Se outras razões não houvesse ( e há ) para estar atento à Grécia, bastava esta "delícia".
Como é bom estar de férias e descobrir isto, enquanto se aguarda o "skype" grego.
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
CONFIANÇAO que é bonito neste mundo, e anima,É ver que na vindimaDe cada sonhoFica a cepa a sonhar outra aventura ...E que a doçuraQue se não provaSe transfiguraNuma doçuraMuito mais puraE muito mais nova ...
Correspondendo ao convite (mais um) da Loja 107, fui ouvir Mia Couto apresentar o seu novo romance.
O RELÓGIO
Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.Se são jaulas não é certo;mais perto estão das gaiolasao menos, pelo tamanhoe quebradiço da forma.Umas vezes, tais gaiolasvão penduradas nos muros;outras vezes, mais privadas,vão num bolso, num dos pulsos.Mas onde esteja: a gaiolaserá de pássaro ou de pássara:é alada a palpitação,a saltação que ela guarda;e de pássaro cantor,não pássaro de plumagem:pois delas se emite um cantode uma tal continuidade
que continua cantandose deixa de ouvi-lo a gente:como a gente às vezes cantapara sentir-se existente.
RETRATO DE UMA PRINCESA DESCONHECIDA
Para que ela tivesse um pescoço tão finoPara que os seus pulsos tivessem um quebrar de caulePara que os seus olhos fossem tão frontais e limposPara que a sua espinha fosse tão direitaE ela usasse a cabeça tão erguidaCom uma tão simples claridade sobre a testaForam necessárias sucessivas gerações de escravosDe corpo dobrado e grossas mãos pacientesServindo sucessivas gerações de príncipesAinda um pouco toscos e grosseirosÁvidos cruéis e fraudulentosFoi um imenso desperdiçar de gentePara que ela fosse aquela perfeiçãoSolitária exilada sem destino