Bonanza a João Villaret, de Vitorino Nemésio a David Mourão-Ferreira, do Columbo ao Fugitivo, de Leonard Bernstein às Melodias de Sempre, das Mensagens de Natal às Conversas em Família, do homem na Lua, do terramoto de Agadir, do vulcão dos Capelinhos, das lágrimas do Eusébio, enfim, de tantas coisas que marcaram, abriram as portas da curiosidade, deram ânsia de aprender e descobrir, mostraram que havia mundo para além do "quintal".

E já lá vão 50 anos! Parece que foi ontem!

sexta-feira, 2 de março de 2007

Ecos da semana

  • Emigrante de leste trabalha numa unidade industrial a recibo verde;
  • Autarca sugere Hermano de Saraiva para palestrar sobre o 25 de Abril;
  • Gorjetas dadas em restaurante são receita do proprietário e não dos empregados;
  • A gravata de hoje tirou bilhete para a lavandaria;
  • A OPA da Sonae sobre a PT morreu;
  • A minha mãe partiu ... há três anos.

Palavras bonitas

POEMA À MÃE
...
Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio do laranjal ...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.

Poesia
Eugénio de Andrade
Fund. Eugénio de Andrade (2005)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Pensar ... positivo


Já se vislumbram algumas andorinhas nos céus; o Sol vai, aos poucos, enchendo os dias, que crescem a olhos vistos; a Páscoa chegará daqui a cerca de um mês; o Verão está aí!


Mergulhar na Foz, esquecer as agruras de um dia a dia carregado de nuvens, sempre a prometerem chuva. Falta pouco!


Até lá, a certeza de que, ao nosso lado, há milhões que nem expectativa têm!

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

ZECA AFONSO

A sensibilidade do poeta ...
CANÇÃO DE EMBALAR

Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti.
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer.
Album Cantares do Andarilho - 1968
... e a brutalidade do regime

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Carnaval

No intervalo entre dois desfiles carnavalescos, Sua Alteza Real D. Alberto Jardim I (e único) demitiu-se e abandonou o cadeirão de onde, desde há trinta anos, vela dia e noite pelo bem estar dos habitantes do seu Reino.

El-Rei manifestou, com o estrondo habitual, o seu agastamento por os súbditos da República terem decidido diminuir a terça com que têm contribuído anualmente, mostrando, com esta decisão, serem uns infames ingratos que qualquer Rei, por mais bondoso, não pode nem deve tolerar.

Embora imensamente tristes, os energúmenos dos continentais ficarão apenas com o pretendente a Rei, o qual, em matéria de carnavais, é muito mais comedido.

Quando parecia que tudo tinha acabado, como no samba, Sua Alteza entendeu que ainda não era Quarta-feira de Cinzas e decretou:

"O Carnaval não pode acabar! Vou apresentar-me de novo ao povo, que é soberano e soberano me há-de manter! Sem mim, haverá dilúvio sem Noé e sem arca, e este Reino afundar-se-á nas profundezas do Atlântico, antes mesmo de a Protecção Civil decretar o alerta laranja."

Viva o Carnaval!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Verdade ou eufemismo?

Dos jornais:

  1. Desemprego subiu para 7,7% em 2006 - Estão incluídos os que procuram o primeiro emprego e os falsos profissionais liberais?
  2. Défice de 2006 ficou abaixo dos 4,6% do PIB - As contas estarão bem feitas ou amanhã aparecerão outros com resultados diferentes?
  3. Governo dá tolerância de ponto no Carnaval - A tolerância significa que se admitem alguns atrasos ou fecha tudo?

A vida são dois dias e o Carnaval são três. Para quê preocupações!!!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Palavras bonitas

Andam palavras na noite
Cansadas de me chamar.
Trago os meus lábios salgados
E algas no paladar.

Eu sou um grande oceano
Que só fala a voz do mar!
Mas já sinto o mar cansado
De pedir o luar ao céu
Que a noite não lhe quer dar!

O Sol nas noites e luar nos dias I
Natália Correia
Círculo de Leitores (1993)