Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
terça-feira, 16 de janeiro de 2024
segunda-feira, 15 de janeiro de 2024
Dantes
O cálculo não é fácil, mesmo recorrendo à tradicional máquina de calcular ou à que qualquer telemóvel ou computador nos faculta.
Divisões e multiplicações, percentagens, somas, subtracções, uma tarefa ciclópica se ainda estivéssemos em 1970, e para a qual nem uma folha A4 seria suficiente, sem contar que se corria o risco de, a meio, uma pequena falha na tabuada deitar por terra todo o trabalho.
Agora, o Excel faz tudo. Criada a fórmula, com os "se" e as condições prévias, o cálculo é imediato. E, para o futuro, basta colocar o novo valor e o "anão sabão" fornecerá o resultado certo, de imediato, sem papel e sem esforço pessoal.
E ainda há por aí umas "gentes" a gritar que "dantes é qu'era bom"!
domingo, 14 de janeiro de 2024
WC
Obra recente, a reconstrução do cais palafítico convida à visita, ao passeio e à admiração da paisagem circundante, onde a Lagoa é rainha, os patos, mordomos, e os flamingos, cortesãos.
Está bonito, agradável mas, como sempre ... não há bela sem senão. O arquitecto que projectou foi negligente e esqueceu-se de um elemento essencial para que a obra ficasse completa: a necessidade imperiosa de um WC para os cãezinhos.
Eis o resultado:
sábado, 13 de janeiro de 2024
Palavras bonitas
Discurso
Vinde cá todos! Enchei a praça.Eu, que não gosto de discursos,tenho um discurso a fazer.Chegai-vos e ouvi. Ou não ouvi, se quereis.Mas cinde, que eu preciso fazer um discurso,e para haver discursos é preciso público.Isso, todos aí. Curiosos,desdenhosos,ociosos,e até ranhosos, pouco importa. Mas todos.Sentados ou deitados,verticais ou oblíquos,paralelos, concorrentes,secantes, tangentes,- irra! - tudo o que quiserem. Mas todos.Público, que eu preciso de pedir a palavra.Tenho uma mensagem a dizer.Eu, que não sou profeta,nem revolucionário,nem aviso funerário,eu que sou o contráriode tudo isso, precisamente porque não sou nada disso,tenho algo a dizer. (E logo às massasque é uma irrealidade que me bole com os nervosdesde as unhas dos pés ao centro do miolo!)Aí vai (já não é sem tempo): Sou uma besta quadradae forrada do mesmo, para maior perfeição.Ando sempre a quatro. Lucidamente a quatro,quando sei que nem ao pé coxinho devia ir.Tenho a estupidez mais estúpida que há:medida, exacta, vista,esquadrinhada,a estupidez inteligente, sabem?Não dou berros quando todas as pessoasnormalmente os dão.Calo-me quando devia dizer palavrões.Sorrio quando devia morder.Perdoo quando o momento pediaum sacrosanto par de bofetadas.Arre! Cheiro a museu,cheiro a arquivo,cheiro a jantar de cerimónia.É demais!E porque é demais para uma pessoa sóé que fiz este discurso- eu, que odeio discursos, museus e arquivose os jantares de cerimónia.Tenho dito!Ermelinda XavierBarro e Luz (Poesia completa)Unicepe (2016)
sexta-feira, 12 de janeiro de 2024
De "A" a "D"
Apesar de ser desnecessário, António confirma, no Expresso de hoje, que uma imagem vale mais que mil palavras.
quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
Regresso ao passado?!
E se, de repente e como por magia, tudo andasse para trás 50 anos?
Dirão uns, saudosistas das capacidades físicas: Maravilha! Voltava a alegria e a loucura dos "vintes", nada fazia mal e não havia chuva que molhasse nem frio que rachasse; acrescentarão outros, mais racionais: Não havia dores, nem sono, nem pressa e tínhamos tudo "à mão de semear" ... excepto o que não tínhamos.
Cada vez são menos os que viveram há meio século e disso têm lembrança de "experiência feita". Não conseguiram, ou não quiseram, contar à geração seguinte, nascida depois de 1974, como eram aqueles tempos e como tudo se transformou. Talvez não tenham procedido da melhor maneira e a omissão esteja longe de ter sido a atitude correcta, mas aconteceu assim, na grande maioria.
E agora, espantados, ouvimos gente que subiu degraus de uma escada que não existia, deu muito trabalho a muitos e foi bem difícil de construir, apesar dos defeitos, a gritar que "dantes é que era"! E falam grosso, como quem quer comer microfones, gritando impropérios e frases sem nexo, como se os decibéis da voz fossem suficientes para terem razão e sabedoria.
"Valha-lhes um burro aos coices e três aos pontapés!"
domingo, 7 de janeiro de 2024
Domingo
Com frio, nota-se melhor a calma da ausência do vento, o azul da inexistência de nuvens, tudo marcado pelo chilrear dos pássaros nas margens, pelos corvos marinhos abrindo as asas para aproveitarem o quentinho ... do sol.
A beleza da Lagoa, sempre, e a gaivota, desfrutando, bem instalada, o conforto do "hotel" Coelho e Rola.
sábado, 6 de janeiro de 2024
quinta-feira, 4 de janeiro de 2024
Calor em tempo frio
O tempo era, ainda, o das escrituras serem um acto solene, num Cartório Notarial estatal, com hora marcada e presença sem atrasos da parte de quem era parte, com uma única excepção - o Notário. Era ainda o tempo das escrituras manuscritas pelo próprio Notário ou dactilografadas pelo Ajudante, na máquina de escrever Messa.
Sentados à volta de uma mesa, grande, com cadeiras bem desconfortáveis e na ordem pela qual outorgavam, os intervenientes aguardavam a chegada do Notário, que iria ocupar a cadeira, maior e com almofada, situada no topo. A primeira tarefa do Notário era verificar os documentos de identificação dos intervenientes não seus conhecidos, após o que iniciava a leitura do texto, não sem antes recomendar que o interrompessem se alguma coisa não compreendessem ou estivesse incorrecta. No final, após a menção das eventuais rasuras, a ordem prévia determinada para sentar, servia para que a última folha fosse passando e recolhendo a assinatura de cada um. A assinatura do Notário encerraria, depois de inutilizar todos os espaços em branco.
Naquele dia, era mais uma escritura de compra, venda e empréstimo, estando presentes: o casal comprador, os pais, fiadores, o administrador da empresa vendedora da fracção e o representante do Banco. Estava muito calor lá fora e o ar condicionado do Cartório ainda não passava de miragem. O representante da empresa vendedora vinha atrasado, muito acalorado e ainda deve ter ficado mais quente quando se sentou, a aguardar, com o Ajudante a dar-lhe sinal do atraso. A camisa vinha aberta até ao cinto, com o peito, peludo, à mostra e um ar de machão importante, ciente de que os seus poderes até podiam criar janelas de fresquidão ...
A Notária entrou, passou os olhos por todos e nem se sentou.
- Vá vestir-se em condições. Isto não é a praia. Lá para fora!
Enfiado, saiu. Deve ter ido ao carro ou ao escritório. Regressou pouco tempo depois. A camisa vinha abotoada até acima e um casaquinho compunha o ramalhete.
A escritura fez-se sem mais comentários e o homem, pelo menos naquelas em que, a seguir, comigo participou, apresentou-se sempre de camisa, gravata e casaquinho ... abotoado, não fosse o diabo tecê-las!
terça-feira, 2 de janeiro de 2024
Balanço 2023
Todos os dias leio (n)um livro. É uma das tarefas que ainda vou executando, das que me dão grande prazer e que nunca me cansam, muito embora os olhos já não tenham a mesma capacidade e obriguem a apêndice.
Com mais ou menos entusiasmo, livro pegado é livro mantido até à última página, mesmo quando as expectativas são defraudadas. Quem o escreveu e o editou merece que, pelo menos, quem lhe pega lhe dê o uso para que foi concebido. Sempre até ao fim ... mesmo que, dalguns, felizmente poucos, se diga: tempo perdido!
Cumprindo a tradição, fica o registo das capas dos que me passaram pelas mãos e pelos olhos em 2023, sem quaisquer preocupações de ordem ou de destaque.
Foram lidos, pronto! E neste ano de 2024 virão muitos outros, espero eu!


