A informática era pequenininha, a grande maioria dos carros tinha direcção assistida "a braço", a televisão aguardava ansiosamente pela cor e pela proliferação de canais, a auto-estrada começava em Vila Franca de Xira para quem se deslocava à Capital e nos Carvalhos para quem se dirigia à Invicta. Tudo era urgente, imperioso, importante e fundamental. Ninguém falava em partos assistidos pelos papás, licenças parentais ou de amamentação.
O dia de trabalho foi tenso, antecedido pela "entrega" da mãe no Montepio, com a ânsia e o desejo de uma "boa hora". À hora do almoço tudo permanecia idêntico, apenas com o conforto da visita do médico e a quase confirmação da inevitabilidade da cesariana.
O expediente encerrou e uma autorização, especial, permitiu uma saída antecipada e a deslocação em corrida - era perto e bom caminho. O telemóvel nem em sonhos ...
Tinha acabado de nascer o meu primeiro rebento, era uma menina e a mãe ainda dormia, recuperando da intervenção.
- É linda!
Estava ali, a pouco mais de um metro, embora com o vidro do berçário a separar-nos.
Quarenta e oito anos decorridos, nem o vidro nos separa!
PS - Uma vez mais, um Presidente da República toma posse no dia do aniversário da minha "menina". Que Seguro seja um bom Presidente ... tem muito trabalho pela frente.
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