Há 30 anos a música popular brasileira ficou mais pobre e o mundo perdeu o poeta do amor e da beleza.
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Fim de tarde
A tarde caminha a passos largos para o fim e, ainda assim, o calor sufocante mantém-se, desafiando a capacidade de adaptação pulmonar, habituada à humidade oestina.
A Praça de Espanha está cheia de carros.
Enquanto uns colocam os "cavalos" no chão e abandonam o local por o "sporting" jogar do seu lado, aguardo na fila com o (meu) "benfica" a impedir a marcha.
Os vidros estão abertos, o rádio sintonizado na Antena 2, que a música ajuda a libertar e a desligar.
"Sou" o primeiro carro da fila da esquerda.
O vendedor transporta, em cada mão, 2 sacos de plástico com barquilhos. Já desistiu de apregoar o produto.
- Não se vende nada ...
Ainda se chamam barquilhos, pergunto, recordando o homem que, na minha infância, os retirava de uma lata redonda, branca e vermelha, junto à Escola Rafael Bordalo Pinheiro.
- Claro. Também há quem lhe chame bolacha americana ... mas não se vende nada. Desde o 25 de Abril que é assim.
???
A compostura do "fato de trabalho", a música ou o sorriso enigmático deram-lhe coragem para continuar.
- Estragaram tudo, o dinheiro, o ouro, as províncias ... e quem se lixa é o povo.
Mas vivia-se bem pior, arrisco.
- Qual quê, a gente cantava e bailava ... era uma alegria!
Por certo que o calor lhe toldou a vista e não percebeu que o "antes" também passou por mim, e bem (se calhar estou ainda em muito bom estado !!!!).
O "sporting" caiu e o diálogo terminou com o "até amanhã" próprio de quem, não se conhecendo, frequenta os mesmos locais.
Se os semáforos proporcionarem novo encontro, vou tentar perceber o que o leva a dizer que era melhor viver "cantando e rindo".
terça-feira, 22 de junho de 2010
Mundial de futebol - África do Sul
O futebol está na ordem do dia e o comportamento da selecção de Portugal suscita a habitual transmutação de bestial a besta em meia dúzia de minutos, com a opinião pública e publicada a tecer elogios e críticas, com o saber de ciência certa que explica, sem margem para quaisquer dúvidas, o como, o quando e o porquê dos erros cometidos, da deficiente estratégia, da excelente táctica ou da maravilha do gesto do extraordinário jogador que, pouco antes, tinha sido "um nabo". Coisas da paixão ...
Entretanto, quem sabe é muito mais comedido, procura esclarecer, explicar, objectivar aspectos do jogo e revelar o "interior" do mesmo.
Valdo, um brasileiro de elevado nível que passou pelo Benfica há já alguns anos, comentava na Sport TV, com o seu sotaque musical, um toque sofrido pelo seu compatriota Lúcio, no jogo que opôs o Brasil à Costa do Marfim (3-1):
" São todos iguais ... centrais dão, dão, quando levam uma chegadinha, choram, choram ..."
sábado, 19 de junho de 2010
José Saramago
Faleceu ontem o único (até agora) Prémio Nobel da Literatura Portuguesa.
Polémico, suscitou paixões e ódios, quase sempre exacerbados. Deve ter sido dos poucos escritores que teve o privilégio de ser criticado por muita gente que dele não leu uma linha.
Um grande escritor, que se tornou conhecido já na fase madura da vida, à custa de uma grande ousadia, uma enorme vontade, um conhecimento profundo das suas capacidades e, de certeza, muito trabalho.
Daqui a 100 anos ainda será lido com o fascínio que os grandes sempre despertam.
"É bem certo que o difícil não é viver com as pessoas, o difícil é compreendê-las, disse o médico"
Ensaio sobre a cegueira
José Saramago
Caminho (1995)
segunda-feira, 14 de junho de 2010
A natureza é quem manda ...
Com dificuldade e pouca exuberância, o jacarandá floriu, bonito como sempre.
Que pena, neste ano, serem tão poucas as flores que nos oferece.
Que pena, neste ano, serem tão poucas as flores que nos oferece.
domingo, 13 de junho de 2010
Crise em Plano Inclinado
Mais um Plano Inclinado na SIC Notícias com a presença do Professor Ernâni Lopes.
A exemplo do que já tinha acontecido há quinze dias, os espectadores puderam assistir a uma brilhante aula de Economia e Finanças, polvilhada de lições sobre a crise, a vida e a ética.
De entre os vários e simples quadros com que o Professor ilustrou a sua exposição, retive o que abaixo se reproduz e que, na minha fraca opinião, sintetiza o muito que há a fazer para conseguirmos ser um país e uma geração de quem os nossos netos não se envergonhem.
Onde está ................. Pôr
Facilitismo ............. Exigência
Vulgaridade ........... Excelência
Moleza .................... Dureza
Golpada .................. Seriedade
Videirismo .............. Honra
Ignorância .............. Conhecimento
Mandriice ............... Trabalho
Aldrabice ................ Honestidade
A exemplo do que já tinha acontecido há quinze dias, os espectadores puderam assistir a uma brilhante aula de Economia e Finanças, polvilhada de lições sobre a crise, a vida e a ética.
De entre os vários e simples quadros com que o Professor ilustrou a sua exposição, retive o que abaixo se reproduz e que, na minha fraca opinião, sintetiza o muito que há a fazer para conseguirmos ser um país e uma geração de quem os nossos netos não se envergonhem.
Onde está ................. Pôr
Facilitismo ............. Exigência
Vulgaridade ........... Excelência
Moleza .................... Dureza
Golpada .................. Seriedade
Videirismo .............. Honra
Ignorância .............. Conhecimento
Mandriice ............... Trabalho
Aldrabice ................ Honestidade
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Contestação
As duas situações "só" têm de diferente um "pequeno" intervalo de 42 anos!
Apesar de haver grandes alterações no protagonista, há valores que são eternos!
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Dois selos e um carimbo
Há cerca de ano e meio publiquei aqui um comentário sobre a crise que então se vivia, utilizando o disco que os DEOLINDA tinham acabado de editar. Em concreto, referia uma das músicas do album, a qual, na minha opinião, fazia (e faz) um excelente retrato do que somos enquanto povo - diligentes, críticos, lutadores, solidários - mas sempre com qualquer assunto inadiável que nos impede de comparecer onde possa "cheirar a esturro", muito embora estejamos sempre de corpo e alma com o que por lá aconteça ("Vão sem mim, que eu vou lá ter").
Tal como a crise, também os DEOLINDA cresceram.
Apresentaram recentemente o seu segundo trabalho, ainda mais conseguido do que o anterior, e que, de novo, traz um "boneco" caracterizador do Portugal que somos: a fobia de figurar no Guinness já nos proporcionou uma infinidade de realizações, que vão desde o banquete na Ponte Vasco da Gama à pirâmide de cavacas nas Caldas (as abelhas deliraram), passando pelo assador de castanhas de Vinhais e pelo Pai Natal de Torres Vedras.
Não faço ideia se o emblema do Benfica, com cerca de 80 metros, que apareceu na Malveira terá o mesmo destino mas não restam dúvidas que o maior mastro do mundo é português!
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Palavras bonitas
A um passarinho
Para que viesteNa minha janelaMeter o nariz?Se foi por um versoNão sou mais poetaAndo tão feliz!Se é para uma prosaNão sou AnchietaNem venho de Assis.Deixa-te de históriasSome-te daqui!
Antologia Poética
Vinicus de Moraes
D. Quixote (2001)
quarta-feira, 19 de maio de 2010
O costume
O Verão está a chegar, trazendo à lembrança os chinelos, as t-shirts, os pés descalços, as "cabeçadas" nas ondas da Foz, (se o mar estiver pelos ajustes), as gravatas abolidas, os casacos "esquecidos" nos cabides mais recônditos do armário, os livros lidos na praia, com umas sonecas pelo meio, o nevoeiro matinal (ainda vai abrir, vais ver), uma panóplia (que palavrão - será que tem algum significado?) de coisas que se sucederão até chegar o 31 de Julho. Neste dia, aparece sempre alguém, pessimista, a dizer:
- O Verão acabou!
- 'Tás maluco?!
- Claro, primeiro de Agosto, primeiro de Inverno, vais ver!
Vem tudo isto a propósito, ou a despropósito, da entrevista de ontem do nosso Primeiro-Ministro: a memória recordou (longe vá o agoiro) algumas conversas de antanho, das quais se dizia ... e, para cúmulo da chatice, tanto falou e nada disse.
Ontem, José Sócrates falou muito e convenceu-nos a todos, pela força que transmitiu a todas as ideias, repetindo-as bastantes vezes, para que não passassem despercebidas.
A mim, ficou-me a sua última descoberta: o mundo mudou muito nas últimas três semanas.
Será que, apesar da mudança, vai haver Verão?
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