sexta-feira, 17 de junho de 2011

Homem prevenido

Prevenindo situações de angústia resultantes da inactividade, nada melhor do que ir preparando a reforma estabelecendo um horário que garanta uma passagem gradual, calma e tranquila à inércia completa.


Angra do Heroísmo - Terceira - Açores

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Quotidiano

Um "jovem trintão", meu amigo e colega de profissão, enviou-me hoje um mail com uma canção residente neste endereço Youtube, a sua letra completa e uma epígrafe que dizia
"... ainda acho que nem tudo o que é antigo é para deitar fora ...".
Obrigado, GP.
O espectáculo do vídeo, denominado "Três Cantos" aconteceu em Outubro de 2009 e juntou, pela primeira vez, três "dinossauros" da música portuguesa: Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto Bordalo Dias.
Fazem parte da minha colecção os dois CD's e os dois DVD's que o registaram para a posteridade. 

terça-feira, 24 de maio de 2011

Palavras bonitas

NOITE PERDIDA
Coitado do rouxinol!
Passou a noite ao relento,
Do pôr ao nascer do sol,
Sem descansar um momento,
Sempre a cantar, sem dormir,
Absorto no pensamento
De ver uma rosa abrir ...
Coitado do rouxinol!
Passou a noite ao relento,
Do pôr ao nascer do sol,
Sempre a cantar, sem dormir.
Mas o mísero - coitado!
Cantando tão requebrado,
Com tal cuidado velou,
Que adormeceu de cansado,
E os olhos tristes cerrou
No minuto, no momento
Em que ao luar e ao relento
A rosa desabrochou ...
Coitado do rouxinol!
Com tal cuidado velou
Do pôr ao nascer do sol
E tanto, tanto cantou,
A noite inteira ao relento,
Que de fadiga e tormento,
Sem descansar, sem dormir,
Fecha os olhos, perde o alento,
No minuto, no momento
Em que a rosa vai abrir ...
Coitado do rouxinol!

Antologia de poemas portugueses modernos
António Feijó
Ática Poesia (2010)

sábado, 14 de maio de 2011

Opinião e um poema

No Expresso desta semana:
Ricardo Costa – Isto depois logo se vê (1º Caderno - Pág. 03)
“… Dou a minha causa por perdida. Este país adora documentos e powerponts. Eu também desenho um governo numa tarde ….”  
Miguel Sousa Tavares – Não há inocentes (1º. Caderno - Pág.07)
“… Acho que nunca tinha visto um partido tão mal preparado para uma campanha eleitoral. Certamente que há outra e melhor gente no PSD, mas remeteram-se ou foram remetidos ao silêncio. E, perplexo, o país pergunta-se se são estes, que só acumulam asneiras, ignorância e incompetência chocantes e até argumentam com palavrões e insultos, que querem mesmo governar Portugal. Já sabíamos que Sócrates tem sete vidas, mas oito?”
Henrique Monteiro – Vem aí o lobo mau (1º. Caderno – Última página)
“ Mas não foi com pensionistas ou trabalhadores que houve derrapagens e se cometeram excessos. Foram, sim, estradas inúteis, projectos inúteis, consultadorias inúteis, propaganda inútil e boys inúteis que deram cabo do país. Além das inúmeras promiscuidades - com banqueiros, especuladores, Joes Berardos diversos, empresas do regime, ditadorzecos vários, etc. – que em nada contribuíram para o louvado Estado social e apenas minaram a coesão do país.”
Nicolau Santos – Cem por cento (2º. Caderno - Pág.05)
Emprestem-me palavras para o poema; ou dêem-me
sílabas a crédito, para que as ponha a render
no mercado. Mas sobem-me a cotação da metáfora,
para que me limite a imagens simples, as mais
baratas, as que ninguém quer: uma flor? Um perfume
do campo? Aquelas ondas que rebentam, umas
atrás das outras, sem pedir juros a quem as vê?
É que as palavras estão caras. Folheio dicionários
em busca de palavras pequenas, as que custem
menos a pagar, para que não exijam reembolsos
se as meter, ao desbarato, no fim do verso. O
problema é que as rimas me irão custar o dobro,
e por muito que corra os mercados o que me
propõem está acima das minhas posses, sem recobro.
E quando me vierem pedir o que tenho de pagar,
a quantos por cento o terei de dar? Abro a carteira,
esvazio os bolsos, vou às contas, e tudo vazio: símbolos,
a zero; alegorias, esgotadas; metáforas, nem uma.
A quem recorrer? que fundo de emergência poética
me irá salvar? Então, no fim, resta-me uma sílaba – o ar –
ao menos com ela ninguém me impedirá de respirar.
Nuno Júdice – A pressão dos mercados
P.S. – Espero que Eduardo Catroga não seja leitor do meu blog, para não correr o risco de ter um comentário assim.

domingo, 8 de maio de 2011

8 de Maio

Hoje devia ser capaz de escrever qualquer coisa ... e não consigo.
Se não tivesse partido, a minha mãe completaria hoje a oitava capicua da sua vida.
Ficamos sempre incompletos ...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Aniversário

As duas melhores prendas das que hoje me ofereceram.
De manhã, bem cedo, uma visita ao quarto para entregar a primeira obra, feita às escondidas: "é uma surpresa, vô!"
A seguir ao almoço e enquanto os adultos se perdiam em conversas que lhe não interessavam, alheamento e um novo quadro, desta vez pintado com os dedos directamente na tinta.
É o meu neto, que faz 5 anos em Julho e vai ter um mano também nesse mês.

25 de Abril

Para todos os que, apesar de haver coisas muito mais importantes para comemorar e/ou fazer, ainda se lembraram do meu aniversário, ficam as palavras, perenes, de Sophia de Mello Breyner Andresen, sobre o cravo da liberdade e do agradecimento.

sábado, 23 de abril de 2011

Ruivaco do Oeste

Porque a modéstia em demasia é defeito e porque o que não fica escrito não aconteceu, aqui se regista para que os netos, um dia, leiam e tenham orgulho da mãe. Um, que já está um "homem" com quase 5 anos, experimentou estas andanças ainda na barriga, tal como acontece, agora, com o irmão. Farão parte da geração que nos há-de criticar muito, por não termos conseguido preservar aquilo que os nossos avós deixaram. É o desenvolvimento ...


segunda-feira, 11 de abril de 2011

FMI

Amanhã chega o FMI e o Fundo da Comunidade Europeia.
Vêm resgatar o tal país à beira mar plantado onde vivem uns quantos que "não se governam nem se deixam governar" e demonstrar que os romanos não tinham razão quando nos classificaram com este epíteto.
Vai ser lindo ...

. Acabam-se as empresas municipais.
  - Não pode ser! Há muitas que são utilíssimas e dão emprego a muita gente.
. Determina-se o fim de uma grande maioria dos Institutos Públicos.
  - Impossível! Para além de também contribuir para o aumento do desemprego, causaria uma redução significativa na venda de automóveis de grande cilindrada e, consequentemente, uma descida brutal nas receitas do IVA e do IA.
. Reduzem-se os Ministérios, as Secretarias de Estado e os Deputados.
  - Nem pensar! Como seria possível despachar obras públicas por outro Ministro que não o das ditas? E quem viria dizer que o número de ignições de 2011 será inferior ao de 2010, se não existisse Ministro da Administração Interna? E o problema do comércio automóvel não ficaria ainda mais complicado?
Pensando melhor: para evitar tantos problemas, mudemos alguma coisa, pouca, mas mantenhamos tudo na mesma. Aumente-se o IRS e o IVA, congelem-se salários e pensões, aumentem-se as taxas moderadoras para evitar que os malandros andem sempre no médico, baixem-se as comparticipações nos medicamentos, diminuindo o desperdício e acabando com este aumento assustador da esperança média de vida.
Ficamos todos a ganhar ... e, como diz o Mário Zambujal, "À noite logo se vê".
Nota: Tenho o FMI do Zé Mário Branco, em vinil e em CD, e não é que aquilo ainda se mantém actual!

sábado, 2 de abril de 2011

Crise, geração e futuro

Um bom tema para a campanha eleitoral que se aproxima e para os debates com que, diariamente, somos bombardeados pelos "politólogos", "coladores de cartazes", "burros", e outras espécies afins.
Não consta que o discurso do Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, tenha sido objecto de análise e muito menos de resposta por parte dos altos dignatários presentes e, claro, dos ausentes. 
Entretanto, a crise agrava-se para a grande maioria e continua a beneficiar uns quantos que gravitam em volta da corte e, como desenhou Bordalo, "mamam na porca".