sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Todos diferentes ...

Vivemos num tempo de agressão, desrespeito, violência, fome, guerra, estupidez, malfeitoria, crime, incapacidade, incompreensão, despeito, desleixo e muito mais, que os substantivos podem classificar, os poderes, mascarar, e nunca as gentes de bem devem ignorar.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Carnaval

S. Pedro, este ano, resolveu estragar uma boa parte da festa carnavalesca habitual, enviando a Karlota com uma boa carga de chuva e vento. A maior parte dos desfiles, previstos para o Domingo passado, foram cancelados e hoje, apesar da melhoria do tempo, ainda houve alguns que não saíram dos armazéns. Trabalho árduo de muita gente que não chegou a mostrar-se.

O período eleitoral que atravessamos também contribuiu para uma certa saturação de "carnavais" e acaba por ser natural que, a uma grande parte das pessoas, lhe não apeteça pular e dançar na rua, ao som das mesmas músicas de há cinquenta (ou mais) anos. É muito mais salutar e educativo ficar em casa, frente ao televisor, a assistir a pseudo debates, que elucidam o baixo nível a que se chegou e a "grande" qualidade da maioria dos intervenientes, com destaque para quem quer voltar aos tempos de antanho.

E depois admirem-se se a abstenção tiver maioria absoluta ... 

sábado, 10 de fevereiro de 2024

Rádio

Ouvir rádio há muito que deixou de ser uma tarefa caseira e passou a quase exclusiva das deslocações no automóvel. Continua a ser muito agradável - prazeroso, diria, em linguagem de hoje - e a fazer companhia, agora com duração muito mais curta e sem os rituais diários que as deslocações, antigas e habituais nesses tempos, proporcionavam.

Apesar das alterações do dia a dia, há programas que procuro não perder, ainda que, por vezes, seja necessário recorrer à modernice do podcast ou à gravação que a página da estação disponibiliza.

O "Destacável" é um programa de Aurélio Gomes, que pode ser ouvido aos sábados, na Antena 1. No de hoje, entre muitas outras coisas, houve uma conversa com Fernando Alves, radialista enorme, acabado de sair da TSF por razões que não terão apenas a ver com o desgaste natural da idade. A sua vida e as leis inexoráveis da dita foram o tema dominante. E também as diferenças, enormes, existentes hoje, até na forma como se atende o telefone, se anda de Metro ou se faz informação.

Ri-me várias vezes, sorri muitas outras, fiquei a pensar em mais algumas.

"Aos sessenta, se tenta; aos setenta, se senta."

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Livros (lidos ou em vias disso)

(...) 
Febre de Verão, em Lisboa.
Tuberculose, algum tifo. E as eleições de Junho.
A oposição continuava a queixar-se. O que lhe fora sonegado nas urnas. Principalmente na Madeira, onde havia republicanos na prisão.
Ninguém esquecia aquela pouca-vergonha.
E ia a pior.
Constava que se urdia uma nova lei eleitoral. Propósito?
Cobrir todas as trafulhices dos talassas. As que já se conheciam e as que seriam inventadas.
Protestava-se.
Convocavam-se as manifestações quase todas as semanas. E a multidão vinha para a rua.
Não os explorados das fábricas e oficinas. Nem as mulheres descalças forçadas à descarga do carvão.
Não as varinas levando os filhos à cabeça, nas canastras. As que ficavam no olhar do José Joaquim, quando passavam ao entardecer.
Vinha gente remediada. E burgueses de bengala e chapéu de coco.

Sim, os republicanos, e a facção visível da Maçonaria, que haveria de se chamar <<Carbonária>>. O verde e o vermelho que viriam a ser bandeira. Que talvez já o fossem.

Além deles, o rapazio. Garotos que apareciam de todo o lado, a correr. Faziam muito barulho. Surriadas. Quando os mais velhos dispersavam, voltavam ao pião. Ao rapa.

Cantava-se o hino da Maria da Fonte.

Ainda não se compusera A Portuguesa. Isso só aconteceria em 1890, ao cruzar-se a iminência da bancarrota com o despeito pelo ultimato inglês. (...)

Filomena Marona Beja
Franceses, Marinheiros e Republicanos ...
Divina Comédia (2014)

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Carnaval e sonho

Apetecia-me muito escrever sobre polícias, ladrões, agricultores, manifestações, sindicatos, seca, chuva, sol, liberdade, responsabilidade, respeito, vontade, senso, honestidade, competência, trabalho, trafulhice, disparate, miséria, violência. E, procurando com alguma calma, encontraria muitos mais temas que são hoje recorrentes e fazem parangonas no caldo vertiginosamente noticioso.

Porém, falta-me a pachorra e já não tenho idade para a comprar e muito menos para me preocupar com o que poderá surgir no futuro. Já vivi mais do dobro de anos em liberdade do que vegetei em ditadura ,,,

De vez em quando sonho que poderia ser interessante algumas pessoas experimentarem, apenas durante uma semana, o "clima" do "antes". Talvez isso lhes permitisse perceber melhor o que estará em causa se alguns "cabeçudos" que por aí pululam fossem promovidos a "reis" e passassem a mandar no "carnaval".

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Mais um

O meu neto caçula faz hoje 8 anos e o tempo vai acentuando a grandeza do seu ser, as suas capacidades e a delicadeza amorosa que sempre apresenta.

Guardião no futebol, xadrezista no écran e  no tabuleiro, rápido no padel, enorme nas conversas de gente grande, esquerdino na maior parte das acções de pés e mãos, perfeccionista nos trabalhos e nas brincadeiras. Sempre atento ao que o rodeia, é rápido no entendimento e na resposta, e senhor absoluto das suas ideias, graças à forte personalidade que detém. 

- Avô, agora ando a ler muito Banda Desenhada. E gosto! 

domingo, 4 de fevereiro de 2024

Espelho

Num dia lindo, a Lagoa estava tão apelativa que até as habitações da margem quiseram dela usufruir!!!






sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Qualidade

Um dos meus netos, há pouco, perguntou se eu conhecia uma música que estava a tocar no rádio do seu carro. Chamar rádio ao computador que lá está instalado é apenas um desabafo de antigo ...

A música era "O primeiro dia", de Sérgio Godinho.

- Claro que conheço. Até tenho o disco. Deve ter perto de 50 anos ...

- Não pode ser, ouvi como resposta.

Fui confirmar. Ainda não chegou ao meio século, mas já falta pouco. O álbum - Pano Cru - onde esta música aparece pela primeira vez, data de 1978. Por estranho que possa parecer, ainda mantém a qualidade e a actualidade que levam uma criança de 11 anos a dela gostar.

Ouvi-la e recordá-la sabe sempre bem e mais ainda quando embalada e cantada por sangue novo (sabe de cor toda a letra). Não vale a pena colocá-la, de novo, por aqui. Se alguém quiser dar-se ao trabalho de procurar, encontrá-la-á duas ou três vezes, pelo menos.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Semelhanças

O carro aguardava, estacionado perto do portão da escola, a chegada do "passageiro" que havia encomendado o serviço. O condutor, como sempre, lia um dos livros que, hoje, lhe faz companhia, completamente alheio ao burburinho da saída das aulas para almoço. 

De repente, a porta abre-se, cai uma mochila no banco e surgem uns óculos na cara de uma jovem, distraída com o telemóvel na mão e corada de esforço, talvez resultante da aula de educação física (ou não!).

Não deu logo pelo lapso. Antes de se sentar, levantou os olhos e ... 

- Desculpa ... o carro é igualzinho! Desculpa ... desculpa ...

Estava ainda mais corada quando retirou a mochila e marchou, rápida, em busca do seu transporte. 

Definitivamente, aquele não era o "Uber" que lhe estava destinado! 

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Jornalismo

Cada vez vejo menos televisão, ainda que o aparelho possa estar ligado na sala onde me encontro. 

Apesar disto, vou-me apercebendo de algumas alterações tendentes a prenderem a atenção, mesmo dos mais distraídos. Nas notícias, agora, o écran está quase sempre dividido em três ou quatro "janelas", onde as personagens convidadas, conjuntamente com o jornalista, peroram sobre um qualquer assunto, ao mesmo tempo que vão sendo exibidas imagens, normalmente desactualizadas, sobre o pretenso tema em discussão ou análise. Deve ser a forma de enaltecer a única coisa válida: a imagem, mesmo desactualizada, ainda vale mais que mil palavras.

Estamos na época da gripe, de novos vírus, do "ressuscitar" do sarampo, da necessidade de vacinas. Para ilustrar estes factos, as televisões - todas elas - escolhem a imagem. E nada melhor do que a agulha a penetrar no braço nu da criança, com o choro sofrido em fundo e bem audível, para que não surjam dúvidas, se atraia a atenção e haja audiências.

Deve estar a ser muito difícil ser jornalista ...