Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
sexta-feira, 22 de abril de 2022
quinta-feira, 21 de abril de 2022
Paciência
A necessidade de esclarecer a contabilização e um pedido de pagamento obrigou-me a procurar um endereço electrónico para responder, uma vez que o que me foi enviado transmitia, imperativamente, que aquele endereço não fosse utilizado para responder.
Fui à página da NET mas contactos electrónicos não existiam. Indicava-se um número de telefone para qualquer contacto.
Que desespero! Tentar saber apenas um endereço electrónico é pior que percorrer a via sacra! A chamada já leva mais de quatro minutos e continuo a ouvir um arrazoado dissertando sobre a protecção de dados e afins.
Não há pachorra! Desisto, que são horas de ir jantar, tema muito mais interessante e importante.
quarta-feira, 20 de abril de 2022
Roseira
Não aguentou a ventania. Havia sido plantada no jardim há muito, muito tempo. Talvez trinta anos, talvez mais. Era a mais antiga e ostentava algumas rosas na primavera que foi a sua última. Caiu de noite, para que ninguém visse. O vento foi implacável e aproveitou-se da sua fraqueza e incapacidade para resistir. Como tantas vezes acontece com tanta situação ...
Deixa duas herdeiras que, cheias de força e vontade, resistiram sem problemas às inclemências do tempo. Partiu a roseira mais velha, ficaram as descendentes que, juntamente com as outras que por cá moram, hão-de continuar a dar alguma beleza ao jardim.
Tudo tem o seu fim, tudo continua.
terça-feira, 19 de abril de 2022
Cuidado com o cão
Como era esperado, o carteiro trouxe-o hoje, dia oficial da colocação à venda, autografado e tudo. E já começou a ser lido.
Remeteu para a fila de espera a "Morte e ficção do Rei Dom Sebastião", de André Belo, (Tinta da China), e o "Contágios", de diversos autores (Visgarolho), que ficarão a aguardar melhor oportunidade para serem concluídos. Talvez não o merecessem, mas devem ter paciência. Nem sempre tudo nos corre bem.
Tendo em conta os trabalhos anteriores, as expectativas são elevadas para este novo livro de Rodrigo Guedes de Carvalho, mas as conclusões serão tiradas no fim. Não são de prever desilusões e o princípio já o indicia.
Agora é ler, para chegar ao fim tão depressa quanto o deleite o permita.
segunda-feira, 18 de abril de 2022
Divagações
Há todos os dias coisas que aprendo, aparecem diariamente muito mais assuntos que ignoro. Não tem nada de mal nem de anormal, é verdade, e acontece, digo eu, a toda a gente, mesmo aos que pararam no tempo e acham que nem vale a pena perder uns minutos com um tema que ignoram e também àqueles que sabem tudo e de ninguém precisam.
É bem mais fácil comer o peixe já misturado no acompanhamento, previamente despido da pele e das espinhas, do que ser colocado frente ao prato onde paira a posta, e conseguir que, com esforço, calma e atenção, lhe sejam retirados os componentes que não irão ser deglutidos.
Com tantos anos já decorridos, seria admissível pensar que já não apareceriam coisas completamente novas, assuntos totalmente ignorados, temas simplesmente desconhecidos. E nada disto acontece, felizmente. Depois disto, surge a interrogação, a constatação da estupidez, a vontade de abanar, agitar, revoltar, modificar.
Se o mundo tem tanto de aliciante para todos, se cada um pode dar o seu contributo útil, como compreender que "meia dúzia" continue a subjugar a imensa maioria e se repitam situações de opressão, dizimação, violência, sem preceito nem respeito por ninguém.
A estrada será estreita. Todavia, todos poderiam nela caber, se cada um ocupasse apenas o seu espaço e se preocupasse em não invadir o dos outros.
Divagações!!!
domingo, 17 de abril de 2022
Palavras bonitas
QUEREM O CÉU
Querem o céu, a mística ilusãoDa alma.E, se estivessem lá,Queriam a terra, a sórdida moradaDa raiz.Mas é o céu que lhes dizEternidade,Verdade,SantidadeE descanso.Assim se pode mistificarA preguiça,O pecado,A mentira,E a transitória vida natural.O grande tecto azul, porém, não dá sinalDe acolher o aceno.Afaga as nuvens, e da luz solarFaz o dia maior ou mais pequeno.
Cântico do HomemMiguel TorgaCoimbra (Jan/1974)
sábado, 16 de abril de 2022
Largo Estragado
Na designação camarária, oficial e obrigatória nos registos, é Largo do Colégio Militar. Ninguém saberá explicar bem porquê e quais as razões que motivaram a homenagem à instituição que, na capital, há mais de duzentos anos se dedica, quase em exclusivo, ao ensino de futuros militares. O Estragado, que sempre deu nome ao Largo, foi despromovido e passou a usar as divisas de Beco, perdendo os galões de Largo.
Não parece que o grande oleiro que foi e que por ali manteve a sua olaria, produzindo bens de carácter utilitário para todas as famílias, das mais abastadas às menos afortunadas, merecesse tal despromoção, ainda por cima feita à revelia da "parada" e sem conhecimento da grande maioria dos "soldados", "sargentos" e "oficiais". Enfim!
Apesar das decisões, da publicação e da saída "à ordem", continua a ser o Largo do Estragado o nome pelo qual é conhecido por todos. Sem contar os que lá moram ou por perto residem, não haverá muita gente na cidade que consiga localizar rapidamente o Largo do Colégio Militar. Se for perguntado pelo Estragado, quase todos terão a resposta na ponta da língua.
O Largo anda há mais de dois anos a ser arranjado, perdão, requalificado, e não há meio de as obras de requalificação - é bem mais bonito assim, não haja qualquer dúvida - ficarem prontas. A pandemia, a pandemia, a pandemia, a pandemia, ainda a pandemia e ... nem a mudança de regime camarário conseguiu o milagre. Os elementos que hão-de propiciar as delícias da criançada ainda estão "embrulhados" em panos, por certo para se não sujarem até à inauguração. As vias que o circundam, um dia parecem estar prontas, no outro aparece logo mais um buraco e novo trabalho de calceteiro. Se chove, surgem poças de água a demonstrar que o nível foi mal calculado e a água, que o determina, fica por ali. Mais umas fitas vermelhas, uns sinais de obras e de proibição de trânsito, um ou dois trabalhadores, uma maquineta pequena e, de novo, uma requalificação da calçada, não um arranjo.
A requalificação caminha, devagar, mas caminha. Se fosse arranjo, seria mais rápido, mas não tinha a repercussão devida. Não era a mesma coisa ...
O Estragado, lá onde estiver, deve rir-se e achar que era bem mais fácil fazer bilhas, alguidares e jarros do que arranjar, melhor, requalificar o largo que é seu, de facto, mas não de direito.
sexta-feira, 15 de abril de 2022
Teatro
Há mais de dois anos que não acontecia.
Ontem foi noite de teatro no CCC e aconteceu uma daquelas que dificilmente se esquecerá. A peça, COCHINCHINA, uma adaptação do livro Princípio de Karenina, de Afonso Cruz, feita por Sandra Barata Belo, encheu a noite.
Victor d'Andrade foi o protagonista, num regresso à sua terra natal, muito bem acompanhado por Margarida Vila-Nova e Patrícia André. Excelentes interpretações, uma encenação linda e fora do esperado, e uma sala, cheia, que aplaudiu de pé os três actores, enormes no seu desempenho.
Hoje, logo pela manhã, a notícia que ensombra o Teatro: morreu Eunice Munoz, a "Mãe Coragem" que, felizmente, tive oportunidade de ver várias vezes em cima do palco, onde os actores se dão na plenitude e mostram todo o seu valor.
Eunice era enorme e assim permanecerá na memória.
quinta-feira, 14 de abril de 2022
"Reset"
Está um caco. Não que esteja sujeito a partir-se, isso não, o físico ainda mantém algum vigor. O cérebro, esse, deixou de funcionar e não há "ferramentas" que o recoloquem no sítio. Não há ninguém conhecido, não há palavras proferidas, já nem sequer sussurros ou sorrisos. Olha para o infinito, mesmo quando lhe dizem para se sentar no carro. É lá bem ao fundo que estará o que procura e já não tem meio de encontrar.
A mulher vai levá-lo a ver o mar, mesmo parecendo que isso pouco lhe dirá. Talvez goste das ondas, lá ao fundo e elas lhe tragam alguma felicidade. O horizonte é extenso, pode olhar sem limite.
As indicações são de que, a cada dia que passa, a ausência vai-se acentuando e assim continuará, inexorável, até que a "máquina" se canse e dê por finda a tarefa.
Nunca se está preparado, por mais que saibamos que é assim. Custa ver quem connosco brincou, correu, saltou, bebeu, fumou, esteja "branco".
O F. está arrumado. Não terá disso noção e talvez seja melhor assim.
quarta-feira, 13 de abril de 2022
"Os cadernos e os dias"
Gonçalo M. Tavares é um escritor que faz parte de um núcleo, reduzido, de gente das letras, bem mais nova do que eu, que muito aprecio e procuro ler com regularidade. Nesta regularidade está incluída a crónica semanal por ele publicada na revista do Expresso, que sempre me abre horizontes, me desperta para curiosidades, me chama a atenção para evidências que, de outra forma, talvez passassem despercebidas, me extasia e causa inveja, pela qualidade dos pensamentos e pela forma como são expostos.
O Expresso sai, de novo, já amanhã - o tempo passa a correr - e a leitura da revista da semana passada só hoje foi concluída. E é lá que se podem ler estas preciosidades, aguçando o apetite para o que virá a seguir.


