quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Actualidade

Quem é dotado, vê sempre mais longe, mais cedo, mais claro e não tem medo de o dizer bem alto.

Sophia de Mello Breyner Andresen escreveu o poema; Francisco Fanhais musicou-o e cantou-o há mais de meio século. Lendo e ouvindo com atenção, podia ter sido ontem. Estaria tão actual como naquela altura (1970).

As guerras continuam, a fome mata todos os dias, as armas proliferam, o poder encanta e utiliza-se despudoradamente em proveito próprio, o egoísmo grassa. Não podemos ignorar ...

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Respeitinho

O país vai de carrinho ... preocupado com as minudências, que ocupam as conversas, distraem da floresta e são tema dos areais.

De acordo com o "discurso" da senhora Ministra, as leis do trabalho têm de ser alteradas, porque há abusos que não se podem admitir. Há mulheres que se aproveitam da lei e usufruem da dispensa de trabalho - duas horas por dia - para amamentarem os filhos até eles irem para a escola (ou para a tropa?).

Solução: prazo fixo de 2 anos, a partir do qual não será possível usufruir. Nem mais um dia ... a lei será para cumprir.

Puna-se, fixe-se, limite-se e teremos toda a gente na linha ... mesmo que a grande maioria lá esteja e não seja abusadora.

E sempre a bem da nação, que não pode pactuar com esta gente que de tudo se aproveita ...

Quantas são? Quantos são?

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

50 - 1

Heliotrópio - Designação de várias plantas que se viram para o Sol, quando este se acha acima do horizonte (Dicionário Texto Editora - 2009)

"Dr. Google" - 49 anos de casamento: bodas de Heliotrópio.

terça-feira, 29 de julho de 2025

Palavras bonitas

Elogio do sorvete

come sorvetes  velha  come sorvetes
que a morte chega mais cedo do que pensas
bem melhor será partires toda fresquinha por dentro
com tanto fogo aceso nas paredes de Maio

além disso ficas mais bonita (tu que já és
de novo uma criança) com a bolacha esguia
a arrefecer-te os dedos frios e a língua
a saltitar na palidez dos lábios

come sorvetes  velha  come sorvetes   que
tirando os chocolates do nosso tio
Fernando Pessoa
os sorvetes são a melhor metafísica
e tornam os dentes incrivelmente brancos

Poesia reunida
o pouco que sobrou de quase nada
Manuel Alberto Valente
Quetzal (2015)

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Lixo

O mar agitado, o norte zangado, a temperatura desagradável, contrariando os avisos amarelos do IPMA. Dois ou três teimosos atrás dos "tapumes", bem enroladinhos na toalha, que não é altura para apanhar constipações.

Constatação: na Foz, seguidinhos, seguidinhos, vão lá dois dias e é um pau! Amanhã ou depois se verá.

Um passeio até à Lagoa, já com muita gente e sem as agruras do lado do mar. Dificilmente se encontra no país um sítio destes: em pouco mais de quinhentos metros, sai-se do frio quase glaciar para a ausência de vento e mar calmo. Faltam as ondas, é verdade, mas olhando bem, sobra o lixo. 

Não aprendemos! De garrafas de água a sacos de papel, de "beatas" a roupa velha, há de tudo um pouco.

E ouve-se: ninguém limpa!

E apetece escarrapachar num letreiro com letras bem grandes:

- Não seja porco! Ponha o lixo no lixo, sua besta!

domingo, 27 de julho de 2025

Bicicletas

Terminou há pouco a Volta à França em bicicleta, ou melhor, o Tour de France. E foram, para quem gosta de ciclismo e de bicicletas, três semanas de alta competição, excelente espectáculo e maravilhosas paisagens, como sempre.

Foi pena o "nosso" João Almeida ter caído. Depositavam-se justas esperanças numa grande classificação, mas o infortúnio acabou com elas. Ossos do ofício ... Vem aí a Volta à Espanha e talvez a costela já esteja em condições de o levar mais alto e mais longe.

As minhas costas e o tempo que levo já não me permitem dar pedaladas como gostava de fazer. Dei muito ao pedal, com alguns trambolhões pelo meio. Dizia-se, naquela altura, que para se conseguir saber bem andar era preciso cair, pelo menos, sete vezes ... e meia! Caí mais de sete vezes, de certeza absoluta. Da meia, não me lembro. 

terça-feira, 22 de julho de 2025

Nuvens negras

Julho está quase a chegar ao fim! Muita gente já recebeu o seu ordenado ou a sua pensão, ainda sem as diminuições da retenção do IRS. Muitos nem sabem o que isso é, mas uma boa parte notará bem nas folhas de Agosto e Setembro. A falta de recursos humanos para efectuarem os cálculos é a causa e não, nunca, como apregoam as más-línguas mal intencionadas, a aproximação das autárquicas.

O tempo, que permitiu uns bons mergulhos "fozenses", numa manhã de solinho, com uma brisa agradável, aparece agora com novidades, escurecendo e pingando, pressagiando que, como de costume, o primeiro de Agosto será o primeiro de Inverno. 

Ainda dará oportunidade de mais alguns mergulhos, mas o céu está a escurecer e aquilo que pareciam ser "favas contadas" nas presidenciais, surge agora com um resultado imprevisível, mesmo para os grandes literatos do assunto. O cenário apresenta um tempo instável, parecendo que, afinal, o campeonato, que ainda nem começou,  vai ter duas rondas e não há ninguém para ganhar "sem espinhas". 

Tudo indica que terei de votar sem óculos ...

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Livros (lidos ou em vias disso)

"(...) Por recomendação de uma amiga da minha mulher, enfarinhada em gozos acessíveis à bolsa, marcámos férias no hotel da FNAT na Foz do Arelho. Face à minha irresolução Noémia trataria de tudo, não desistindo de me estimular entretanto com projectos e projectos durante a estadia. Era para ela como se nos deslocássemos em veraneio à Côte d'Azur, ou aos Mares do Sul, e uma prodigiosa aventura se abrisse à nossa frente. Preparou quatro malas com o conveniente ao efeito, mudas de roupa, toalhas e óculos escuros, duas almofadas insufláveis, e o inevitável bronzeador. Além disso incluiria para mim uma trousse de latex que, e ainda à antiga, denominava <<o maillot>>, e uma indumentária para ela, estampada com uma minudência de palmeiras e ananases, e expondo-lhe com modéstia algumas zonas do corpo, à qual chamava <<o fatinho de sol>>.

Aquilo transformar-se-ia porém num desterro insuportável, desprovido da papelada que significava a coluna dorsal dos meus dias, e por isso encolhia-me num amuo acidulado. Mantinha-me à sombra do mastodôntico edifício que tresandava aos restos acumulados das insípidas refeições, e votara um ódio sem fim à mera ideia das ardências do areal. Quanto aos hóspedes, e referindo-me primeiro aos do sexo masculino, arrastavam-se em tardes e noites de campeonatos de sueca, ou de king, e os mais velhotes tombavam de borco, ora taralhoucos, ora ensonados, sobre as perdas do dominó. Relutantes a desvendar as misérias das banhas, as idosas mães de família sentavam-se em perpétuo num minúsculo banquinho de madeira, tapando os joelhos com uma écharpe de chiffon, no intuito de que não lhes devassassem as coxas branquíssimas. As novas em conclusão falazavam sem parança, e todas a um tempo só, acerca de coisas e loisas, e entre contos e ditos.

Certa vez, e como se condescendessem em nos oferecer um lauto presente, trouxeram para nos divertir um cantor de olheiras cavadas, carpindo em boleros os seus dissabores de corno inato, mas levantando atrás de si os haustos das fãs sem aconchego. Setembro chegado, dera de assobiar um ventinho barbeiro que enregelava até mesmo os intrépidos, e sempre que eu procurava fugir a tão triste desconchavo, topava nas traseiras do casarão com as cozinheiras, e as respectivas ajudantes, fardadas como pessoal de enfermagem, mas de bata encardida, que lavavam à vassourada os panelões do seu ofício. Regressei espavorido, enjoado por um travo de enxúndias moídas, e temperadas em excesso. De tripa assanhada, ora pelos comeres que empanzinara, ora pela cólera para que não descobria refrigério, jurei e trejurei, e muito contra o silêncio de Noémia, jamais repetir o esquema balnear. (...)"

Cruzeiros de Inverno
(Menina sentada)
Mário Cláudio
D. Quixote (2025)

domingo, 20 de julho de 2025

Atleta aniversariante

O Algarve, mais concretamente a cidade de Loulé conta, há já alguns dias, com a presença de um nadador ilustre, a disputar o Campeonato Nacional de Infantis de Natação Loulé 2025. 

Não teria nada de extraordinário - mais um entre tantos - mas este é especial: é o meu neto, segundo na escala da chegada e último na cronologia dos aniversários anuais. E se, só por isso, já se justificaria o destaque, acontece que hoje o Vasco completa 14 anos, lá bem no sul do país, debaixo de uma canícula forte e muito diferente da oestina, e "apenas" com a companhia dos pais, do irmão e dos elementos da sua equipa.

É diferente do costume, mas será um aniversário inesquecível.

Parabéns, meu neto. Estás um homem, já maior do que eu. Amanhã dar-te-ei aquele abraço apertado, bem merecido, pelo aniversário, pela força e pela qualidade. BOM DIA!

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Vejam bem ...

Vejam bem
Que não há só gaivotas em terra
Quando um homem se põe a pensar
(...)

José Afonso

O estado da Nação esteve ontem em debate na Assembleia da República e proporcionou um espectáculo bem elucidativo da miséria a que chegámos.

Fanfarrões e frouxos, cobardias e ofensas, citações eloquentes mas erradas, àpartes de taberna já fora de horas, houve de tudo, ilustrando, sem margem para dúvidas que, cada vez mais, os debates são mais acesos quanto menor é o nível dos discursos.

E como se isto não fosse suficiente, parece ser "voz" corrente nas redes ditas sociais que há muita, mas mesmo muita, gente nova a torcer para que "a moda" se propague sem roque mas com rei à espreita.

Embora o caminho se faça caminhando, há muita gente com a ideia de que o importante é calar a opinião do outro.

Haverá preço e não serão os velhos a pagá-lo ...