sábado, 7 de novembro de 2026

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Passava pelo barbeiro de tempos a tempos, com uma guedelha enorme e uma barba de, pelo menos, uma semana. 

Chegada a sua vez, refastelava-se na cadeira, compunha a velha roupa, fixava o barbeiro e, olhos nos olhos, determinava:

- Cabelo e barba!

- Como vai ser o cabelo?

- Pente zero, como é costume.

Começava o desbaste. A máquina deslizava do pescoço à testa, abrindo grandes "avenidas" naquele "matagal" imenso. Finda a "tosquia" cabeçal, o barbeiro cortava a barba à tesoura e só depois ensaboava a cara e começava a deslizar a grande navalha por aquela velha face que os pêlos protegiam do sol dos campos. 

A barba feita, ou desfeita, como alguns diziam, a pele da face, bem mais branca do que a testa, aguardava o desinfectante habitual.

- Álcool ou sublimado?

- Álcool, claro!

As mãos do barbeiro chapinhavam todas as zonas barbeadas, incluindo a parte do pescoço a que a camisa não tinha permitido acesso à máquina zero. O álcool deslizava por toda a cara e a língua do cliente lambia, sofregamente, algumas gotas do líquido que, naquele momento, lhe sabia tão bem quanto o bagaço matinal.