terça-feira, 18 de setembro de 2007

Fim do dia

É tão bom ouvir o silêncio ...

(Estou constipado)
E pensar:

- cheguei mais cedo hoje?!

Não há torneiras nem gavetas a abrir, ainda é cedo para pôr a mesa ...

Começaram as aulas!
Li meia dúzia de páginas do Canário (último livro de Rodrigo Guedes de Carvalho), no sítio do costume ... vi o correio electrónico, os filhos não estão no MSN ...

Bolas ... já estou farto de ouvir o silêncio!
Que chegue o "barulho", que me faz falta!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Cerveira


Tudo tinha sido pensado para um fim de semana tranquilo, sem pressas, usufruindo da beleza e da suavidade da terra, do remanso do Minho e das obras da Bienal.

A viagem começou bem cedo, ainda o Sol não acordara, e decorreu sem problemas, com a estreia de um pouco mais da A8, deixando Leiria a Nascente e ligando à A1, já bem perto de Pombal.

Duas paragens para desentorpecer as pernas e compor os estômagos, "Basófias" com a névoa matinal, e pouco trânsito. O Porto "sentido" e atravessado "junto à Serra do Pilar" com o "velho casario, que se estende até ao mar". Não foi "a primeira vez", mas a imponência do Dragão fez lembrar quem está por outras paragens ... mas adiante.
A voz, feminina, do GPS, fazia companhia e "obrigava" a silêncios, para escutar o melhor caminho.
Chegados ao destino, viatura estacionada junto ao pavilhão principal da Bienal e passeio pela Vila, com visita ao mercado semanal, cheio de compradores vindos do lado de lá do rio, que proporcionavam um ruído de vozes, tons e sotaques, ao mesmo tempo estranho e agradável para quem chega.
A Bienal começou a ser vista depois de umas boas costelinhas grelhadas, a fazerem jus à fama gastronómica da região, e que tiveram "molho" a contento.

Para a noite programou-se a ida ao Terreiro, para onde estava anunciada a recreação de uma desfolhada, integrada nas Festas de Nossa Senhora da Ajuda. Música tradicional, ranchos folclóricos que se faziam acompanhar de "merenda" para quem tivesse apetite e, anunciava o apresentador, os melhores tocadores de concertina da região, antes do fogo de artifício que seria "deitado" cerca da meia-noite.

Já não ouvimos as concertinas!

Alguém fez chegar um papel ao palco e segredou meia dúzia de palavras ao apresentador. Primeiro, a informação de que estava mal estacionado e, logo a seguir a correcção: tinha sido assaltado o carro XX-XX-XX.

Era o nosso!

Uma corrida de cerca de 300/400 metros e lá estava ele, "guardado" pelos familiares de quem tinha voltado atrás para dar o alerta. Vidro partido, gaveta do tabliê aberta, tudo remexido, faltava o suporte do GPS, o respectivo carregador, uma pequena bolsa com CD's copiados e um saco com algumas compras feitas pelos amigos que nos faziam companhia.
Passado o primeiro impacto, entre o "se não tivesse ficado o suporte colado ao vidro" e o "tivemos sorte, podia ser bem pior", decide-se fazer a participação às autoridades, pelo menos para influenciar as estatísticas.

Recebidos de forma simpática, com as desculpas pelo incómodo causado "a quem vem de tão longe", fomos respondendo às perguntas que faziam parte dos vários ecrãs que o agente se esforçava por preencher da forma mais rápida que conseguia. Após algumas dificuldades na impressão, meia dúzia de assinaturas.

No final da "confissão", que durou quase uma hora, a informação, com a simpatia habitual:
- Vai levar um exemplar da participação. Pode ser necessário para o seguro ... Devia ser uma Certidão, mas teria de pagar ... e talvez não seja preciso.
- Pagar?
- Sim, claro! A Certidão tem que ser paga!
- Mas eu sou o lesado. O Estado tem deveres para comigo e um deles é garantir a minha segurança e a dos meus haveres ...
- Tem razão, por isso leva a cópia ... Se fosse certidão, tinha de pagar!

A despedida, tal como a chegada e o atendimento, foi extremamente simpática.

- Deve ser tão aborrecido! Vir passear à nossa terra e acontecer isto. Há três sábados seguidos que isto sucede. O nosso Comandante até está a pensar pôr pessoal à civil por aí ...

Moral da história: Fui roubado, fiquei com o carro danificado, fui bem atendido e trouxe uma via da participação.

Faltou a Certidão para o processo ficar completo ... mas tinha de pagar !!!???

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Caldas da Rainha


No mês em que se completam 80 anos da elevação a cidade, um comentário sobre a estratégia ou a falta dela ...

"...
Infelizmente, Caldas manteve-se nesse aparente desenvolvimento, assente numa gestão urbana de obra pública duvidosa e empreendimentos imobiliários. As enormes potencialidades das Caldas e das suas gentes estão embotadas por uma condução sem estratégia nem rasgo da sua edilidade. Valem-nos os que ainda lutam, mantendo nichos de qualidade. Esperemos que resistam até que cheguem melhores dias. Esta terra merece-o. E eu sei que sim."

Maria José Nogueira Pinto
Diário de Notícias - 16.08.2007

terça-feira, 28 de agosto de 2007

O barrete do Manelinho

O barrete era peça sempre presente na sua indumentária. Protegia do sol, do frio e da chuva, que os poucos cabelos dispersos pela careca já não cumpriam essas missões.

Diga-se, porém, que não foi a calvície que determinou o seu uso e julga-se, até, que terá contribuído fortemente para a queda do adorno capilar. Se assim aconteceu, a importância do barrete fica muito diminuída e prejudica a sua reputação, enquanto peça essencial do vestuário.

Na época, o barrete já era raro nos campos, substituído, com vantagem, pelo boné de pala, que se apresentava muito mais cómodo e ... mais bonito.

Tinha sido abegão na casa!

Quando o conheci já "mancava" da perna direita, por via da queda de um cavalo, em condições que nunca ouvi explicar bem.

Por essa altura já os cavalos de quatro patas tinham sido substituídos pelos de quatro rodas e o velho abegão deixara de ser o professor de equitação das crianças, o apoio das senhoras no acto de montar e o moço de recados para os ditos, urgentes.

A perna já só era direita no nome de baptismo. O joelho quase encostava ao seu irmão do lado e o pé afastava-se para fora, num simulacro de chuto na bola ... sem ela. A perna fazia um ângulo obtuso, com o vértice situado no joelho. O homem andava, coxeando, num misto de saltinhos e passos, por entre as flores e os canteiros do jardim, local onde passou a trabalhar após a "recuperação" da queda.

A idade, a deficiência e o gosto já não ajudavam na execução das tarefas da jardinagem. Todos, incluindo os patrões, o respeitavam e ninguém comentava a sua fraca ou nula produtividade.

Era desajeitado nas flores.

Não conseguia podar uma roseira, não sabia transplantar um alporque de cravo, não cortava uma sebe de buxo, de nada servia ensiná-lo a semear um canteiro de sécias.

Apesar da perna, nunca estava parado. Corria o jardim de ponta a ponta, vezes sem conta.

Conhecia todas as luras dos coelhos, os sítios onde melros e tordos bebiam água, os locais onde perdizes e codornizes faziam os ninhos.

Era um caçador exímio!

Quando aparecia, na hora do almoço ou da merenda, mandava atiçar o lume e sacava o barrete: bem lá do fundo surgia um melro, apanhado desprevenido na rede, montada no pequeno charco onde fora saciar a sede; um tordo, que se colara no visgo do ramo de loureiro, quando pretendia saborear uma baga da cheirosa árvore; um láparo, apanhado no laço, armado à saída da loca.

Nos pássaros, um pequeno corte dado pela navalha junto a uma das patas ... e as penas saíam, num repelão, agarradas à pele. No coelho, o sistema era idêntico e esfolá-lo era uma questão de segundos ...

A cor avermelhada da carne punha todos a salivar. Antes de o petisco ser posto no lume, era "amanhado" pelas mãos habilidosas e pela "naifa" afiada, "moradora" permanente no barrete.
A dose era curta e mal dava para a "cova do dente" de cada um.

O barrete do Manelinho era a caixinha de surpresas que todos queriam abrir!

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Alcunhas

A professora escrevia no quadro preto, com giz branco, qualquer coisa que já não consigo precisar ... devia ser alguma explicação matemática! A área das contas punha-a sempre de costas e os alunos aproveitavam para fazer algumas caretas que, noutras circunstâncias, nunca arriscariam.
Apesar das momices, o silêncio era sepulcral e só o giz, de vez em quando, "chiava", incomodando os ouvidos e arrepiando a pele.
Primeiro ouviu-se um ligeiro assobio, quase imperceptível, detectado apenas pelo colega de carteira! Pouco depois a intensidade aumentou, o som identificou-se e acabou num "foguete", como se terminasse uma sessão de fogo de artifício.
Vermelho que nem um tomate, ficou o Bufa-Pum ... e já lá vão quase 50 anos.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Livros (lidos ou em vias disso)

" (...)Os jantares de Mónica também correm sempre muito bem. Cada lugar é um emprego de capital. A comida é óptima e na conversa toda a gente está sempre de acordo, porque Mónica nunca convida pessoas que possam ter opiniões inoportunas. Ela põe a sua inteligência ao serviço da estupidez. Ou, mais exactamente: a sua inteligência é feita da estupidez dos outros. Esta é a forma de inteligência que garante o domínio. Por isso o reino de Mónica é sólido e grande. (...)"

Extracto do conto Retrato de Mónica, publicado em 1962 por Sophia de Mello Breyner Andresen e agora reeditado.

Contos Exemplares
Sophia de Mello Breyner Andresen
Figueirinhas (2006)

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

15 de Agosto

Não houve carrinhos de choque, carrosséis, poço da morte (cuidado, Marlene, foi assim que seu pai morreu ...), barraquinhas de tiro ou circo.
Nem sequer houve praia.
Apenas foi 15 de Agosto ... no calendário!
A visita matinal ao café teve a companhia do guarda-chuva ...
O mar, na Foz, estava cinzento e bruto ...
Fica a consolação de amanhã ser quinta-feira e o fim-de-semana estar à porta!

domingo, 12 de agosto de 2007

Palavras bonitas


CONFIANÇA
 
O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura ...
E que a doçura
Que não se prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...

Cântico do Homem
Miguel Torga
Gráfica de Coimbra (1974)

Passam hoje 100 anos do nascimento do Grande Poeta.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Hoje

A Protecção Civil não difundiu nenhum alerta e a "peixeirada" aconteceu na Assembleia Geral do BCP. A reunião acabou por ser suspensa, por avaria no sistema informático, que não conseguiu proceder à contabilização correcta dos votos em presença.
No meio de tantos homens de negócios, não havia ninguém que soubesse fazer as contas à mão?