Chapéus há muitos!
A clareza, a beleza, a actualidade e o "risco" do cartonista António, no Expresso desta semana.
Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
Chapéus há muitos!
A clareza, a beleza, a actualidade e o "risco" do cartonista António, no Expresso desta semana.
Sem números, que a matemática não é o meu forte e eles, nesta altura, (já) não são importantes.
Apenas música ... da boa!
"(...) Os tamarindos, além de servirem para compotas, também tinham uma vantagem particular para ele. Chupava os frutos e guardava as sementes castanho-pretas no bolso dos calções. Uma semente, quando esfregada durante meio minuto no chão cimentado de uma sala, aquecia bué. Ele se inclinava na carteira da escola para esfregar a semente no chão sem a professora ver e, quando estava bem quente, tocava com ela na perna da colega sentada à frente. Sucedia sempre um grito da menina, pois aquilo queimava mesmo. A professora nem precisava de perguntar quem tinha feito a maldade, o próprio Santiago levantava do assento com um resignado encolher de ombros e ia se ajoelhar num canto da sala, virado para a parede. O castigo era esse, ficava durante o resto da aula ajoelhado sem nada mais ver, só a parede. Doía mais o castigo do que a queimadura leve na perna da menina? Não se podem comparar as dores. Doíam. A menina, solidária e já esquecida da maldade, depois vinha lhe perguntar se os joelhos estavam muito mal e ele dizia, não é nada, vamos correr até no muro, te ganho de dez metros. Corriam, em competição feliz. Não fazia aquilo para lhe causar sofrimento, era uma brincadeira de criança, ela sabia perdoar. Se chamava Rita e tinha muito bom feitio, sorte de Santiago, como dizia a mãe dele, cansada de ouvir as queixas da Dona Esmeralda, mãe de Rita. Porque lhe fazes aquilo, não percebes magoa? Rita não queixava na mãe, a senhora é que notava as nódoas na perna da filha e a obrigava a confessar, quem te fez isto?, sabendo muito bem qual a resposta. Perguntada a razão do crime, Santiago respondia, não sei explicar, juro mesmo sangue de Cristo, o que exasperava os pais e demais familiares. Não sabes? E ainda por cima meteres Cristo no assunto? Apanhava castigo. Mas não podia evitar, uns dias depois reincidia.
Se tudo tivesse uma explicação, era tão fácil viver. (...)"
Nem o frio, o vento ou a aba do chapéu da madam conseguiram desmanchar a poupa amarelada, bem penteada que, a partir de hoje, volta a mandar no mundo.
Será a laca usada de fabrico chinês?
A banda Cara de Espelho proporcionou ontem um excelente concerto a todos os que deixaram o quentinho do borralho e foram passar um bocado da noite ao CCC.
Espectáculo cheio de boa música, com letras críticas, algumas bem mordazes, todas cheias de actualidade.
Quem viu, viu e sentiu. Quem não foi, chuche no dedo e delicie-se com esta:
À BELEZA
Não tens corpo, nem pátria, nem família,Nem te curvas ao jugo dos tiranos.Não tens preço na terra dos humanos,Nem o tempo te rói.És a essência dos anos,O que vem e o que foiÉs a carne dos deuses,O sorriso das pedrasE a candura do instinto.És aquele alimentoDe quem, farto de pão, anda faminto.És a graça da vida em toda a parte,Ou em arte,Ou em simples verdade.És o cravo vermelho,Ou a moça no espelho,Que depois de te ver se persuade.És um verso perfeitoQue traz consigo a força do que diz.És o jeitoQue tem, antes de mestre, o aprendiz.És a beleza, enfim! És o teu nome!Um milagre, uma luz, uma harmonia,Uma linha sem traço ...Mas sem corpo, sem pátria e sem família,Tudo repousa em paz no teu regaço!OdesMiguel TorgaGráfica de CoimbraNota: Miguel Torga faleceu em Coimbra, há exactamente 30 anos
O acordo estava na mesa há oito meses e, segundo Biden, não teve qualquer alteração. Nem uma vírgula.
A poupa do outro, que irá entrar em cena na próxima semana, veio dizer ao mundo, através das redes, que só tinha havido acordo graças à sua sapiente intervenção.
Ao contrário de ontem, as notícias de hoje já não são tão optimistas e parece que o governo de Israel não ratifica o que os seus representantes haviam combinado lá nas profundezas do petróleo, digo, do Catar.
A destruição continua; as mortes prosseguem; o ódio, recíproco, agiganta-se.
Até quando?
Se eu não fosse uma pessoa discreta, descreveria o que vai pelo mundo como um cacharolete de interesses, egos, vaidades, poupas amarelas e lacadas, caras de pau destilando raiva, peneirentos em busca de lacaios, "sabões" que nunca passarão de "sabonetes" e dos bem pequeninos.
A discrição impede-me de fazer uma descrição exaustiva do que por aí vai, a começar nos atentados de guerra, passando pelos da gramática, pelos discursos a justificar o que não tem justificação, os perigos disto e daquilo, com erros ortográficos pelo meio e percepções resilientes que se atropelam continuamente.
Há muita gente à procura de protagonismo, poucos em busca do saber, muitos a necessitarem de "dez réis" de humildade, outros tantos a precisarem de educação e ainda, bastantes, a cuspir para o chão.
Ler, estudar, aprender, para quê?
Está tudo na Net e o que não está, compra-se!
Estaremos todos preparados para o salsifré que está a acontecer na comunicação social?
Saberemos distinguir o que vale a pena ler, ver e ouvir, do que é lixo puro?
Apesar das grandes tiradas analíticas que enxameiam todos os canais, não estaremos a recuar aos tempos do "para cúmulo da chatice, tanto falou e nada disse"?
A informação parece uma feira onde uma grande parte dos responsáveis políticos e dos profissionais da dita vende cobertores e banha da cobra!
Maré baixa, ondas medianas, muita espuma e muita areia, "aberta" a contrariar-se e a mostrar-se quase fechada e muito envergonhada, sem vento nem banhistas.
Das Berlengas, nem rasto: talvez escondidas, na procura de discrição e reserva, com receio de que Trump ainda se lembre de também as querer comprar. E se ...