quinta-feira, 24 de junho de 2021

Netos

A festa ainda não pôde ser aberta, sem máscaras nem constrangimentos e, para cúmulo, o pai só esteve presente graças às novas tecnologias, e por pouco tempo, que o trabalho em terras húngaras é exigente e o tempo urge.

O meu neto Duarte faz hoje NOVE anos e, precisando bem, parece que nasceu "ontem". Está um homenzinho, a marcar a sua presença, os seus gostos, a sua vontade, a sua personalidade, o seu futuro que, claro, se deseja risonho e feliz.

E é tão bom vê-los crescer e sentir que, em cada dia que passa, há mais um "tijolo" na construção da sua vida.

Parabéns DUDU, meu querido neto!

quarta-feira, 23 de junho de 2021

terça-feira, 22 de junho de 2021

Lógica

Não tem idade, pátria ou morada conhecidas. Nem sequer tem pais e muito menos se conhece a região de onde surgiu. É conhecido em todo o mundo, variando o nome em função da língua que é falada.

Por cá é o Carlinhos. Percebe de tudo, tem opinião fundamentada sobre todas as matérias, domina perfeitamente todos os problemas e tem sempre as soluções na ponta da língua. Poderia, facilmente, ser comentador televisivo e seria disputado a peso de ouro, elevando as audiências a níveis estratosféricos.

Em tempos idos e numa das suas primeiras intervenções, demonstrou a inexistência de lógica, sem recorrer a quaisquer fórmulas matemáticas e utilizando apenas o saber empírico, de tal forma claro que toda a gente entendeu, incluindo a professora que lhe colocou a questão.

- Carlinhos, o que acha da lógica?

- Nada. Eu acho que não há lógica, senhora professora.

- O menino não está bem, Concentre-se, pense, deixe-se de parvoíces e responda.

- Mas eu posso demonstrar, senhora professora. Quando venho para a escola e quando regresso, toco nas campainhas de todos os prédios. Lógico seria que me chamassem o "toca campainhas".

- Claro!

- Não, senhora professora. Gritam "lá vem o malandreco do quinto andar".

A professora nunca mais falou sobre lógica, nem se deve ter esquecido da demonstração.

O Carlinhos manteve a sua pertinácia até aos dias de hoje e há-de voltar com outras, das muitas demonstrações de sapiência que guarda no seu "cofre-forte".

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Verão

Se consultarem o calendário, verão que chegou o Verão; se ouvirem as rádios, virem as televisões e lerem os jornais, verão que chegou o Verão. Verão ainda que hoje, por força do solstício, é o maior dia do ano. 

Se forem à Foz do Arelho verão que o Verão não veio. Terá perdido o comboio? É possível. Se forem à estação, verão que, mesmo no Verão, os comboios são cada vez mais raros e demorados. E, se olharem bem, verão que, mesmo conseguindo um comboio que chegasse às Caldas, o Verão ainda tinha de apanhar um autocarro o que, verão, não é tarefa fácil nesta cidade nem tem nada a ver com o que se passa noutras. Verão, ainda, que o autocarro suportado pela Autarquia para transportar os admiradores do Verão, apenas funciona diariamente no mês de Agosto. Se consultarem o horário, verão que inicia os seus trajectos apenas às 11 horas, porque antes, como verão, nem vale a pena descer ao mar.

Mas voltando à Foz, se lá forem verão que o vento se mantém e verão, também, as bandeiras vermelhas desfraldadas (são 3), numa clara manifestação de gozo pelo que o Benfica (não) fez esta época. Verão ainda que a praia está mais limpa graças à nova máquina adquirida pela Autarquia, que irá trabalhar, a máquina, claro, durante todo o Verão, mesmo que ele não chegue, por estar assim determinado numa lei já bastante antiga, aceite por todos, sempre com a esperança de que o calendário se cumpra.

E verão meia dúzia de pescadores desportivos, a lançarem o isco para o mar revolto. E verão ainda um casal de velhos que, teimosamente, foram à procura do Verão e, talvez por dificuldades naturais da visão, não o encontraram.

Sejam resilientes, como agora se diz a propósito de tudo e de nada. De Verão ou de Inverno, vão sempre à Foz. Verão que vale sempre a pena e, algumas vezes, verão o Sol aparecer por entre o nevoeiro e verão, se levarem um termómetro, que a água, por vezes, quase atinge os 16 graus.

Não haja qualquer dúvida que a Foz vale sempre a pena. Não retenham do que ficou dito qualquer desistência. Nem pensar!

Se lá forem amanhã, verão que é Verão também na Foz.

Hoje era segunda-feira ...

domingo, 20 de junho de 2021

RESCALDO

Rescaldo - s.m. 1. calor reflectido de uma fornalha ou de um incêndio 2. cinza que contém brasa 3. acto de deitar água nas cinzas de um incêndio 4. cinzas lançadas por vulcão 5. aparelho para conservar quentes as comidas servidas à mesa 6. camada de estrume que se coloca em torno de um caixão com plantas para aquecer a terra pela fermentação 7. resultado de alguma coisa; saldo.

in Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

Procurando bem e com alguma elasticidade, talvez se aplique a definição contida no número 7. e, mesmo assim, ficam algumas dúvidas. Assim sendo, o melhor é não fazer o rescaldo do que se passou ontem na capital alemã da cerveja e aguardar que as terras húngaras de Buda não tenham Peste e ajudem a recuperar o fôlego e a ambição de voltarmos a ir longe.

Na quarta-feira há mais, mas é e continuará a ser apenas um jogo de futebol, com três resultados possíveis, sendo o empate o mais provável, por ser com ele que tudo começa.

E nem o tempo ajuda! Um mergulho na Foz por dia, nem sabe o bem que lhe fazia!

sexta-feira, 18 de junho de 2021

EURO 2020


Decorre até ao próximo dia 11 de Julho o Campeonato Europeu de Futebol que, neste ano especial, também contém, ele próprio, algumas especificidades. Desde logo, realizar-se em ano ímpar, mantendo a designação Euro 2020, por a pandemia ter impedido a sua concretização no ano que lhe estava destinado. Não me recordo de alguma vez isto ter acontecido, mas o malfadado coronavírus tem transtornado tudo, até o futebol.

A minha memória, que já não é grande coisa se é que alguma vez foi, também não alcança qualquer outro Europeu que tivesse lugar em tantos países. São onze ao todo - Alemanha, Azerbaijão, Dinamarca, Escócia, Espanha, Hungria, Inglaterra, Irlanda, Roménia e Rússia - e que os jogos privilegiassem uns países em detrimento de outros. De facto, na fase de grupos, Alemanha, Dinamarca, Espanha, Holanda e Inglaterra, disputam os três jogos nos respectivos países, apoiados pelos seus adeptos e sem necessidade de deslocações. Há ainda três outros - Escócia, Hungria e Rússia - que também jogam em "casa", embora apenas por duas vezes. Os restantes  quinze, entre os quais Portugal, jogam fora do seu país e, ainda por cima, disputam dois jogos numa cidade e o outro num outro país.

Claro que a pandemia é a responsável por tudo isto e a UEFA garante que a competição será disputada em perfeitas condições de igualdade para todas as equipas, uma vez que, sem qualquer excepção, todos iniciarão os jogos com onze jogadores.

Assim, não há quaisquer dúvidas sobre as condições iguais para todas e, se porventura elas surgirem, o VAR estará a postos para tudo esclarecer.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Conversas e siglas

As conversas são como as cerejas, lembro-me sempre e bem. Nos tempos de escola e nos delas, aproveitávamos um qualquer furo para dar uma fugida à praça, ali a não mais de duzentos metros, e, descendo, tirávamos uma de cada banca, sob o olhar risonho e cúmplice das vendedeiras. Vinham sempre três ou quatro e, no final, quase enchiam o bolso.

Neste fim-de-semana, uma conversa de circunstância a propósito de pacotes de açúcar, relembrou variadíssimas coisas do "antigamente" que, para os mais jovens, terão proximidade à "idade da pedra".

- E os pacotes da SEMPA, lembram-se? E o que queria dizer SEMPA?

- Salazar Envia Militares para Angola. E, ao contrário, Angola Precisa de Militares Enviados por Salazar. 

- E ainda falta um ... Só Esta Mxxxx Para Adoçar.

Risada geral, perante a brejeirice do dito e a ignorância do mesmo por muitos.

Lembrei-me de muitas outras siglas cujo significado era alterado, à boca pequena. Havia expressões que os ouvidos sensíveis não toleravam.

PVT significava, oficialmente, Polícia de Viação e Trânsito, mas o meu pai ensinou-me, muito novo, que também podia ser Provadores de Vinho Tinto. Talvez fosse mais adequado e ele conhecia muitos ...

FNPT era a sigla de Federação Nacional dos Produtores de Trigo, instituição governamental que centralizava o armazenamento do cereal produzido para, depois, o vender aos que o moíam. As más línguas diziam que seria melhor chamar-lhe Fome No País Todo.

Quando se estranhava alguém "ao alto", a pergunta surgia:

- O que faz aquele?

- Trabalha na SAPEC.

A SAPEC era uma grande empresa de minas, adubos e outros produtos para a agricultura. A resposta informava os curiosos que aquele "braço de trabalho" executava a função não nela mas sim na Sociedade Anónima de Polidores de Esquinas e Calçadas ou, circunscrevendo à região, na Sociedade Anónima de Polidores de Esquinas das Caldas.

Há muitas mais, mas hoje ficamos por aqui, não vá aparecer alguém a querer saber o que significava GNR. 

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Condução de risco

Um fim de tarde outonal, regado por uma violenta chuvada que apanhou toda a gente de surpresa. A estrada, larga, de paralelo granítico hoje em dia já raro, não convidava a velocidades e muito menos a travadelas bruscas. As primeiras chuvas após o Verão são sempre traiçoeiras e oferecem dissabores quando menos se espera. Todo o cuidado é pouco e uma distracção pode ser a "morte do artista".

Os recrutas saíam em magote do quartel, ávidos do aproveitamento de um pouco de sol discreto que havia surgido e da vida "civil" que a cidade oferecia. Era a rotina diária, quando não havia instrução nocturna. Um passeio antes do recolher, comer qualquer coisa diferente do rancho, ouvir outras vozes, conhecer a terra e apreciar as beldades.

A condutora deve ter ficado perturbada com tantos e tão garbosos jovens. O travão, as mãos ou o destino levaram a viatura a galgar o passeio e a colher sete militares. Poderiam ter sido setenta. Por sorte, foram apenas sete e nenhum em estado grave. Veio o Oficial-Dia, o Sargento da Guarda, o Comandante da Instrução e, claro, a PSP, para além da ambulância, que recolheu os feridos para a enfermaria.

Ninguém tinha dúvidas de que a culpa era da incúria da senhora. A tropa levantou o auto, a polícia instruiu o processo. Passados vários meses, o Tribunal marcou a audiência. Meia dúzia de testemunhas atestaram a normal excelência da condução da senhora, o Delegado pediu que fosse feita justiça, o causídico da defesa levantou-se e desenvolveu a sua tese em busca da absolvição da ré. A sua eloquência mostrou, à saciedade e à sociedade que o acidente apenas tinha acontecido exactamente por "acidente acidental" e nunca por inépcia da condutora. Talvez alguma deficiência técnica da viatura, algum obstáculo na estrada, qualquer coisa de imprevisível que não foi possível descortinar naquele momento. Todavia, de uma coisa não havia dúvidas: tinha sido a destreza e o sangue-frio da condutora a evitar uma tragédia. Aquele magote de instruendos, saídos do quartel sem os cuidados necessários e num tropel inconcebível, teria sido dizimado não fosse a perícia da mulher que estava ao volante. 

A absolvição pedida foi sancionada pelo Juiz, por não ter sido possível provar, em julgamento, negligência, insensatez ou culpabilidade. Na leitura da sentença, o Juiz não se esqueceu de recomendar à senhora que, ao passar pelo quartel, se não distraísse com a paisagem.

terça-feira, 15 de junho de 2021

EURO 2020

PORTUGAL - 3 / Hungria - 0

Com sofrimento, mas o primeiro já cá canta. E as fontes da nossa utopia enchem-se de esperança.