quarta-feira, 25 de julho de 2007

Palavras bonitas .. para a minha filha

Para a minha filha

O PAÍS SEM MAL

Um etnólogo diz ter encontrado
Entre selvas e rios depois de longa busca
Uma tribo de índios errantes
Exaustos exauridos semimortos
Pois tinham partido desde há longos anos
Percorrendo florestas desertos e campinas
Subindo e descendo montanhas e colinas
Atravessando rios
Em busca do país sem mal -
Como os revolucionários do meu tempo
Nada tinham encontrado.

Ilhas
Sophia de Mello Breyner Andresen
Caminho (2004)

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Natalidade

Cada vez nascem menos crianças em Portugal.
Especialistas estudam o problema, procuram as causas e dissertam sobre as consequências, apresentando conclusões numa linguagem científica, carregada da eloquência própria de quem sabe e que convence qualquer leigo de que a sapiência está por ali ...
E o leigo, com medo de desnudar a sua ignorância, pergunta-se:
  • E as dificuldades económicas?
  • E a falta de perspectiva para o futuro?
  • E a geração dos 500,00 Euros a 6 meses?
  • E o trabalho de "sol a sol"?
  • E as horas intermináveis nas deslocações de e para os dormitórios?
  • E o preço e a escassez dos jardins de infância?
  • E os avisos de não renovação do contrato se houver gravidez?
  • E os que continuam na CP (leia-se: casa dos pais), sem pressa nem condições para partir?
  • E o preço das casas?

E o futuro?

Será dos velhos?

terça-feira, 10 de julho de 2007

De férias ... quase

É este mar que me espera, dentro de poucos dias, mesmo que o Sol faça negaças e a brisa oestina massacre as costas.
À beira-mar ou no "T0", cheques nem os meus; letras, só as dos livros que me farão companhia; saldos, nem aos das lojas vou ligar; notas, já não me preocupam as dos filhos e as do neto ainda vêm longe; aplicações, empréstimos, juros, comissões, devolve/debita, recusa/aprova, faz .. não fez (porquê?) ... e a campanha, está conseguida?
A Foz do Arelho é a melhor praia de Portugal ... a sua maior virtude é ter um mar tão possessivo que nem admite que se disperse a atenção para "coisitas" de somenos ...

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Mensagem do meu neto

Festejei hoje o meu primeiro aniversário!
A minha avó fez rissóis, pastéis, arroz, bacalhau, salada de frutas, bolos e uma infinidade de coisas, das quais eu nem sei o nome. Por mim, chegava a papa e aquela frutinha deliciosa que minha mamã me dá! Não entendo a trabalheira ...
Beberam água, vinho e sumos, amarelos e castanhos, com bolinhas ...
As vozes, roucas e desafinadas, procuraram cantar os "Parabéns a você" e eu fiquei espantado ... costumam tratar-me sempre por tu.
Provei um bocadinho do bolo que diziam ser o meu e que tinha um 1 feito num material que ainda não conheço. Não gostei! Fiz uma careta feia .. mas não chorei!
Não é para me gabar, mas acho que me portei muito bem!
Ri-me muito com as caras dos adultos, que me fazem caretas e me falam como se fossem da minha idade e do meu tamanho.
Na parte final, já estava um bocadinho cansado!
Não tenho tido treinos para este nível de exigência. Isto é quase alta competição! O meu tio está no estágio. Sozinho, não tenho pachorra para o exercício físico e ... o corpo ressente-se.
Já me esquecia ... pousei para "milhares" de fotografias! Quando fizer o filme da minha vida, vão dar um jeitão!
Vou-me deitar!
Amanhã prossigo a aventura de descobrir o que existe na Casa!
Já vi muitas coisas boas para puxar, mandar ao chão, partir ...
Será que vão deixar? Logo se vê ...

segunda-feira, 2 de julho de 2007

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Constatação


Não recordo bem se foi na primária, no ciclo ou em brincadeiras de miúdo, mas relembro a experiência de colocar um feijão num recipiente com água e, passados alguns dias, poder admirar como, pouco a pouco, a semente germinava e desenvolvia um pequeno feijoeiro.

Decorridos tantos anos, verifiquei que a natureza delegou poderes e concedeu a alguns empresários da construção civil a possibilidade de fazerem germinar casas, com as vantagens que, seguramente, daí resultam.

Só não consegui descobrir se germinam num recipiente com água (como o feijão), no interior de um saco de cimento ou se basta colocar o projecto no cabouco e aguardar a emissão da licença da autarquia.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Palavras bonitas

OS ERROS

A confusão a fraude os erros cometidos
A transparência perdida - o grito
Que não conseguiu atravessar o opaco
O limiar e o linear perdidos

Deverá tudo passar a ser passado
Como projecto falhado e abandonado
Como papel que se atira ao cesto
Como abismo fracasso não esperança
Ou poderemos enfrentar e superar
Recomeçar a partir da página em branco
Como escrita de poema obstinado?

O nome das coisas
Sophia de Mello Breyner Andresen
Caminho (2004)

terça-feira, 19 de junho de 2007

Perguntas idiotas

Se a língua universal é o inglês, porque forçam as criancinhas a aprender a língua portuguesa e ainda as obrigam a fazer exame?
Não será anti-pedagógico?
Não corremos o risco de ficarem afectadas psicologicamente?
Ou será para obrigar os escritores portugueses a deixarem de escrever nesta língua que, em oitocentos anos, "apenas" deu um Nobel?

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Anedotas

Em dia de Santo António e numa altura em que parece haver alguma dificuldade em digerir piadas, surgiu-me na memória uma anedota que se contava no "tempo da outra senhora", com algum cuidado para que não chegasse ao ouvido atento de algum "bufo".
O contador da "estória" perguntava:
- Sabes qual é o português que mais tem convivido com santos?
- Não
- Henrique Galvão
- ???
- Apoderou-se de um navio chamado Santa Maria, que "baptizou" de Santa Liberdade e morreu em São Paulo, tudo por causa de um Santo António, que mora em São Bento e nasceu em Santa Comba.

Retrocesso ?!

Vindo de um homem conhecido pelo seu optimismo, causa preocupação ler isto.

(...) Neste momento há um relatório, nos Estados Unidos, onde se diz que o grande inimigo já não é o terrorismo, mas o perigo que podem representar as populações do Sul, famintas, vítimas do subdesenvolvimento e das catástrofes naturais, procurando desesperadamente entrar nos países ricos do Norte. E a única resposta possível - diz o relatório - será a sua exterminação em massa.

Vejam! Trata-se de preconizar o regresso à barbárie ... Depois do humanismo iluminista e, apesar de tudo, de dois séculos de progresso...

... Haverá revoltas, grandes confrontações, talvez guerras. Só vejo uma forma de evitar os conflitos e porventura as revoluções que se preparam. Fazer reformas a sério, progressivas. Não contra-reformas. Não é acabar com o Estado, deixar os ossos ao Estado e a carne aos privados. Isso não é uma reforma. É uma contra-reforma. (...)

Mário Soares
Entrevista à Revista Única
Jornal Expresso - 09.06.2007