quarta-feira, 21 de março de 2007

Dia Mundial da Poesia



Miguel Torga por Mário Viegas

No Dia Mundial da Poesia,
um Grande Poeta na voz de um Grande Declamador!








terça-feira, 20 de março de 2007

Gataria

D. Afonso Henriques deu duas voltas no túmulo e reuniu de urgência o seu estado-maior!
O Beneficiado Malhão enfiou-se na biblioteca do céu, à procura de textos apaziguadores!
A pintora Josefa pediu a S. Pedro que lhe arranjasse uns plásticos para evitar arranhadelas nos seus quadros!
O Presidente da Câmara interrompeu os contactos com a comunicação social e deu dois pulos de contentamento: acabava de garantir figurantes para as lutas da próxima edição do Mercado Medieval!
Foi em Óbidos, neste fim de semana!
Um saco de gatos abriu-se e aconteceu espectáculo ... com algumas vozes a chamarem nomes aos bichanos mais importantes, num vernáculo que se julgava inacessível a mentes tão brilhantes.
Aguardam-se novos desenvolvimentos e novas investidas da gataria.
Mentes perversas e sempre ávidas da desgraça alheia dizem que a praga se propagará, com facilidade, do Largo do Caldas para a Rua de S. Caetano, e acrescentam que a este aumento de gatos assanhados não é alheio o trabalho de formação realizado na Universidade Moderna e, mais recentemente, na Independente.

sexta-feira, 16 de março de 2007

16 de Março de 1974 - A Censura

Na 2ª. feira, 18.03.1974, o jornal República aproveitava a derrota do F.C. do Porto na deslocação ao Estádio de Alvalade para, de uma forma brilhante, iludir a censura prévia e comentar a revolta das Caldas:
Sporting, 2 - Porto, 0
QUEM TRAVARÁ OS "LEÕES"
" Os muitos nortenhos que no fim-de-semana avançaram até Lisboa, sonhando com a vitória, acabaram por retirar, desiludidos pela derrota. O adversário da capital, mais bem organizado e apetrechado (sobretudo bem informado da sua estratégia), contando ainda com uma assistência fiel, fez abortar os intentos dos homens do Norte. Mas, parafraseando o que em tempos dissera um astuto comandante, «perdeu-se uma batalha mas não se perdeu a guerra» ..."
Que beleza de prosa e que imaginação na forma de dar a notícia.

16 de Março de 1974

Há 33 anos, Caldas da Rainha abria os telejornais da Europa!
Os militares do Regimento de Infantaria 5 tinham rumado a Lisboa, na madrugada de um sábado que se revelou não poder ser ainda o "dia claro, inteiro e limpo" que Sophia de Mello Breyner Andresen havia de cantar passados pouco mais de 30 dias.
Por descoordenação, "pressa de chegar para não chegar tarde" ou por quaisquer outras razões, não foi das Caldas que saiu a concretização do sonho, mas foi da cidade que emergiu, clara, a mensagem de que o tempo ia mudar.
O Sol radioso desse dia não impediu que, no final, voltassem as velhas e densas nuvens que, em comunicado patético, relataram os acontecimentos, terminando de forma "brilhante":
"...
Após terem recebido a intimidação para se entregarem, os oficiais insubordinados renderam-se sem resistência, tendo imediatamente o quartel sido ocupado pelas forças fiéis, e restabelecendo-se logo o comando legítimo.
Reina a ordem em todo o País."

domingo, 11 de março de 2007

Televisão



Na semana em que ocorreram vários aniversários, mais uma partida da "velhinha" hérnia discal que, de vez em quando, resolve dar um ar da sua graça, mostrando-me que está bem viva. A situação de desconforto, para além das dores, que me causa, rouba-me a vontade de fazer o que quer que seja e tira-me a paciência necessária para escrever duas linhas com algum (pouco) jeito.

Passaram assim em claro algumas reflexões que gostaria de ter feito sobre os 50 anos da RTP: do Bonanza a João Villaret, de Vitorino Nemésio a David Mourão-Ferreira, do Columbo ao Fugitivo, de Leonard Bernstein às Melodias de Sempre, das Mensagens de Natal às Conversas em Família, do homem na Lua, do terramoto de Agadir, do vulcão dos Capelinhos, das lágrimas do Eusébio, enfim, de tantas coisas que marcaram, abriram as portas da curiosidade, deram ânsia de aprender e descobrir, mostraram que havia mundo para além do "quintal".

E já lá vão 50 anos! Parece que foi ontem!

sexta-feira, 2 de março de 2007

Ecos da semana

  • Emigrante de leste trabalha numa unidade industrial a recibo verde;
  • Autarca sugere Hermano de Saraiva para palestrar sobre o 25 de Abril;
  • Gorjetas dadas em restaurante são receita do proprietário e não dos empregados;
  • A gravata de hoje tirou bilhete para a lavandaria;
  • A OPA da Sonae sobre a PT morreu;
  • A minha mãe partiu ... há três anos.

Palavras bonitas

POEMA À MÃE
...
Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio do laranjal ...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.

Poesia
Eugénio de Andrade
Fund. Eugénio de Andrade (2005)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Pensar ... positivo


Já se vislumbram algumas andorinhas nos céus; o Sol vai, aos poucos, enchendo os dias, que crescem a olhos vistos; a Páscoa chegará daqui a cerca de um mês; o Verão está aí!


Mergulhar na Foz, esquecer as agruras de um dia a dia carregado de nuvens, sempre a prometerem chuva. Falta pouco!


Até lá, a certeza de que, ao nosso lado, há milhões que nem expectativa têm!

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

ZECA AFONSO

A sensibilidade do poeta ...
CANÇÃO DE EMBALAR

Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será p'ra ti.
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu'inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer.
Album Cantares do Andarilho - 1968
... e a brutalidade do regime

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Carnaval

No intervalo entre dois desfiles carnavalescos, Sua Alteza Real D. Alberto Jardim I (e único) demitiu-se e abandonou o cadeirão de onde, desde há trinta anos, vela dia e noite pelo bem estar dos habitantes do seu Reino.

El-Rei manifestou, com o estrondo habitual, o seu agastamento por os súbditos da República terem decidido diminuir a terça com que têm contribuído anualmente, mostrando, com esta decisão, serem uns infames ingratos que qualquer Rei, por mais bondoso, não pode nem deve tolerar.

Embora imensamente tristes, os energúmenos dos continentais ficarão apenas com o pretendente a Rei, o qual, em matéria de carnavais, é muito mais comedido.

Quando parecia que tudo tinha acabado, como no samba, Sua Alteza entendeu que ainda não era Quarta-feira de Cinzas e decretou:

"O Carnaval não pode acabar! Vou apresentar-me de novo ao povo, que é soberano e soberano me há-de manter! Sem mim, haverá dilúvio sem Noé e sem arca, e este Reino afundar-se-á nas profundezas do Atlântico, antes mesmo de a Protecção Civil decretar o alerta laranja."

Viva o Carnaval!