Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.
Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.
Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.
Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!
Miguel Torga
Cântico do Homem
1 comentário:
Olá Orlando,
Miguel Torga sempre encanta-me e encantou-me também teu blog.
Curioso vê-lo falar das Caldas e sentir-me tào próxima a tua fala.
Passei 3 meses nas Caldas ano passado e foram meses especiais apesar de muita solidão as vezes.
O cotidiano das Caldas fez parte da minha vida e está nas minhas lembranças.
Abraçs além mar
Carmen
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