Casa situada na cidade das Caldas da Rainha, "nascida" em 1976, numa rua sossegada, estreita e, desde Abril de 2009, com sentido único. Produção: dois frutos de alta qualidade que já vão garantindo o futuro da espécie com quatro novos, deliciosos. O blog é, tem sido ou pretendido ser uma catarse, o diário de adolescente que nunca escrevi, um repositório de estórias, uma visão do quotidiano, uma gaveta da memória.
quinta-feira, 7 de abril de 2016
Quotidiano
segunda-feira, 21 de março de 2016
Dia Mundial da Poesia
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.
ABRIL
Vinhas descendo ao longo das estradas,
Mais leve do que a dança
Como seguindo o sonho que balança
Através das ramagens inspiradas.
E o jardim tremeu,
Pálido de esperança.
Sophia de Mello Breyer Andresen
Dia do Mar
sábado, 19 de março de 2016
Dia do Pai
Ponta Seca
Remendo o coração, como a andorinha
Remenda o ninho onde foi feliz.
Artes que o instinto sabe ou adivinha ...
Mas fico a olhar depois a cicatriz.
Diário VI
Miguel Torga
sábado, 12 de março de 2016
Cavaco
quarta-feira, 2 de março de 2016
Mãe
terça-feira, 1 de março de 2016
Matemática
E isto também é televisão a cumprir!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Palavras bonitas
Para o meu neto Miguel
VIDA
Do que a vida é capaz!
A força dum alento verdadeiro!
O que um dedal de seiva faz
A rasgar o seu negro cativeiro!
Ser!
Parece uma renúncia que ali vai,
- E é um carvalho a nascer
Da bolota que cai!
Diário II
Miguel Torga
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Animação musical
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Animação musical
Livros (lidos ou em vias disso)
A descrição da atribulada viagem, pelos caminhos difíceis de então (serão fáceis agora?), que leva o Conde de Fróis (filho) e o seu séquito a um desterro na fortaleza de S. Gens, lá bem perto da raia de Espanha, termina assim:
Foram dar com o primeiro soldado encostado ao portal da igreja. O homem, desgrenhado e farroupilha, olhou para ambos, azamboado, sem atinar com o que fazer. Depois, silenciosamente, com um sorriso equívoco, de beiço esborcinado, estendeu por instinto uma mão de esmola, primeiro gesto que lhe ocorreu antes que o capitão o expulsasse do adro a poder de biqueira.
Não tardou e a notícia alvoroçava a vila. O conde e o capitão, parados a meio do adro, viram-se rodeados por uma chusma silenciosa de basbaques, entre os quais sobressaía, aqui e além, o vermelho sujo de uma farda.
A escolta, entretanto, reboava pela porta de armas, com carros e bagagens, sem que alguém lhe pedisse senha, e vinha formar na parada, com ordem e lustro, suscitando o maior espavento da multidão apinhada pelas ruas.
