Dia azul, como o Danúbio, sol radioso, temperatura agradável, oceano com ondas grandes, um bom almoço e ... excelente música.
Que mais se pode querer num dia tão especial?
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
Dia azul, como o Danúbio, sol radioso, temperatura agradável, oceano com ondas grandes, um bom almoço e ... excelente música.
Que mais se pode querer num dia tão especial?
A AD, coligação recauchutada da original de 1979, reúne, de novo, os três partidos que lhe deram vida naquela época: PPD, CDS e PPM.
Os anos passaram, as circunstâncias alteraram, os homens mudaram, as necessidades obrigaram, e ei-la ressuscitada para concorrer às próximas eleições. A princípio foi anunciada a dois e reconfigurada depois de o PPM se ter colocado em bicos de pés e reclamado a sua importância histórica (e histérica).
Ontem decorreu a convenção de apresentação, com inúmeras personalidades a botar faladura, a prometer, a divagar, a idear, na busca da melhor estratégia para conseguirem os seus, legítimos, objectivos. Do PPM nem rasto. O fadista não conseguiu ou não quis lugar na plateia e muito menos na tribuna. Talvez tenha perdido a voz numa noite mais puxada e tenha ficado em casa, a recuperar ou a ler o Auto da Índia, de Gil Vicente, bem adequado ao momento que vive.
(...)
O campo era de saibro, a bola, de borracha, com um bom tamanho e de qualidade bem diferente, para melhor, do que aquelas com que era habitual jogar. O futebol era tolerado, quando não coincidia com as aulas de ginástica, ministradas no mesmo espaço. Ginásio era, ainda, coisa de sonhadores ...
Faltava um para as duas equipas se equilibrarem. Em número, claro.
- Puto, queres jogar?
Eram maiores, não conhecia nenhum. Era o primeiro ano naquela escola, ainda desconhecida e os colegas da turma não tinham chegado da hora do almoço. A vontade de ingressar nos "grandes" era imensa.
- Claro!
O almoço tinha sido na cantina e já havia terminado há algum tempo. A aula próxima iria acontecer às três e meia. Podia participar sem problemas, desde que tivesse cuidado com os trambolhões e com o calçado.
O jogo começou e cedo se viu que a equipa da qual fazia parte era bem melhor do que a outra. Os golos sucediam-se e os "trambolhos" não apanhavam uma. Um passe longo, o "puto" apanha-a e corre para a baliza. Ia ser mais um golo, mas este era especial. O defesa foi fintado e não gostou da acção do "puto". Correu, estendeu a "pata" com violência e a queda foi inevitável.
- Tem o braço virado ao contrário, ouviu-se.
Veio o contínuo, chamou mais alguém, as dores apertavam, os olhos humedeciam.
- Vamos levá-lo ao hospital. Deve ter o braço partido.
E estava. O médico nem precisou de radiografia. Estendeu as mãos ...
- Ora deixa lá ver
... puxou com força e colocou-o no sítio.
- Já não dói, pois não? Agora vamos pôr gesso e fica novo.
Devem ter sido dois meses. O gesso foi retirado, cortado com uma tesoura enorme que se distraiu e picou a pele, pouco antes das férias do Natal. O resto do primeiro período das aulas de Ginástica teve menos um aluno ...
Foi a primeira fractura de uma série de três que o braço esquerdo exibe no currículo!
O cálculo não é fácil, mesmo recorrendo à tradicional máquina de calcular ou à que qualquer telemóvel ou computador nos faculta.
Divisões e multiplicações, percentagens, somas, subtracções, uma tarefa ciclópica se ainda estivéssemos em 1970, e para a qual nem uma folha A4 seria suficiente, sem contar que se corria o risco de, a meio, uma pequena falha na tabuada deitar por terra todo o trabalho.
Agora, o Excel faz tudo. Criada a fórmula, com os "se" e as condições prévias, o cálculo é imediato. E, para o futuro, basta colocar o novo valor e o "anão sabão" fornecerá o resultado certo, de imediato, sem papel e sem esforço pessoal.
E ainda há por aí umas "gentes" a gritar que "dantes é qu'era bom"!
Obra recente, a reconstrução do cais palafítico convida à visita, ao passeio e à admiração da paisagem circundante, onde a Lagoa é rainha, os patos, mordomos, e os flamingos, cortesãos.
Está bonito, agradável mas, como sempre ... não há bela sem senão. O arquitecto que projectou foi negligente e esqueceu-se de um elemento essencial para que a obra ficasse completa: a necessidade imperiosa de um WC para os cãezinhos.
Eis o resultado:
Discurso
Vinde cá todos! Enchei a praça.Eu, que não gosto de discursos,tenho um discurso a fazer.Chegai-vos e ouvi. Ou não ouvi, se quereis.Mas cinde, que eu preciso fazer um discurso,e para haver discursos é preciso público.Isso, todos aí. Curiosos,desdenhosos,ociosos,e até ranhosos, pouco importa. Mas todos.Sentados ou deitados,verticais ou oblíquos,paralelos, concorrentes,secantes, tangentes,- irra! - tudo o que quiserem. Mas todos.Público, que eu preciso de pedir a palavra.Tenho uma mensagem a dizer.Eu, que não sou profeta,nem revolucionário,nem aviso funerário,eu que sou o contráriode tudo isso, precisamente porque não sou nada disso,tenho algo a dizer. (E logo às massasque é uma irrealidade que me bole com os nervosdesde as unhas dos pés ao centro do miolo!)Aí vai (já não é sem tempo): Sou uma besta quadradae forrada do mesmo, para maior perfeição.Ando sempre a quatro. Lucidamente a quatro,quando sei que nem ao pé coxinho devia ir.Tenho a estupidez mais estúpida que há:medida, exacta, vista,esquadrinhada,a estupidez inteligente, sabem?Não dou berros quando todas as pessoasnormalmente os dão.Calo-me quando devia dizer palavrões.Sorrio quando devia morder.Perdoo quando o momento pediaum sacrosanto par de bofetadas.Arre! Cheiro a museu,cheiro a arquivo,cheiro a jantar de cerimónia.É demais!E porque é demais para uma pessoa sóé que fiz este discurso- eu, que odeio discursos, museus e arquivose os jantares de cerimónia.Tenho dito!Ermelinda XavierBarro e Luz (Poesia completa)Unicepe (2016)
Apesar de ser desnecessário, António confirma, no Expresso de hoje, que uma imagem vale mais que mil palavras.
E se, de repente e como por magia, tudo andasse para trás 50 anos?
Dirão uns, saudosistas das capacidades físicas: Maravilha! Voltava a alegria e a loucura dos "vintes", nada fazia mal e não havia chuva que molhasse nem frio que rachasse; acrescentarão outros, mais racionais: Não havia dores, nem sono, nem pressa e tínhamos tudo "à mão de semear" ... excepto o que não tínhamos.
Cada vez são menos os que viveram há meio século e disso têm lembrança de "experiência feita". Não conseguiram, ou não quiseram, contar à geração seguinte, nascida depois de 1974, como eram aqueles tempos e como tudo se transformou. Talvez não tenham procedido da melhor maneira e a omissão esteja longe de ter sido a atitude correcta, mas aconteceu assim, na grande maioria.
E agora, espantados, ouvimos gente que subiu degraus de uma escada que não existia, deu muito trabalho a muitos e foi bem difícil de construir, apesar dos defeitos, a gritar que "dantes é que era"! E falam grosso, como quem quer comer microfones, gritando impropérios e frases sem nexo, como se os decibéis da voz fossem suficientes para terem razão e sabedoria.
"Valha-lhes um burro aos coices e três aos pontapés!"
Com frio, nota-se melhor a calma da ausência do vento, o azul da inexistência de nuvens, tudo marcado pelo chilrear dos pássaros nas margens, pelos corvos marinhos abrindo as asas para aproveitarem o quentinho ... do sol.
A beleza da Lagoa, sempre, e a gaivota, desfrutando, bem instalada, o conforto do "hotel" Coelho e Rola.