A minha irmã cumpre hoje a sétima capicua e, como eu ainda por cá não estava, no dia seguinte Torga publicou no seu Diário um poema a saudar a sua vinda ao mundo.
Coimbra, 8 de Março de 1949
DEPOIS DA CHUVA
Abre a janela e olha!Tudo o que vires é teu.A seiva que lutou em cada folha,E a fé que teve medo e se perdeu.Abre a janela e colhe!É o que quiser a tua mão atenta:Água barrenta,Água que molhe,Água que mate a sede ...Para que haja um sorriso na parede!Diário IVMiguel TorgaCoimbra (1973 - 3ª. Ed.)
Exactamente um mês depois, salvaguardando o excesso de optimismo que podia transparecer do primeiro, deixou-lhe um aviso para a vida que estava a iniciar ... e nem sequer a conhecia.
Coimbra, 7 de Abril de 1949
EXAME DE CONSCIÊNCIA
Por tudo passa o artista:Primeiro, pela alegriaDe se julgar criadorNo seio da natureza;Depois, por esta tristezaDe ver morrer o que fez,Sem ter nas mãos a certezaDe erguer o sonho outra vez.Diário VMiguel TorgaCoimbra (1974 - 3ª. Ed.)
Sem comentários:
Enviar um comentário