segunda-feira, 14 de maio de 2007

Dia da Cidade


O TOMA vai ser inaugurado amanhã, com a pompa e a circunstância costumeiras dos Dias da Cidade.
Este ano, para além do TOMA, as distintas autoridades inaugurarão a nova sede da Associação de Municípios e, salvo qualquer imprevisto de última hora, não procederão à abertura de qualquer rotunda.
O TOMA vai ser o novo transporte colectivo da cidade, servido por pequenos e atraentes autocarros, de cor azul, os quais, em duas linhas - verde e laranja - cobrirão quase todo o núcleo urbano da cidade, incluindo a totalidade da Rua Heróis da Grande Guerra, recentemente fechada ao trânsito.
Ora TOMA!

quinta-feira, 10 de maio de 2007

O António a dar corda à esperança

António Lobo Antunes, hoje, em mais uma belíssima crónica da Visão: "(... )Abandonei o livro em que trabalhava há sete meses (sete meses de doze horas por dia para o galheiro) porque não posso, por um lado, escrever antes de voltar a ser eterno (quando não estamos doentes somos eternos)
e por outro o meu mundo interior alterou-se de tal jeito que sou um homem diferente, e o homem que sou não pode continuar a prosa de um estranho. Fará prosa sua, necessariamente diversa. Uma parte minha segue às voltas com o imenso sofrimento pelo qual passei e me atormenta ainda, me dói ainda, me impede ainda a disponibilidade completa que um
(ia a dizer romance mas não são romances o que faço)
exige e consolo-me pensando nos dezanove livros que até hoje escrevi e chegam bem para me justificar a existência. Acrescentar-lhes-ei alguns mais? Sempre estive certo que sim, hoje não sei.
(...)"

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Opinião

Se fosse eleitor em Lisboa, subscrevia a candidatura e votava na Arq. Helena Roseta para Presidente da Câmara da capital do meu País.
Guardo na memória uma mulher de botins, a comandar as operações nas cheias de Cascais, já lá vão uns bons anos, e admiro a coerência e a frontalidade.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Palavras bonitas

Uma mulher a cantar
de cabelo despenteado.

(Era o tempo das gaivotas
mas o mar tinha secado.)

Pelos seus braços caíam
frutos maduros de outono,

pelas pernas escorriam
águas mortas de abandono.

(Uma criança juntava
o cabelo destrançado.)

Gaivotas não as havia
e o mar tinha secado.

Poesia
Eugénio de Andrade
Fund. Eugénio de Andrade (2005)

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Medo

O ciclo das estações do ano não deveria estar dependente do calendário da natureza e sim das necessidades dos seres humanos, em função das variações do seu estado de espírito.
Nesta altura, em que a Primavera já poderia estar bem instalada e a anunciar o Verão, aparecem uns sinais invernosos, que acabam por acentuar a depressão, o mau humor, a tristeza, e o pessimismo que, diariamente, vamos encontrando nas pessoas com quem se conversa um pouco.
Os comerciantes lamentam a diminuição das vendas e culpam as grandes superfícies, catedrais do consumo; os industriais queixam-se da concorrência desleal da China e do Leste e da falta de rumo do país; os empregados por conta de outrém vão pagando os impostos, o carro e a casa e constatam que o seu emprego é, cada vez mais, um estado de graça que pode terminar a qualquer momento. Verificam, ainda, que o aumento da taxa de juro se vai fazendo convidado regular nas suas refeições e se prepara para se tornar hóspede definitivo e comilão.
Entretanto, na Visão desta semana, o filósofo José Gil, termina o seu ensaio sobre o medo da seguinte forma:
"... O medo encolhe os cérebros, reduz o espírito, fecha os corpos. Está-se a formar um clima de medo. E o medo tem a particularidade de alastrar. Ao medo social de perder o emprego, de não subir na carreira, de perder as pensões, de não aguentar tanta pressão e constrangimento em tantos domínios, junta-se agora o medo de protestar, de falar, de se exprimir. O medo social está a tornar-se político: tem-se medo do Governo, e, talvez, um dia, do primeiro-ministro."
As encruzilhadas apresentam sempre vários caminhos alternativos, mas o retrocesso nunca será o futuro!

domingo, 29 de abril de 2007

Portugal no seu melhor

Como acontece com toda a gente, a minha caixa de correio electrónico recebe, diariamente, inúmeras mensagens, com um grande número sem qualquer interesse.
Porém, como não há regra sem excepção, surge, por vezes, correspondência que desperta a atenção e motiva interesse.
É o caso deste trabalho, brilhante, de um grupo de alunos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, datado de 2005, provavelmente já conhecido de muita gente, mas que só hoje entrou na Casa.
É um retrato extraordinário, a que só falta a "cuspidela", o empurrão "qu'eu já cá 'tava" e o "coçar onde é preciso".
Visitem, não esquecendo de explorar bem os pontos e as figurinhas, em:

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Símbolos


E vão trinta e três ...

Salgueiro Maia, fotografado no Carmo por Alfredo Cunha

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Capicuas

22 + 33 = 55

22 - Como era novo!

33 - Já decorreram. Parece que foi ontem!

55 - São os de hoje!

As próximas acontecerão em 2018.

Cá estarei ... para comentar!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Livros - Dia Mundial

Conhecemo-nos há cerca de 50 anos e temos mantido uma amizade sã, sem arrufos nem zangas dignas de registo. Os primeiros encontros tiveram lugar sem contacto físico, com leituras (pela voz da mãe e da irmã) retiradas dos livros da primária, alguns dos quais, mais tarde, me passariam pelas mãos. À força de tanta vez o ouvir, por insistência minha, decorei um texto que contava a história dos bois de um tal Geirinhas, que não puxavam o carro por estarem com os lugares trocados. A cigarra e a formiga também vêm desse tempo.
O aprender a ler permitiu governar-me sozinho e o Jornal de Notícias, chegado do Porto ao final do dia, era devorado no chão da cozinha, única hipótese de ser lido (soletrado), por os braços serem demasiado curtos para o tamanho. O "boneco" do Pacheco de Miranda, na última página, era a primeira coisa a espreitar. Destas leituras vem à memória, sem preocupação de confirmar sequência, o terramoto de Agadir, a invasão de Goa, o assalto ao Santa Maria, notícias que não se entendiam e que os adultos evitavam explicar. Foi no JN que foram tentadas as primeiras palavras cruzadas, com dificuldade para entender a razão pela qual batráquio, com duas letras, era rã.
O vocabulário era curto. Os primeiros livros da Biblioteca itenerante da Gulbenkian foram lidos com dificuldade e com o recurso sistemático a um pequeno Porto Editora que apareceu lá em casa. A maior parte das leituras que fiz na adolescência deveram-se à Fundação Calouste Gulbenkian. O "homem da carrinha" era o conselheiro e, por lhe ter caído no goto ou por me achar maduro (?!), entregou-me A Relíquia , com a cinta vermelha à volta, por volta dos meus 12/13 anos. Foi o primeiro Eça que li, após um estágio com Júlio Dinis.
O Círculo de Leitores permitiu as primeiras compras com regularidade, utilizando os poucos recursos disponibilizados pelo "Ministro das Finanças" lá de casa. Uma das aquisições - Sábado à noite, Domingo de manhã, de Alain Sillitoe - haveria de ser confiscado no dia da apresentação na tropa, com o argumento de que, ali, não teria tempo para ler e que, se calhar, o livro até era subversivo! Abençoado sargento, mais papista que o papa.
A amizade continua ... os livros são mais fofinhos ... o que sobra em vontade, falta nos olhos e nas costas ... mas cá continuamos. A ler, cá nos vamos entendendo e aprendendo.